Muricy usou problema de saúde como "subterfúgio", diz ex-dirigente do São Paulo

Por Bruno Winckler - iG São Paulo |

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Na opinião de Marco Aurélio Cunha, se equipe "estivesse voando", técnico não sairia. Problemas são tratáveis, pondera

Marco Aurélio Cunha apoiou Kalil Abdala nas eleições de 2014, mas saiu derrotado
Divulgação/Câmara de São Paulo
Marco Aurélio Cunha apoiou Kalil Abdala nas eleições de 2014, mas saiu derrotado

Marco Aurélio Cunha foi dirigente do São Paulo durante o tricampeonato brasileiro entre 2006 e 2008. Conhece bem Muricy Ramalho, técnico naquelas conquistas. Hoje, na oposição ao presidente Carlos Miguel Aidar, o conselheiro vitalício do clube do Morumbi vê a alegação de que Muricy deixou o comando do time na última segunda-feira para cuidar da saúde como um "subterfúgio". Para ele, o treinador se cansou do ambiente conturbado, das falsas declarações de Aidar e, por respeitar muito o São Paulo, preferiu sair. 

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"Se o time estivesse voando ele não sairia. A saúde é uma causa secundária. Quando as coisas vão bem, a saúde vai também. Tito Vilanova trabalhou com câncer no Barcelona. Mas teve todo mundo apoiando, tudo a favor. Teve de se afastar só quando a doença se agravou e ele infelizmente faleceu. Quer algo mais grave do que isso?”, comentou Cunha, atualmente em seu segundo mandato como vereador na capital paulista. 

Muricy Ramalho pede calma ao São Paulo em sua reestreia no comando do time, em 12 de setembro, diante da Ponte Preta. Foto: Futura PressMuricy Ramalho voltou ao comando do São Paulo em setembro e chegou ao CT da Barra Funda acompanhado pelo vice-presidente João Paulo de Jesus Lopes. Foto: Futura Press/Léo PinheiroMuricy Ramalho responde as perguntas dos jornalistas, durante a coletiva no CT da Barra Funda (10/9). Foto: Divulgação/São Paulo FCMuricy Ramalho demonstrou bom humor em sua primeira coletiva como novo técnico do São Paulo. Foto: Divulgação/São Paulo FCO técnico Muricy Ramalho sorri em sua apresentação como novo treinador do São Paulo. Foto: SERGIO BARZAGHI / Gazeta PressMuricy Ramalho volta a ser treinador do São Paulo após período sem time. Foto: Futura Press/Léo PinheiroMuricy Ramalho estava sem time desde que deixou o Santos, no final de maio deste ano. Foto: RENATO SILVESTRE/Gazeta PressMuricy Ramalho em treino do Santos na Vila Belmiro, em maio. Foto: Ricardo Saibun/Divulgação SantosMuricy Ramalho comanda o Santos na semifinal do Campeonato Paulista deste ano. Foto: Ricardo Saibun/ Gazeta PressO preparador físico Ricardo Rosa e o técnico Muricy Ramalho conversam durante treinamento no CT Rei Pelé, em abril de 2013. Foto: Flickr/Santos F.C.Muricy Ramalho deixou o comando do Santos no dia 31 de maio. Foto: Gazeta PressNesta temporada, Muricy Ramalho buscava o tetra do Paulista com o Santos, mas perdeu para o Corinthians na final. Foto: Futura PressNeymar joga ovo e água em Muricy Ramalho no seu aniversário, em novembro de 2012. Foto: Gazeta PressTécnico Muricy Ramalho dá coletiva ao lado da taça da Recopa Sul-Americana, seu 4° título pelo Santos. Foto: Francisco De LaurentiisMuricy Ramalho ganhou um carro como prêmio pela conquista da Copa Libertadores da América 2011. Foto: DivulgaçãoMuricy Ramalho comandou o Fluminense entre 2010 e 2011, antes de assumir o Santos. Foto: PhotocameraTécnico durante o período à frente do Fluminense. Foto: Gazeta PressTreinador chegou ao time carioca em 2010. Foto: PhotocameraCelso Barros participa da apresentação de todos grandes nomes que chegam ao Flu, como com Muricy Ramalho em 2010. Foto: PhotocameraSão Paulo também faz parte do currículo do treinador. Foto: VipcommRogério Ceni ao lado de Muricy Ramalho em 1996. Foto: Gazeta Press

"Na minha opinião isso é apenas um subterfúgio. O que esgotou foi a paciência, a sensação de que não está sendo querido pelos jogadores, ou por alguns que ele tanto defendeu, e até os dirigentes. Uma coisa é o discurso para fora, aquela solidariedade institucional. Outra a coisa é o fato de estar ali convivendo, brigando, tomando a frente dos problemas", comentou. 

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"Ele (Muricy) tem uma história muito grande pelo São Paulo e não quer manchá-la, então ele se submeteu ao clube, à instituição, sem reclamar, e preferiu sair com o discurso de que estava doente", disse o vereador.

Publicamente, Aidar apoiava Muricy. O mesmo não acontecia nos bastidores, diz ex-dirigente
Arquivo iG
Publicamente, Aidar apoiava Muricy. O mesmo não acontecia nos bastidores, diz ex-dirigente

Durante o processo de "fritura" que sofreu no São Paulo, Muricy disse em entrevista coletiva que conhece muito bem o clube e, por isso, sabe de tudo o que acontece nos bastidores. Ele frequenta o Morumbi desde 1964, jogou no clube nos anos 70 e encerrou nesta semana o seu terceiro período como treinador do time principal. 

"O presidente (Aidar) bancava institucionalmente, mas na hora de bancar o serviço de fato, talvez não", diz Cunha. "O que desagrega num clube de futebol é a frequência das informações negativas. Vem a chamada cornetagem. Sempre tem um dizendo que tem que tirar, porque já deu, isso e aquilo e o ambiente vai se contaminando com isso", avalia. 

"O Muricy é um treinador que tem relações com todo mundo no São Paulo. Ele é um personagem do São Paulo, não é só mais um treinador de futebol. Ele recebe as informações. 'Ah, falaram isso de você'. Ele ouvia isso de pessoas que ele conhecia e seguramente ouviu coisas que não gostou. E fica atualizado com as notícias verdadeiras, não as institucionais", completou.

Também médico, Cunha também avalia que o técnico poderia tratar seus problemas de saúde no cargo, como em outros tempos. "Ele (Muricy) já esteve doente quando estava no São Paulo, já esteve afastado e retornou sem dificuldade. Uma diverticulite, pedra na vesícula, tudo isso é tratável", disse. 

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