Fã de ovo mexido, mimado e amigo: o Galvão Bueno que você não vê na televisão

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Amigos elogiam a lealdade do narrador da TV Globo e conta histórias curiosas em mais de 40 anos de carreira. Quando criança, ele fez a mãe abandonar a carreira de atriz

Galvão Bueno ao lado de Casagrande, Ronaldo e Arnaldo
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Galvão Bueno ao lado de Casagrande, Ronaldo e Arnaldo

"Haja coração", "Sai que é sua, Taffarel" e "É tetra". Impossível não conhecer o autor desses bordões, não é? Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno, ou simplesmente Galvão Bueno, se tornou um dos principais narradores esportivos do país graças a sua autenticidade e criatividade durante as transmissões de futebol, basquete, vôlei e até UFC. Mas o que poucos sabem é que, quando as câmeras desligam e o microfone se torna inaudível, ele assume suas diversas facetas. Sai de cena o locutor número um da TV Globo e entra o filho carinhoso, o pai coruja e o amigo de todas horas.

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É desta maneira que Galvão Bueno é descrito por familiares e amigos. Filho de Mildred dos Santos e do redator Aldo Viana Galvão Bueno, o narrador se tornou um dos maiores contadores de história da televisão brasileira ao participar de grandes coberturas esportivas de diferentes modalidades. Como ele gosta de dizer, se tornou o "jornalista que trabalha com a verdade dos fatos, um contador de histórias e vendedor de emoções”.

Emoção que ainda está a flor da pele quando se refere a mãe Mildred dos Santos, de 86 anos. Ela abandonou a carreira de atriz em radionovelas para se dedicar ao filho, que aos sete anos de idade reclamou da distância entre eles. Mildred, em nenhum momento, se arrepende da decisão. "Eu fazia muitas novelas à época e parei. Foi a melhor coisa da minha vida. Eu tenho orgulho disso e agradeço porque foi a coisa mais importante", disse ela em depoimento exclusivo ao iG.

A mãe ainda conta que Galvão sempre foi uma criança muito comportada, alegre e apegada a ela. Gostava de brincar de comentar os jogos e praticou esportes durante a infância e adolescência. Arriscou-se no vôlei, futebol, handebol e natação para, enfim, se encontrar no jornalismo esportivo em 1974. Sete anos depois, foi para a TV Globo e se consagrou.

"Eu sempre criei os meus bordões na hora. Por fazer transmissões em outros países, eu fazia confusão com os horários e errei várias vezes. Então, comecei a usar 'Bem amigos da Rede Globo' e isso virou um programa que está há 12 anos no ar. O 'sai que é sua, Taffarel', é que dava desespero ele não sair do gol. Eu queria dizer, 'p...que pariu, sai do gol Taffarel', mas não podia falar e saiu assim", garante o narrador.

Galvão Bueno e a mulher, Desiré
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Galvão Bueno e a mulher, Desiré

Amigo de todas as horas

O comentarista Walter Casagrande sabe bem o que é ser amigo de Galvão Bueno. Muito além da parceria de longa data nas transmissões, foi de Galvão que o ex-jogador recebeu forças para se livrar do vício em cocaína e heroína.

"Eu tenho um carinho enorme pelo Galvão. Uma pessoa divertida, companheira, carinhosa que no momento de dificuldade demonstrou gostar de mim. Mesmo quando eu estava abatido, no meio da crise, sem controle, ele atendia aos meus telefonemas e sempre quis ficar ao meu lado", contou Casagrande à reportagem.

Outro companheiro de trabalho, o jornalista Cleber Machado elogia o profissionalismo do amigo e entrega um episódio engraçado durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. "Ele brigou com o Oliveira Andrade, que era o nosso outro narrador. Eles brigaram, bateram boca e, no fim da noite, o Galvão foi para o apartamento onde nós estávamos e terminou a noite fazendo um mexididinho de ovo com salsicha".

"Cala boca, Galvão"

Galvão Bueno poderia ter encarado o “Cala boca, Galvão", expressão criada pelos torcedores na Copa de 2010, na África do Sul, como uma ofensa. Mas, apesar do susto inicial, entrou na brincadeira e tirou onda durante aparições ao lado do jornalista e apresentador Tiago Leifert.

"O 'Cala boca, Galvão' foi o maior barato. A brincadeira surgiu durante uma transmissão, mas depois o Tiago (Leifert) confessou que foi ele. Poderia ter sido terrível, mas decidimos encarar na brincadeira e deu até origem ao nome do meu livro ("Fala, Galvão")", lembrou.

Leifert nega a invenção, mas revela a estratégia para driblar com bom humor a crítica. "Na verdade a campanha foi criada por algum humorista que eu não sei quem foi. Mas a gente aproveitou para pegar a piada e levar no espírito esportivo, que é como deve ser levada sempre. O Galvão super topou isso aí, confiou em nós, no Central da Copa, na edição e acho que valeu a pena. Ele colocou no próprio livro dele e todos (da produção) ficaram muito felizes em fazer parte de um capítulo da obra", contou ao iG.

O apresentador do Globo Esporte enaltece o companheiro de trabalho e a importância dele para a nova geração. "Não existe ninguém igual ao Galvão. O Galvão é o melhor no que ele faz, é o melhor de todos os tempos, é o melhor da história da locução esportiva. Ele exige dele também para ser o melhor, exige o máximo de você, exige o máximo dos repórteres e equipe de áudio e faz com que todos a volta dele cresçam. Quando ele não está trabalhando, gosta demais de conversar, sair para jantar e é muito fiel. Quem é do do time do Galvão, é do time do Galvão e acabou".

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