Competição deste ano, que será decidida entre Ceará e Bahia, aumentou prêmios em quase 11%, teve novos participantes e atraiu mais público do que fases finais dos principais Estaduais

"A diferença é gritante em termos de valores. Sei o quanto ganharíamos, mas não me sinto confortável em revelar valores. Posso garantir que rende tranquilamente oito vezes mais do que a gente receberia no Estadual." A frase é de Alexandre Faria, diretor de futebol do Bahia , e explica o que significa para o clube ser campeão da Copa do Nordeste, título que decidirá com o Ceará  a partir desta quarta-feira, na Fonte Nova, em Salvador - o duelo de volta será no próximo dia 29, no Castelão, em Fortaleza. O torneio regional, reativado em 2012, ganhou corpo ao explorar rivalidades locais que dependiam apenas das divisões do Campeonato Brasileiro para seguirem vivas, agregou aliados como as arenas construídas para a Copa do Mundo, mas tem o lucro que pode gerar aos participantes como atrativo e virou o principal argumento para quem defende competições mais fortes e menos deficitárias do que os Estaduais.

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Mais de 40 mil pessoas estiveram na Fonte Nova para o jogo de volta entre Bahia e Sport, pelas semifinais da Copa do Nordeste
Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia
Mais de 40 mil pessoas estiveram na Fonte Nova para o jogo de volta entre Bahia e Sport, pelas semifinais da Copa do Nordeste


Organizada pela CBF por meio da Liga do Nordeste, o torneio cede ao campeão uma vaga na Copa Sul-Americana e não gera tantos custos extras aos clubes, isentos de pagar passagens, hospedagens, alimentação e taxas de arbitragem. Com quatro estádios da região utilizados na Copa do Mundo - Fonte Nova (Salvador), Castelão (Fortaleza), Arena das Dunas (Natal) e Arena Pernambuco (São Lourenço da Mata/Recife) - é possível ampliar os ganhos com bilheteria. A edição deste ano, que passou a ter 20 participantes (eram 16), pagará R$ 11,14 milhões em premiações, aumento de quase 11% em relação a 2014, com o campeão embolsando R$ 2,7 milhões. Para fazer valer a comparação feita por Alexandre Faria na frase que abre esse texto, a reportagem tentou descobrir quanto as federações de Bahia e Ceará pagarão a seus campeões estaduais, mas os valores não constam no regulamento. Em contato com as entidades, ninguém soube passar essas informações.

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O torcedor mostra interesse pelos duelos regionais. Os dois jogos de volta pelas semifinais da Copa do Nordeste - Bahia x Sport e Vitória x Ceará - teve média de espectadores de 25.542, mais alta do que os confrontos decisivos dos estaduais de São Paulo (24.339), Rio de Janeiro (17.856) e Minas Gerais (9.290) no mesmo fim de semana. O duelo entre baianos e pernambucanos, na Fonte Nova, recebeu um dos melhores públicos do país em 2015: 40.205 pagantes. Para o primeiro jogo da decisão, a carga de mais de 41 mil bilhetes já foi comercializada .

Exibição dos jogos na TV e ações de marketing também fazem parte do jogo. Esporte Interativo e Globo dêtem os direitos de transmissão. Ao contrário da maioria dos estaduais, com formatos e confrontos definidos a portas fechadas, a Copa do Nordeste faz do sorteio de grupos um evento e promove um tour da taça de campeão pelas principais cidades da região. Existem a bola, o mascote (Zeca Brito) e o brasão oficiais da competição. O tratamento diferenciado na promoção do evento já trouxe comparações, guardadas as devidas proporções, com a Liga dos Campeões, o principal torneio da Europa - existe até um apelido informal, Lampions League, uma referência a Lampião, personagem histórico do cangaço nordestino.

"É um campeonato de nível técnico superior aos estaduais, que lhe dá um nível mais adequado de preparação para os torneios nacionais. A utilização das arenas da Copa ajudam a dar mais qualidade ao espetáculo e os estádios tiveram uma presença de público bem interessante. Ainda que os times do Nordeste estivesse jogando a Libertadores no primeiro semestre, mesmo assim seria melhor do que se dedicar ao Estadual", completou o diretor de futebol do Bahia.

Mas tem o outro lado da moeda. Como a Copa do Nordeste define os participantes em função da classificação dos estaduais, um depende do outro para se formar. Há a questão de agremiações menores, que necessitam de um calendário local para sobreviver. O futuro do futebol regional, em médio prazo, passa por uma harmonia entre esses dois formatos. "Não se pode pensar apenas nos grandes. O calendário precisa acolher a maioria", reforça Alexandre Faria.

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