Joseph Blatter disse que o futebol ainda é muito "macho" e precisa ter mais mulheres assumindo cargos de influência

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Joseph Blatter, presidente da Fifa
Christophe Ena/AP
Joseph Blatter, presidente da Fifa

Com a expansão da Copa do Mundo de futebol feminino – que será a maior da história, com 24 seleções neste ano em vez das tradicionais 16 –, a Fifa endossa sua campanha recente para desenvolver melhor a modalidade.

Mesmo sem credibilidade, Blatter conta com oposição dividida para seguir na Fifa

O próprio presidente da entidade, Joseph Blatter, reconhece que o futebol feminino ainda está "muito atrás" do masculino e faz promessas de mudança.

Em entrevista exclusiva à BBC, Blatter disse que o futebol ainda é muito "macho" e precisa ter mais mulheres assumindo cargos de influência. Atualmente, só há uma representante feminina no Comitê Executivo da Fifa – Lydia Nsekera, de Burundi.

Ele afirma que quer mudar o estatuto da Fifa para facilitar o acesso de mulheres aos cargos mais altos do futebol no resto do mundo e também reforçou a importância de se ter mais representantes femininas eleitas no Comitê Executivo da entidade.

Blatter disse que se considera um "padrinho" do futebol feminino e que prestigiará a Copa do Mundo, que acontecerá entre junho e julho deste ano no Canadá, ainda que sofra uma derrota nas eleições presidenciais da Fifa, marcadas para o fim de maio.

Ligas e polêmicas

Segundo o presidente da Fifa, um dos grandes problemas do futebol feminino é que ele ainda "não é jogado da maneira como ele gostaria" – Blatter cita a falta de ligas organizadas em vários países para justificar a dificuldade em desenvolver a modalidade.

Ele mencionou também o fato de alguns países - como Irã e Arábia Saudita - proibirem o acesso de mulheres aos estádios. Além disso, o dirigente diz que toda a atenção dos investidores está no futebol masculino, o que fecha portas para a modalidade feminina.

"É difícil conseguir novos parceiros para o futebol feminino, porque o foco está sempre no masculino", diz.

O histórico de Blatter com o futebol feminino, porém, já teve capítulos polêmicos. Em 2004, ele foi bastante criticado quando sugeriu que as atletas da modalidade jogassem com "shorts mais apertado" para melhorar a popularidade do esporte.

Karen Espelund
Divulgação
Karen Espelund

Karen Espelund, a única mulher do Comitê Executivo da Uefa, disse à BBC que as mulheres poderiam "agregar valor ao futebol".

"O futebol é de longe o maior esporte do mundo, e o futebol profissional masculino está em uma posição forte. Mulheres agregam valor a esse produto e acho bem estranho que investidores e patrocinadores não vejam essa possibilidade."

Blatter vê na Copa do Mundo deste ano uma grande oportunidade para mostrar o futebol feminino ao mundo e diz que "está nas mãos das mulheres" fazer o melhor torneio possível e aproveitar a chance da melhor forma.

"Haverá mais de 20 câmeras em cada estádio, usaremos a tecnologia da linha do gol e teremos um grande público."

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