Em guerra com Flamengo e Fluminense, federação diz que time das Laranjeiras não participa mais de reuniões arbitrais

A semana que começou com o presidente do Fluminense , Peter Siemsen, dizendo que o Campeonato Carioca  é um torneio de "cartas marcadas", termina com a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), divulgando uma nota cheia de vocábulos raros para informar que o Fluminense não participa mais das reuniões arbitrais da entidade. 

A Ferj cobra dívida de R$ 400 mil do Fluminense. O clube alega que não pode pagar. A cobrança da taxa de 10% sobre a renda de todos os jogos do Carioca é motivo de avença entre o Fluminense e o Flamengo, que juntos, tentam combater a federação.

"Daí R$ 200 mil são de prejuízos causados pelos 10% cobrados pela Ferj. Só o quadro móvel custa R$ 20 mil. Como você opera um jogo se a cada hora o torcedor acha que vai mudar para outro lugar? Quando colocam um jogo nosso em Volta Redonda, em cima da hora, isso nos causa prejuízo. Ele (Rubens Lopes, presidente da Ferj) intervém, mas não está preocupado com o resultado líquido do jogo, ele só quer pegar o dinheiro", disse Siemsen, na quinta-feira.

Rubens Lopes, presidente da Ferj, abriu guerra contra o Fluminense em nota oficial
Úrsula Nery/Agência FERJ
Rubens Lopes, presidente da Ferj, abriu guerra contra o Fluminense em nota oficial

Nesta sexta, a nota da Ferj disse que não senta mais com o Fluminense para "debater o futebol carioca" enquanto Siemsen não "abandonar as sombras e os porões". 

"Não mais convidaremos o presidente do Fluminense para um debate sobre o futebol do Estado do Rio de Janeiro, mas o desafiamos para que abandone as sombras e os porões, deixe de lado os espetáculos de pirotecnia, saia do escudo da mídia e compareça perante os demais filiados para que apresente e defenda seu ponto de vista, projetos, prove e justifique suas críticas, já que nunca teve a coragem de fazê-lo, durante todo o tempo de seu mandato", diz a nota. 

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O Campeonato Carioca é deficitário e gera prejuízo a todos seus clubes. A imposição de um teto para o preço dos ingressos não agradou o Fluminense e o Flamengo, que possuem um contrato particular com o Maracanã, onde praticam os valores que lhes convém. Por conta disso, a Ferj ameaçou tirar o principal estádio do Brasil do Carioca. 

Em nota, o Maracanã também entrou na discussão. "O contrato da Concessionária com o Governo do Estado do Rio de Janeiro estabelece que os contratos para utilização do estádio sejam firmados diretamente com os clubes. Desta forma, o Maracanã não tem motivos para firmar qualquer tipo de contrato ou convênio com a FFERJ. Entendemos que eventual decisão de retirar, de forma injustificada, jogos do Maracanã, antes de nos atingir, prejudica a imagem do futebol carioca e pune a sua principal razão de ser: o torcedor", disse a concessionária em nota conjunta com Flamengo e Fluminense.

Leia (e tente entender) a nota da Ferj contra o presidente do Fluminense

"Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos" (Pv 6.16-19).

O Presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, em seu nome, em nome da Federação e em nome de todos os filiados que tem sido atingidos pelas aleivosias do Presidente do Fluminense, vem a público manifestar seu repudio à suas declarações eivadas de catatimia, demonstrativas de elevado apreço à mitomania, revestidas de relevante turpitude, indutoras ao uso de anti-eméticos, carregadas de sementes de discórdia, ofensivas a todos os coirmãos e fomentadoras da desagregação.

A falta de conteúdo pode justificar a falta de coragem e a permanente ausência, mas não podemos acreditar que sejam causadoras de manifestas crises de alucinação moral.

Por fim não mais convidaremos o Presidente do Fluminense para um debate sobre o futebol do Estado do Rio de Janeiro, mas o desafiamos para que abandone as sombras e os porões, deixe de lado os espetáculos de pirotecnia, saia do escudo da mídia e compareça perante os demais filiados para que apresente e defenda seu ponto de vista, projetos, prove e justifique suas críticas, já que NUNCA teve a coragem de fazê-lo, durante todo o tempo de seu mandato.


Rio de Janeiro, 20 de março de 2015

Rubens Lopes da Costa Filho

Presidente

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