Duelo em Volta Redonda não vale apenas um lugar na semi do Estadual do Rio. Em pé de guerra com a Ferj, Flu precisa vencer o Tricolor Suburbano, modesto mas poderoso politicamente

Por ironia do destino, o jogo mais importante da última rodada da primeira fase do Campeonato Carioca  reúne as duas equipes que duelam diretamente pela vaga que ainda resta nas semifinais. Mas o que está em jogo neste Madureira x Fluminense , marcado para as 22h, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, pode transcender a briga pelo título estadual. De um lado está o modesto, porém poderoso politicamente, clube do subúrbio, com o mesmo comandante há mais de duas décadas. Do outro, está o Flu, que se uniu com o rival Flamengo em sua guerra contra a federação local.

Elias Duba, presidente do Madureira
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Elias Duba, presidente do Madureira

Antes mesmo de a bola rolar, uma peça importante deste duelo já entrou em campo: Elias Duba, presidente do Madureira desde 1992 e reeleito até 2017. O empresário de 65 anos é aliado de Rubens Lopes, que comanda a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), e amigo de Eurico Miranda, mandatário do Vasco , seu time do coração. Adepto das declarações polêmicas, ele aproveitou o protesto feito por jogadores de Flamengo e Fluminense  e a revolta do atacante Fred, que pediu o fim do Campeonato Carioca após ser expulso no clássico do último domingo, para alinhar seu discurso com os parceiros políticos e provocar o adversário pela vaga direta nas semifinais.

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"Pouco me importa o que ele (Fred) diz. Continuo achando o Carioca um campeonato muito charmoso", disse Duba, para depois provocar o jogador do Flu. "A opinião do Fred não me importa muito, acho que ele já acabou como jogador. Nesta linha de pensamento, ele deve achar que a Copa do Mundo também deveria acabar, já que foi lá e não participou dela." Na semana passada, quando os dissidentes da Ferj cogitaram fundar uma liga independente no Rio de Janeiro, Elias Duba chamou o Flu de "clube falido".

Quarto colocado no Carioca, com 30 pontos, o Madureira se garante nas semifinais com um empate em Volta Redonda. A disputa com um rival direto da Ferj (o Flu tem 28 pontos) pode pairar sobre a atuação de Péricles Bassols, árbitro escalado para o duelo, o ar da dúvida sobre qualquer marcação que possa beneficiar o Tricolor Suburbano. Colocar a arbitragem em xeque, após ser expulso no Fla-Flu, foi um dos motivos que levaram Fred a criticar a Ferj no último domingo.

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A desavença que rachou o futebol carioca começou em janeiro, quando a Ferj aprovou, após votação com os filiados, desconto nos ingressos para o Campeonato Carioca. Fla e Flu, que mantêm programas de sócios-torcedores, além de um acordo com o Consórcio Maracanã para mando de jogos, se posicionaram contrários - a decisão foi revogada em fevereiro, após a intervenção do Governo do Estado do Rio, por meio da Secretaria da Casa Civil. Mas o acordo não significou trégua. Com uma série de notas oficiais, clubes e entidade trocaram acusações, com ameaças de fundação de uma liga independente.

Até o Tribunal de Justiça Desportiva entrou na briga, com punições a Vanderlei Luxemburgo, técnico do Flamengo, e denúncia contra Peter Siemsen, presidente do Fluminense, por causa das críticas diretas à Ferj.

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