Amigo de ex-goleiro da seleção brasileira, carioca vira camisa 9 no Vietnã

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Amigo do goleiro Helton, Rafael Lima, de 25 anos, se aventurou por time da terceira divisão portuguesa e foi parar na Ásia

Quando se fala em Vietnã, a primeira coisa que vem a cabeça da maioria das pessoas é a guerra contra os Estados Unidos, que perdurou por 20 anos. Encerrada apenas em 1975, o conflito causou prejuízos enormes ao país e é considerado um dos mais sangrentos depois da Segunda Guerra Mundial, com quatro milhões de mortos – entre soldados e civis. Os anos difíceis foram superados e a ascensão econômica tem provocado uma visão otimista dos especialistas. Com a abertura do mercado e entrada de multinacionais, o Vietnã passou também a enxergar o futebol com outros olhos e tem atraído brasileiros.

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Rafael Lima joga em clube no Vietña
Reprodução

Na década de 90, o turismo do país lançou a campanha "O Vietnã é um país, não uma guerra" e desde então tem atraído pessoas do mundo todo. E foi justamente o que possibilitou o carioca Rafael Lima, de 25 anos, a dar um rumo diferente na carreira.

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Depois de aceitar a sugestão de um amigo e atuar um ano na Indonésia pelo pelo Ps Bangka, Rafael Lima cedeu à oferta de se tornar jogador de futebol no Vietnã. Apesar do esporte ter sido profissionalizado apenas em 2000, é uma das modalidades mais popular no país - ao lado do tradicional badminton. E ele não se arrepende da escolha.

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"Aqui é uma aventura, mas eu escolhi certo. O Vietnã tem uma história muito rica. Por ter passado por um período da guerra e ter sofrido muito, o povo aqui é mais fechado, mas é muito unido. No futebol, o país tem melhorado os contratos, paga um bom salário, dá uma boa premiação de jogo, além das luvas que são muito boas. Não se compara aos valores astronômicos da Europa, é claro, mas é muito legal", disse Rafael ao iG.

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Rafael Lima é o camisa 9 do Dong Tam Long An, da província de Long An - capital de Tan An -, cuja população é de mais de 1,5 milhão de habitantes. O clube pertence a uma grande fábrica de ardósia do país e disputa as principais competições, como a Liga Vietnamita e a AFC Champions League (Liga dos Campeões da Ásia). O atacante mora nas acomodações que a própria equipe disponibiliza, é uma espécie de apartamento para o atleta.

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"O clube é muito estruturado. Aqui eu tenho tradutor, academia, cada dentro do clube e comida que eu quiser", conta ele.

Mesmo com o futebol "diferente e com pouca tática", como ele mesmo define, Rafael se adaptou rápido ao Vietnã. Quando não está nos gramados marcando gols, o brasileiro gosta de conhecer a cidade e ir a restaurantes, praia e museus para reencontrar os amigos. Estabilidade que ele jamais encontrou no Brasil.

Rafael Lima durante o treino da equipe na praia
Reprodução
Rafael Lima durante o treino da equipe na praia

Revelado pelo Goiás em 2009, Rafael passou por diversos clubes do Rio de Janeiro, entre eles o Flamengo, quando criança até chegar ao time esmeraldinho. Chegou ao profissional ao lado de atletas consagrados, como Paulo Baier e Iarley, e não soube esperar pela oportunidade no time. Hoje, ele se arrepende pela imaturidade.

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"Havia muita ansiedade de jogar, mas o futebol brasileiro tem muitos talentos e a realidade é diferente. É preciso entender que há etapas, que é preciso evoluir, de mostrar o melhor. E eu não soube esperar isso. Agora, vejo jogadores que estão despontando e tiveram mais paciência que eu, como o Toloi (do São Paulo) e o Marcos Rocha (lateral-direito do Atlético-MG)", reconheceu.

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Sem espaço no Goiás, Rafael aos 20 anos resolveu se aventurar em Portugal. Através do amigo e goleiro Helton, do Porto, ele deixou o Brasil com a promessa de que o contato com empresários o colocaria em um grande time do país. Na prática, nada foi tão simples e ele foi parar no Eléctrico Futebol Clube, até então da terceira divisão. Aguentou por duas temporadas e voltou para o Brasil e jogar no modesto Tigres do Brasil.

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"Essa é a verdadeira realidade do futebol. Quando você é jovem, adolescente deslumbrado, acha que vai ser como o Romário, o Ronaldo, o Ronaldinho, Kaká, grandes ídolos. Mas essa não é a realidade", afirmou.

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Com o sonho de estudar nutrição depois que pendurar as chuteiras, Rafael Lima agora curte o bom momento na vida para traçar o próximo objetivo: desembarcar na Europa.

"Eu sonho em jogar no Brasil, mas eu só voltaria com um projeto segmentado, por um clube onde eu conseguiria realizar o meu sonho. Hoje eu tenho mais cabeça, tenho passaporte português, o que me dá a possibilidade de ir para a Europa e almejar por um clube grande. Mas tenho vivido o dia de hoje. Estou tranquilo e o que for para ser vai ser. A vontade continua", concluiu.

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