Na opinião de Marco Aurélio Cunha, se equipe "estivesse voando", técnico não sairia. Problemas são tratáveis, pondera

Marco Aurélio Cunha apoiou Kalil Abdala nas eleições de 2014, mas saiu derrotado
Divulgação/Câmara de São Paulo
Marco Aurélio Cunha apoiou Kalil Abdala nas eleições de 2014, mas saiu derrotado

Marco Aurélio Cunha foi dirigente do São Paulo  durante o tricampeonato brasileiro entre 2006 e 2008. Conhece bem Muricy Ramalho, técnico naquelas conquistas. Hoje, na oposição ao presidente Carlos Miguel Aidar, o conselheiro vitalício do clube do Morumbi vê a alegação de que Muricy deixou o comando do time na última segunda-feira para cuidar da saúde como um "subterfúgio". Para ele, o treinador se cansou do ambiente conturbado, das falsas declarações de Aidar e, por respeitar muito o São Paulo, preferiu sair. 

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"Se o time estivesse voando ele não sairia. A saúde é uma causa secundária. Quando as coisas vão bem, a saúde vai também. Tito Vilanova trabalhou com câncer no Barcelona. Mas teve todo mundo apoiando, tudo a favor. Teve de se afastar só quando a doença se agravou e ele infelizmente faleceu. Quer algo mais grave do que isso?”, comentou Cunha, atualmente em seu segundo mandato como vereador na capital paulista. 

"Na minha opinião isso é apenas um subterfúgio. O que esgotou foi a paciência, a sensação de que não está sendo querido pelos jogadores, ou por alguns que ele tanto defendeu, e até os dirigentes. Uma coisa é o discurso para fora, aquela solidariedade institucional. Outra a coisa é o fato de estar ali convivendo, brigando, tomando a frente dos problemas", comentou. 

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"Ele (Muricy) tem uma história muito grande pelo São Paulo e não quer manchá-la, então ele se submeteu ao clube, à instituição, sem reclamar, e preferiu sair com o discurso de que estava doente", disse o vereador.

Publicamente, Aidar apoiava Muricy. O mesmo não acontecia nos bastidores, diz ex-dirigente
Arquivo iG
Publicamente, Aidar apoiava Muricy. O mesmo não acontecia nos bastidores, diz ex-dirigente

Durante o processo de "fritura" que sofreu no São Paulo, Muricy disse em entrevista coletiva que conhece muito bem o clube e, por isso, sabe de tudo o que acontece nos bastidores. Ele frequenta o Morumbi desde 1964, jogou no clube nos anos 70 e encerrou nesta semana o seu terceiro período como treinador do time principal. 

"O presidente (Aidar) bancava institucionalmente, mas na hora de bancar o serviço de fato, talvez não", diz Cunha. "O que desagrega num clube de futebol é a frequência das informações negativas. Vem a chamada cornetagem. Sempre tem um dizendo que tem que tirar, porque já deu, isso e aquilo e o ambiente vai se contaminando com isso", avalia. 

"O Muricy é um treinador que tem relações com todo mundo no São Paulo. Ele é um personagem do São Paulo, não é só mais um treinador de futebol. Ele recebe as informações. 'Ah, falaram isso de você'. Ele ouvia isso de pessoas que ele conhecia e seguramente ouviu coisas que não gostou. E fica atualizado com as notícias verdadeiras, não as institucionais", completou.

Também médico, Cunha também avalia que o técnico poderia tratar seus problemas de saúde no cargo, como em outros tempos. "Ele (Muricy) já esteve doente quando estava no São Paulo, já esteve afastado e retornou sem dificuldade. Uma diverticulite, pedra na vesícula, tudo isso é tratável", disse. 

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