Em São Paulo, Palmeiras e Santos tentam diminuir soberania do Corinthians. No Rio, Vasco busca taça que não levanta desde 2003. Há também "intruso" em Minas Gerais e um camisa 10 argentino com lugar cativo na história do Gre-Nal

É hora de soltar o grito de campeão pela primeira vez na temporada. Os principais torneios estaduais do país chegam à decisão, e rivalidade se torna apenas um dos elementos que adicionam emoção às finais. Santos  x Palmeiras  em São Paulo, Botafogo  x Vasco  no Rio, Caldense x Atlético-MG  em Minas Gerais e Grêmio  x Internacional  no Rio Grande do Sul - todas as partidas de ida serão neste domingo, às 16h. Cada duelo tem sua peculiaridade e põe em jogo mais do que a taça. O iG selecionou alguns atrativos desses confrontos:

Para diminuir a hegemonia em SP

O Santos de Robinho venceu o Palmeiras por 2 a 1 na primeira fase do Campeonato Paulista
Ricardo Saibun/Santos FC
O Santos de Robinho venceu o Palmeiras por 2 a 1 na primeira fase do Campeonato Paulista

Foi no longínquo ano de 1959 que Santos e Palmeiras fizeram pela última vez uma final de Campeonato Paulista, com os alviverdes levando a melhor. Atuais vice-campeões, os alvinegros festejam a sétima aparição consecutiva na decisão estadual e têm mais uma chance de se igualarem ao São Paulo em números de títulos conquistados (21). A soberania estadual é do Corinthians (27), seguido pelo Palmeiras (22), campeão pela última vez em 2008.

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Para diminuir a hegemonia corintiana no Estado, os finalistas têm cartas na manga. Visto como uma contratação de risco no início do ano, pelo histórico de lesões e o fato de ter ficado muito tempo no futebol asiático, Ricardo Oliveira superou as expectativas até do Santos, que lhe ofereceu um contrato de apenas quatro meses. O atacante é o artilheiro do Paulistão, com dez gols, além de ser quem mais acertou finalizações no torneio: 24, de acordo com o Footstats.

Contratação mais baladada entre as 20 realizadas pelo Palmeiras para 2015, o meia Dudu não tem sido tão decisivo quanto Ricardo Oliveira, mas é peça importante no esquema do técnico Oswaldo de Oliveira e traz preocupação aos marcadores. O camisa 7 alviverde é o terceiro jogador que mais sofreu faltas neste Paulistão: 44.

No Rio, o maior jejum entre os grandes

Antes de começar o Estadual do Rio, poucos apostariam numa final entre Botafogo e Vasco. Um acabava de ser rebaixado à Série B do Brasileiro, o outro estava de volta à elite nacional, mas passava por dificuldades financeiras e tentavam se reestruturar. Polêmica entre Ferj e a dupla Fla-Flu à parte, alvinegros e cruz-maltinos voltam a decidir o Carioca após 18 anos - em 1997, deu Botafogo.

Botafogo e Vasco empataram em 1 a 1 na primeira fase do Campeonato Carioca
Vitor Silva / SSPress
Botafogo e Vasco empataram em 1 a 1 na primeira fase do Campeonato Carioca


Vice em 2014, o Vasco amarga o maior jejum de títulos estaduais entre os grandes do Rio de Janeiro: não levanta o caneco desde 2003, quando bateu o Fluminense. O Botafogo, campeão em 2013, realizou a melhor campanha da primeira fase do Carioca, mas sofreu uma baixa considerável para a decisão: o atacante Jobson, um dos artilheiros da equipe na temporada, foi suspenso pela Fifa por doping .

Uma surpresa tenta cantar de galo em Minas

A Caldense venceu o Atlético por 1 a 0 na primeira fase do Campeonato Mineiro
Twitter/Reprodução
A Caldense venceu o Atlético por 1 a 0 na primeira fase do Campeonato Mineiro

Nem Cruzeiro nem Atlético-MG. A melhor campanha do Campeonato Mineiro deste ano pertence à modesta Caldense, invicta na competição e com apenas quatro gols sofridos. O desempenho garante ao time de Poços de Caldas a vantagem por dois empates diante dos atleticanos.

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Desde o Ipatinga, em 2006, que uma equipe do interior de Minas Gerais não decidia o título estadual. É a primeira vez desde 1991, quando enfrentou o Democrata de Governador Valadares, que o Atlético-MG vai encarar uma equipe de fora de Belo Horizonte na decisão. A Caldense foi campeã mineira em 2002. Maior detentor de títulos do Estado (42), o Galo festejou a conquista pela última vez em 2013.

É a chance de o Atlético diminuir a soberania estadual do Cruzeiro neste século: são quatro taças para os alvinegros, contra sete dos rivais celestes.

Gre-Nais da paz, e um velho conhecido do clássico gaúcho

Engana-se quem pensa que o passado recente do Campeonato Gaúcho é feito apenas de Gre-Nal. Nas últimas 20 edições do torneio, esta é a oitava vez que a maior rivalidade do Sul do país duelará pelo título. Os dois jogos finais deste ano serão as edições 405 e 406 desse clássico. O Colorado vai em busca do pentacampeonato, enquanto o Tricolor tenta retomar a taça que não vem desde 2010. 

Espera-se que a tensão típica do Gre-Nal se restrinja apenas ao campo. Por decisão da administração dos dois clubes, as finais terão um setor com torcida mista, como já aconteceu na primeira fase do Gaúcho. Acima da rivalidade estará o respeito.

Dos jogadores que devem estar em campo nas finais, o meia argentino Andrés D'Alessandro é quem mais jogou o clássico gaúcho. São 24 Gre-Nais na carreira, com 11 vitórias e um aproveitamento de 60%.

Testado na primeira fase do Gaúcho, setor misto de torcida será repetido nos Gre-Nais da decisão
Arquivo
Testado na primeira fase do Gaúcho, setor misto de torcida será repetido nos Gre-Nais da decisão


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