Guerrero e Sheik no Corinthians, Valdivia no Palmeiras, Luis Fabiano no São Paulo e a dupla Ricardo Oliveira e Robinho no Santos. Papel nos estaduais pode pesar na hora de manter o jogador ou abrir mão de seu futebol para o Brasileirão

Em campo, Corinthians , Palmeiras , Santos  e São Paulo  estão com foco total nas semifinais do Campeonato Paulista, que serão disputadas neste fim de semana. Nos bastidores, porém, o assunto é outro: a permanência ou não de alguns de seus principais jogadores que estão em fim de contrato. Algumas conversas já viraram novelas, e o risco de perder uma peça-chave do elenco por diferenças entre os valores pedidos e oferecidos é enorme. Mas uma atuação decisiva nos clássico desta reta final do Estadual pode ter peso na hora de bater o martelo.

O Corinthians corre risco de perder sua dupla de ataque titular a partir de 31 de julho, quando expiram os acordos com Emerson Sheik e Guerrero. O primeiro, decisivo na final da Copa Libertadores de 2012, nem sequer iniciou conversas por renovação. O segundo, herói no Mundial de Clubes do mesmo ano, tenta desde o início de 2015 firmar um novo contrato, mas a pedida salarial - R$ 500 mil mensais, além de US$ 7 milhões em luvas - trava o negócio. O clube passa por dificuldades financeiras e deve direitos de imagens e premiações para jogadores, entre eles o peruano.

Confira a tabela completa do Campeonato Paulista

Para desequilibrar em campo e, desta forma, ter mais um argumento a usar na hora de discutir a renovação, Guerrero terá de torcer para o Corinthians chegar à final do Paulistão, pois o atacante contraiu dengue - ele recebeu alta hospitalar na última sexta-feira - e será desfalque diante do Palmeiras, neste domingo, em Itaquera. Sheik deverá formar a dupla de ataque com Vagner Love, cuja contratação já foi uma forma de achar um substituto a quem sair no meio do ano.

Leia: Guerrero melhora e recebe alta depois de internação por ter contraído dengue

No Palmeiras, a novela é em castelhano. Valdivia tem vínculo até agosto, e a relação de amor e ódio do chileno com clube e torcida impacta diretamente nas conversas de renovação. Enquanto esteve fora por lesão, a discussão era sobre o custo/benefício de um jogador que raramente está saudável. Mas desde sua volta aos gramados, contra o Mogi Mirim, no início de abril, pondera-se a qualidade do camisa 10 e como ele ainda pode ser útil no elenco treinado por Oswaldo de Oliveira.

Leia: Mattos quer renovar, mas já se previne contra "tsunami" sem Valdivia

O Palmeiras oferece a Valdivia um contrato nos moldes de produtividade impostos pelo presidente Paulo Nobre: salário fixo, mais um adicional pelas vezes em que foi a campo no mês. Enquanto as partes não se entendem, o Cruzeiro é um dos interessados em fechar com o chileno a custo zero.

O problema do Santos também é em dobro. Ricardo Oliveira assinou um contrato de risco, válido apenas para o Paulistão, mas o atacante é um dos artilheiros do torneio, com nove gols, e despertou o interesse de outros clubes, como Grêmio e Palmeiras. Ele diz que a preferência é ficar no clube alvinegro, mas pede um salário bem maior, o que tem dificultado o acordo. Já Robinho está emprestado pelo Milan até dezembro, e mantê-lo seria uma operação cara, fora da realidade financeira da agremiação.

Leia também: Janela internacional fecha, e Brasil tem o menor gasto em cinco anos

Luis Fabiano é o nome da polêmica no São Paulo. Terceiro maior artilheiro da história do clube, com 201 gols, ele tem contrato até dezembro e pouco se falava sobre renovação até o momento. Mas na última quarta-feira, antes do jogo contra o Danubio, o presidente Carlos Miguel Aidar surpreendeu ao ser questionado sobre o interesse do Orlando City, equipe dos Estados Unidos, pelo atacante. "A eventual perda de Luis Fabiano será mais um golpe duro. Mas ele ultimamente tem tido reiterados problemas de saúde que não o deixam apto a jogar, e precisamos do jogador inteiro, para que cumpra seu papel. Se for para o Orlando City, se isso vier a acontecer, será porque será bom para ele. O São Paulo não vai criar obstáculos de espécie alguma para a saída dele, não ofereceríamos a renovação. Deixaríamos ele definir."

Leia: Técnico estrangeiro não se firma no Brasil, e a culpa muitas vezes é dos clubes

Luis Fabiano não gostou do que ouviu. "Amigavelmente, do meu lado, não tem nenhum problema em sentar e ver isso. Ver o que for melhor para as duas partes. Se eu tiver de sair agora, saio sem problema nenhum." O Flamengo também tem interesse em contratá-lo.

Mais do que o título estadual, o que estará em jogo também é a permanência de ídolos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.