Modelo inglês e da Champions League foi visto como exemplo em seminário com 20 clubes da Série A na sede da CBF

A CBF, ao menos no discurso, pretende valorizar seu principal produto. O Campeonato Brasileiro, que começa no sábado, deverá passar por uma padronização que o deixará mais parecido com as principais ligas do mundo, especialmente a inglesa e a Champions League. Isso, apenas visualmente. A questão do calendário, um problema para clubes e para a seleção brasileira, ainda não tem solução. 

CBF pretende deixar apresentação de jogos do Brasileirão com cara de Champions League
Manu Fernandez/AP
CBF pretende deixar apresentação de jogos do Brasileirão com cara de Champions League

Na última semana, a CBF reuniu em sua sede no Rio de Janeiro representantes dos 20 clubes da Série A para apresentar o caminho que pretende seguir. Entre as mudanças sugeridas, as principais se referem ao campo de jogo e procedimentos antes, no intervalo e depois da partida. A ideia é limitar a presença de jornalistas, mascotes e pessoas que não que têm relação com a partida.  

“A entrada de crianças no campo de jogo acompanhando os atletas dependerá de autorização prévia da federação do clube mandante”, diz o regulamento geral de competições da CBF, que poderá passar por algumas mudanças para se adequar ao novo padrão desejado.

Segundo o diretor de Competições da CBF, Manoel Flores, o objetivo do evento foi auxiliar os clubes a padronizar a operação do dia do jogo. Segundo ele, a diretriz técnica com as definições realizadas no seminário, conforme previsto no regulamento, ainda será divulgada. A adaptação será feita ao longo do Brasileirão 2015 e deverá estar dentro do padrão desejado em 2016.

Para Edu Gaspar, gerente de futebol do Corinthians, e um dos presentes do seminário em que a CBF apresentou suas intenções para o Brasileiro, o modelo inglês deve ser o exemplo a ser seguido no Brasileirão. “Quem viveu no futebol inglês nos anos 80 e viu a transformação pela qual ele passou com a Premier League sabe que é possível”, disse Edu, que jogou no Arsenal no início dos anos 2000.

Premier League também é exemplo do que a CBF pretende fazer para o Brasileirão
Kirsty Wigglesworth/AP
Premier League também é exemplo do que a CBF pretende fazer para o Brasileirão

Na Inglaterra, a tragédia de Hillsborough, em abril de 1989, quando 96 torcedores do Liverpool morreram devido à superlotação de um setor do estádio em Sheffield, em partida contra o Nottingham Forest, pela Copa da Inglaterra, foi o estopim para se mudar tudo na liga do país. A Premier League, iniciada em 1992, hoje é o campeonato nacional mais valorizado do mundo.

A principal mudança na Inglaterra foi a modernização do estádios. O Brasil, com arenas da Copa do Mundo, já deu um passo importante nesse sentido. Porém, para o Bom Senso FC, grupo de oposição formado por jogadores contrários ao comando da CBF, isso é pouco. Organizar o calendário de uma maneira que punam os clubes deveria ser prioridade.

"É inadmissível não se respeitar data Fifa. É absurdo a seleção jogar competições oficiais e nosso campeonato seguir. É um enorme absurdo não ter respeitado férias e tempo de pré-temporada. Beira o ridículo federações faturarem mais que os próprios clubes. Temos um longo caminho para seguir", disse o ex-jogador Alex, um dos líderes do movimento. Durante a Copa América, em junho, Elias, do Corinthians, Marcelo Grohe, do Grêmio, Jefferson, do Botafogo, e Robinho, do Santos, vão desfalcar seus clubes por até 23% dos jogos

Representantes da Globo e do Sportv , canais que têm os direitos de transmissão do Brasileirão, também apresentaram suas ideias. Segundo eles, a intenção é deixar o visual para o torcedor que assiste aos jogos pela TV mais atrativo, como acontece nos jogos das ligas que são referência no mundo. 

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