Torcidas de Corinthians e Palmeiras promovem a homofobia em seus estádios, mas tema passa longe de campanha da FPF

Rogério Ceni é um dos alvos preferidos de gritos homofóbicos de rivais paulistas
Twitter/Reprodução
Rogério Ceni é um dos alvos preferidos de gritos homofóbicos de rivais paulistas

No dia em que mais uma campanha contra o racismo no futebol foi lançada , a luta contra outro tipo de preconceito não pareceu encantar tantos a Federação Paulista de Futebol. A homofobia, cada vez mais comum nos jogos de Corinthians e Palmeiras em seus estádios, ainda é vista como um tabu. Rogério Ceni, goleiro do São Paulo, ouviu o grito de "bicha" nas recentes visitas às arenas dos rivais. 

Para Jaime Franco, diretor de marketing da FPF, um dos idealizadores da campanha contra o racismo lançada nesta quinta-feira, tratar de homofobia é um tabu. Em conversa com jornalistas sobre o possível apoio da entidade a uma campanha contra a homofobia, ele tergiversou. "A federação sempre fez campanhas nesse sentido, como por exemplo pelo direito das mães de amamentarem em público", disse.

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"Mas e homofobia?", perguntou um repórter. "Somos contra qualquer tipo de preconceito. Vamos apoiar todas campanhas nesse sentido", comentou, mais uma vez sem se aprofundar. "Eu sou judeu. Conheço o preconceito. E a federação apoia a luta contra qualquer tipo de discriminação", disse, deixando claro que preferia não falar muito sobre homofobia. 

Coordenadora da Secretaria de Justiça com foco em políticas para a população negra e indígena, Elisa Lucas Rodrigues, foi responsável pela campanha contra o racismo promovida em conjunto entre FPF e governo paulista. Segundo ela, campanhas contra a homofobia também estão no alvo da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do governo do Estado. Nas primeiras conversas, diz Elias, apenas o presidente do Santos, Modesto Roma, teria se manifestado favorável ao engajamento dos clubes numa ação contra homofobia. 

Em 2014, o Corinthians fez uma campanha institucional contra o grito de "bicha"  que os seus torcedores do clube passaram a gritar no momento em que o goleiro rival cobra um tiro de meta. O clube poderia ser denunciado no STJD por conta do comportamento de seus torcedores. O caso não foi adiante. 

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