Centralizador e adepto de agrados a aliados, novo chefe da entidade tem apoio até de opositores no início da sua gestão

O novo presidente da CBF inicia o mandato nesta quinta-feira. Marco Polo Del Nero, 74 anos, dos quais 13 dedicados à presidência da federação paulista, usou de aliados poderosos para se tornar o mais importante dirigente do País e esbanjar de sua influência ao lado de belas mulheres .

Pelo menos até 2019, ano em que se encerra seu mandato.

Del Nero assume a CBF nesta quinta-feira
Divulgação/CBF
Del Nero assume a CBF nesta quinta-feira

Eleito em 2014 por aclamação dos presidentes de federações estaduais - a quem nunca nega agrados - Del Nero usa os recursos da CBF para garantir apoio à sua gestão. "Ele só vai continuar o que já estava fazendo. Nada muda. Na prática ele já era o presidente", diz Francisco Novelletto, da federação gaúcha, que chegou a pleitear o cargo hoje de Del Nero. Vice de José Maria Marin, o dirigente paulista sempre teve carta branca na CBF. A diferença é que agora estará sentado na cadeira da presidência.

No final do ano passado, a CBF aprovou medida que garante aos presidentes das federações estaduais salários de cerca de R$ 15 mil por mês a cada um. Com um agrado desses, fica difícil ter opositores. 

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Essa prática para manter aliados, um "mensalão legal" na , é uma das maiores críticas daqueles que tentaram tirar de Del Nero a presidência da CBF. Em 2014, ele não teve opositores na eleição simplesmente porque para se homologar um candidato é preciso ter o apoio de no mínimo oito das 27 federações e de cinco dos 20 clubes da Série A. 

"Tenho certeza absoluta de que vai ser muito triste para o futebol brasileiro. O Marco Polo é um cara viciado para o mal e vamos pagar um preço caro. Perdemos uma oportunidade muito grande de ter uma grande mudança seja para ela que for", disse Andrés Sanchez, que tentou emplacar Francisco Novelletto, da federação gaúcha, como candidato de oposição. Faltaram assinaturas para a chapa concorrer com Del Nero. 

Um ano depois da frustração, Novelletto diz que torce pelo sucesso de Del Nero. Ele não contesta as regras para se registrar uma candidatura. "Seriam 13 apoios entre quase 50 de eleitores. É um número razoável. Se fosse aberto, teríamos muitos candidatos", disse. "Não vou secar antes de começar. Torço pelo futebol brasileiro e espero que ele continue o que já vinha fazendo, apoiando a Série C, a Série D", completou. A CBF é responsável por subsidiar alguns custos os times que disputam essas divisões. 

Del Nero comandou a federação mais rica do País e pretende usar essa experiência na CBF, aumentando a sua arrecadação milionária e repartindo com quem o apoia. Foi por contatos do dirigente que a entidade abocanhou contratos com a Chevrolet para o patrocínio de 22 estaduais em 2014 no ano das eleições da CBF. Agora, a montadora ficará apenas com a seleção brasileira chefiada pelo novo presidente. 

Com poder e influência, Del Nero atrai belas mulheres. Veja algumas delas


Habilidoso politicamente, Del Nero ganhou mais fama para o grande público não por suas contribuições ao futebol, mas por estar sempre com um nova namorada, todas pelo menos 30 anos mais jovens que ele. Por uma delas, inclusive, o advogado foi alvo de investigações da Polícia Federal. 

Em novembro de 2012, agentes da Polícia Federal apreenderam documentos e computadores na residência do dirigente, tudo porque ele resolveu investigar os passos da então namorada Carolina Galan e precisou prestar depoimento sobre o caso. A investigação revelou que Del Nero havia contratado uma empresa de detetives, especializada na quebra ilegal de sigilo telefônico, bancário e fiscal. À época, o jornal Folha de São Paulo revelou que ele pagou R$ 5 mil e R$ 3 mil pelos serviços de espionagem “apenas para conhecer melhor a namorada”. O relacionamento ainda durou mais dois anos após a polêmica. 

Carolina Galan, que continua como funcionária da FPF mesmo depois do fim do casamento, revelou em entrevista ao iG no ano passado que o casal sempre atraiu olhares. "Na verdade, desde o início existiram críticas, diferenças (das pessoas). Hoje eu até eu acabei assimilando e tratando como um relacionamento normal. Ele (Marco Polo Del Nero) é um homem do futebol, mas eu não tenho mais envolvimento com ele, não sou mais casada. Mas o tempo em que estive, não tive problema nenhum". 

O dirigente não esconde que é "namoradeiro", mas reforça que seu grande amor é a ex-esposa, Márcia, mãe de seus três filhos: Marco Filho, Carla e Vinícius.  “Acaba sendo chato sempre que falam de relacionamento e família. Sei que sou namoradeiro e as outras namoradas vão ficar bravas, mas a verdade é que o grande amor da minha vida foi minha primeira e única mulher, a Márcia. Ela me deu três filhos e foi a base da minha vida”, admitiu Del Nero em entrevista à revista Veja SP. 


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