Clubes valorizam receita extra, mas nem todos fazem um bom serviço. Palmeiras é exemplo positivo. Já o Vasco, negativo

Os clubes brasileiros tentam, cada um a seu modo, abraçar em definitivo seu programas de sócio-torcedor. É consenso entre eles que esses planos têm papel importante nas suas receitas, mas em 2015, depois de alguns anos do início da sua popularização, já é possível dividir os 12 mais populares clubes do País em dois grupos: os pioneiros, que sabem que caminho seguir, e os atrasados, que ainda penam para fazer seus planos avançarem.

O cenário é bom para alguns, especialmente o Palmeiras, e nada promissores para outros, caso do Vasco, dono da quinta maior torcida do Brasil. Veja os números.

O "Avanti", programa de sócio-torcedor do Palmeiras, já é a terceira principal fonte de receita do clube, atrás apenas dos direitos de TV e patrocínios. A expectativa de receita com o programa até o final de 2015 é de R$ 20 milhões. Apenas neste ano, o clube já adquiriu mais de 47 mil novos sócios, o que o deixa na segunda posição entre os clubes brasileiros.

“O programa de sócio-torcedor passou a ser fundamental para a saúde financeira de nossos clubes. E isso só tende a crescer, além de ser extremamente vantajoso também para os associados, que recebem em troca uma série de benefícios”, afirma Pedro Trengrouse, professor da FGV.

Leia também:
+ Torcedores: Saiba tudo sobre os programas de sócio-torcedor dos 12 grandes times

Na outra mão dos clubes que não conseguem engrenar, o Vasco não consegue evoluir. Foram apenas 1075 adesões em 2015, menos que clubes como Santo André e Londrina. O Vasco, diferente de outros clubes da sua grandeza, não tem um programa de sócio-torcedor nos moldes dos rivais . No mesmo patamar está o Botafogo e o Fluminense (veja o gráfico acima).

Os clubes tentam atrair os torcedores oferecendo descontos na compra dos ingressos, em produtos das empresas ligadas ao "Movimento Por Um Futebol Melhor", além de benefícios para os sócios mais assíduos. A principal crítica feita por quem não adere aos planos reside exatamente nessa política, já que na lógica dos clubes elevar os preços dos ingressos atrairia mais sócios torcedores. 

O Corinthians, que tem o segundo ingresso médio mais caro do Brasil (atrás apenas do Palmeiras), começou a recuar e baratear as entradas do setor oeste do seu estádio, o mais caro com ingressos superiores a R$ 300. "Nós passamos por constantes ajustes. Estamos sempre trabalhando para encontrar um equilíbrio entre preço do ingresso e demanda", diz Lúcio Blanco, diretor de operações da Arena Corinthians. 

O Corinthians tem conseguido encher seu estádio apenas com sócios torcedores. Foi assim contra o San Lorenzo
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
O Corinthians tem conseguido encher seu estádio apenas com sócios torcedores. Foi assim contra o San Lorenzo

O time paulista tem 94 mil sócios torcedores e divulgou mudanças para atrair mais corintianos. Nesta semana, em ação antes da partida contra o San Lorenzo, o presidente do clube, Roberto de Andrade, reconheceu que estar atrás do Palmeiras incomoda. "Não podemos deixar os palmeirenses cantando de galo. Se alguns poucos corintianos se mexerem a gente passa eles", disse, em entrevista ao Fox Sports. 

O Corinthians, assim como Palmeiras, se aproveitam de suas novas arenas para atrair mais torcedores. O Internacional, líder no Brasil e pioneiro em matéria de programa de sócio-torcedor, tem no Beira-Rio um aliado. Tanto que já conseguiu encher o estádio apenas com associados na final da Libertadores de 2010. O Corinthians repetiu o feito em 2012. 

O São Paulo, dono da terceira maior torcida do Brasil, iniciou seu programa de sócio torcedor em 1999, mas estagnou. Enfrenta problemas para atrair mais são-paulinos, mas ainda assim ficou atrás apenas de Corinthians e Palmeiras entre os clubes que mais registraram torcedores em 2015. Foram 16.786 de um total de 53,6 mil (números registrados até a última sexta-feira).

Ainda que haja bons exemplos no Brasil, o caminho para se tornar uma potência mundial nessa questão é longo. O Benfica tem mais de 270 mil sócios e é o líder do ranking mundial no quesito. O número representa, contudo, 4% de todos adeptos do clube (que tem 6,7 milhões de torcedores)

No Brasil, um levantamento feito pela Pluri Consultoria, aponta que no Inter, 2,6% dos torcedores são sócios do clube. No Flamengo, dono da maior torcida do Brasil, o índice é 0,16%. Se o Flamengo tivesse a média do Inter, o clube carioca teria 870 mil sócios (levando em conta os números da última pesquisa Ibope de preferências clubísticas).


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.