Dagoberto Santos, CEO do clube, revelou em entrevista exclusiva que interesse é equilibrar o caixa. Apesar da política pés no chão, dirigente admite necessidade de reforçar o elenco para a disputa do Campeonato Brasileiro

Com um déficit de mais de R$ 42 milhões somente em 2014 (valor atualizado até setembro - mês do último balanço divulgado pelo clube), o Santos vive uma realidade bem diferente a de um clube grande. Com orçamento mais enxuto e longe de contratações estratosféricas, o clube não esconde ter como prioridade a reestruturação das finanças. Em entrevista exclusiva ao iG , o CEO Dagoberto Fernando dos Santos analisa o atual momento, fala em economia de R$ 2 milhões mensais e revela surpresa da diretoria ao assumir a administração no fim do ano passado. Segundo ele, não é tempo de “montar um time altamente competitivo”.

Leia também:  Sem clima no São Paulo, Ganso pode voltar por intermédio do grupo DIS

Dagoberto Fernando dos Santos, CEO do Santos FC
Divulgação
Dagoberto Fernando dos Santos, CEO do Santos FC

Modesto Roma Júnior assumiu a presidência do Santos no fim do ano passado, após uma campanha eleitoral conturbada. Logo no primeiro dia de mandato, ele precisou contornar os atrasos salariais e processos trabalhistas na justiça. Um buraco que a diretoria nem pensava enfrentar tão cedo. “Era uma situação muito difícil. Eu já tinha mais ou menos uma análise daquilo que era o Santos feito com base nas informações que estavam disponíveis no site do Santos, balanço, orçamento e tudo mais. Mas nos deparamos com uma situação muito mais difícil do que imaginávamos, do que aquela análise preliminar”, afirmou Dagoberto.

Santos agenda reunião para renovar contrato de Ricardo Oliveira

De acordo com o executivo, o clube conseguiu reduzir a folha salarial em R$ 2 milhões por mês e apostou na “credibilidade” para montar o elenco que disputa o Campeonato Paulista e está classificado para a fase do mata-mata. “Prevaleceu muito a credibilidade que os atletas têm nessa nova gestão. Mais do que a credibilidade da marca do Santos, também é importante a credibilidade dos profissionais que respondem pela gestão do clube. Vários atletas que aqui estavam, nós já conhecíamos e eles já nos conhecia também. Isso ajudou bastante”.

Marcelo Fernandes projeta reforços para o Brasileiro: “Diretoria não dorme"

As contratações de Ricardo Oliveira e Elano são exemplos da conduta da nova diretoria. A intenção é buscar atletas que tenham identificação com a história do Santos e não comprometam o caixa. A dupla, por exemplo, chegou sem nenhum custo porque não tinha vínculo em vigência com outra equipe. “A política da nova diretoria é não gastar mais do que arrecada. Temos de pensar que esse ano é um ano de saneamento, não é um ano de montar um time altamente competitivo. É claro que dependemos dos resultados em campo, mas não podemos esquecer do caixa. Não podemos fazer loucuras e sair contratando jogador com salários abusivos, sem ter condições no fim do mês de honrar com os compromissos”, completou o diretor.

Apesar de elogiar o clima descontraído hoje no CT Rei Pelé e a aproximação do elenco e diretoria, Dagoberto reconhece que o Santos ainda tem problemas para honrar os direitos de imagem, que estão atrasados desde agosto do ano passado. “Vamos quitar esses vencimentos buscando recursos no mercado. Não tem jeito. Nós já fizemos isso em relação aos salários e no primeiro mês conseguimos pagar cinco salários, que é uma coisa despropositada. E vamos fazer a mesma coisa em relação à imagem. Os salários estão absolutamente em dia, tem algumas pendências em relação à imagem sim, mas que vamos equacionar. Houve um descasamento que estava previsto, mas vamos resolver no menor prazo possível”.

Para tentar equacionar essa pendência, o Santos selou um acordo com a Voxx, fabricante de suplementos alimentares, que passou desde o início deste mês a estampar a sua marca no ombro dos uniformes. Mesmo com o novo recurso, porém, o Santos não sabe precisar aos atletas quando conseguirá pagar o que deve. “Não temos de passar isso (data) para o elenco. O elenco sabe da nossa responsabilidade e que somos cumpridores dos nossos compromissos. Isso está muito claro, foi assim desde o início. Nós provamos que honramos com aquilo que nós falamos. Vamos regularizar. Tenho certeza que o grupo está tranquilo em relação a isso”, rebateu Dagoberto.

Nesta semana, o clube anunciou a contratação de Paulo César Verardi como o novo diretor executivo de marketing e deve ampliar a busca por um patrocinador máster, já que está sem este tipo de receita desde a saída da Huawei. A outra prioridade será alavancar o programa de sócio-torcedor, o Sócio Rei, que está estagnado em 57.668 mil adeptos e possui uma alta taxa de inadimplência.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.