Federação paulista promove ação na reta final do Estadual que poderia ter mais força com a voz do maior jogador da história

Zé Maria e Wladimir ao lado de Alckmin em lançamento de campanha contra o racismo
Bruno Winckler/iG
Zé Maria e Wladimir ao lado de Alckmin em lançamento de campanha contra o racismo

A Federação Paulista em parceria com o governo do Estado promoveu na quinta-feira o lançamento de campanha contra o racismo  que ganhará os estádios das semifinais e finais do Paulistão 2015. Foram convidados ex-jogadores de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Entre os ex-santistas estavam Mengálvio e Lima, contemporâneos de Pelé, ausente no evento e também na luta contra o preconceito racial. 

Um dos ex-atletas convidados foi Wladimir, voz ativa na "Democracia Corinthiana". Para ele, Pelé poderia ter papel importante na conscientização das novas gerações contra atitudes racistas. "Com certeza um depoimento, uma postura mais efetiva do rei sem dúvida encontraria uma resistência maior da comunidade contra o racismo, não tenho dúvida", disse o ex-lateral-esquerdo do Corinthians nos anos 70 e 80. 

A agenda de Pelé é sempre colocada como desculpa para a dificuldade de tê-lo em eventos como o que aconteceu nesta quinta-feira no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Esta foi a justificativa dada por um dos organizadores do encontro chancelado por Geraldo Alckmin. 

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Ainda que o "Rei do Futebol" tivesse agenda livre para reencontrar velhos amigos na casa do governador de São Paulo, as suas declarações recentes sobre o racismo nos campos de futebol não sugerem que ele possa abraçar a campanha contra o preconceito.

Após ofensas racistas ao goleiro Aranha, então no Santos, em partida contra o Grêmio em Porto Alegre, pela Copa do Brasil de 2014, Pelé condenou a atitude do jogador. 

"O Aranha se precipitou. Se eu fosse querer parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo. Temos que coibir o racismo. Mas não é num lugar publico que você vai coibir. O Santos tinha Dorval, Coutinho, Pelé... todos negros. Éramos xingados de tudo quanto é nome. Não houve brigas porque não dávamos atenção. Quanto mais se falar, mais vai ter racismo", disse Pelé em evento numa favela do Rio.

Ronaldo logo rebateu durante a campanha presidencial de Aécio Neves.  "Todo mundo tem que ser contrário a qualquer ato de racismo. As pessoas têm que tomar consciência que é um sentimento muito antigo e atrasado. As pessoas têm que ser punidas pelos crimes que cometem", comentou.

Para Wladimir, por mais triste que seja não ter Pelé ao seu lado na luta contra o racismo, não cabe a ninguém cobrá-lo a tomar uma postura mais combativa em relação ao tema. 

"É muito difícil cobrar dele uma situação que não sentiu. Enquanto “rei” ele não sente discriminação em lugar nenhum do mundo", comentou o ex-corintiano.

Ex-companheiro entende Pelé
Mengálvio tem postura parecida a de seu parceiro de Santos nos anos 60. "Sou crioulo mesmo. Se me chamam de crioulo não ligo", comentou, durante o evento. "O que o Pelé quer dizer é que quem é racista deve ser ignorado, para perceber que o que ele fala não faz sentido. Se me chamam de macaco, orangotango, eu não dou bola. Ignorar o racista é uma arma também", disse. 

Ele, contudo, acredita que é importante que cada vez mais campanhas como a da FPF na reta final do Paulistão sejam lançadas. "O importante é amenizar o racismo, conscientizar os mais jovens para diminuir o preconceito", comentou. 

Coutinho, também ex-parceiro de Pelé, vai na mesma linha. Em maio de 2014, em entrevista ao iG , ele comentou os casos recentes de racismo no futebol. "Eu não dou a mínima para quem não gosta de negros, para quem fala isso ou faz aquilo. Eu ignoro, sempre ignorei. Quando jogava falavam um monte pra mim e eu não dava bola. Nunca dei. Eu faço o meu, vivo minha vida e se falam algo comigo, deixo falando sozinho. Se jogassem uma banana em mim eu comeria. Na verdade tudo isso é uma grande bobagem", disse.

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