Cheio de jogos que dão prejuízo, Carioca tem no Flamengo x Vasco um raro alento

Por Bruno Winckler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Clássico deste domingo é um dos poucos jogos que geram receita razoável aos clubes. Só a Federação não reclama

O Campeonato Carioca reúne as maiores discrepâncias entre os valores que os clubes arrecadam por partida e quanto a Ferj (Federação Estadual do Rio de Janeiro) embolsa por chancelar a competição. Só os clássicos, como o deste domingo entre Flamengo e Vasco, no Maracanã, dão algum alento num cenário em que a entidade lucra em cima dos filiados sem qualquer contrapartida. Mais de 35 mil ingressos foram vendidos até esta sexta-feira.

Flamengo e Vasco já se enfrentaram este ano, em Manaus, por torneio amistoso
Edmar Barros/Futura Press
Flamengo e Vasco já se enfrentaram este ano, em Manaus, por torneio amistoso

Até a oitava rodada (com dados da própria Ferj), 70% das 64 partidas resultaram em prejuízo para o time mandante. E os clássicos diminuem um pouco essa conta, ainda que com muito dinheiro para a Ferj. No Flamengo x Botafogo, pela sétima rodada, no Maracanã, a renda foi de R$ 2 milhões. Descontados os gastos operacionais, o Botafogo embolsou R$ 260 mil, o Flamengo ficou com R$ 246 mil e a Ferj abocanhou R$ 210 mil.

A decisão de reduzir o preço dos ingressos à revelia dos clubes colabora para a queda da arrecadação. A Ferj se apoia nas médias de público para defender a medida. O valor máximo dos ingressos é de R$ 20, mas Flamengo e Fluminense conseguiram barrar a decisão. Para a Ferj, a média de público de pouco mais de 4 mil pagantes por jogo é satisfatória.

A condição da Ferj de principal beneficiária pela existência do Campeonato Carioca não é de hoje. De acordo com reportagem do jornal "O Globo", a Ferj faturou R$ 2,32 milhões com arrecadação de bilheteria em 2014, valor superior ao recebido pelos quatro grandes clubes do Estado: Flamengo (R$ 1,22 milhão), Vasco (R$ 614 mil) e Fluminense (R$ 363 mil) lucraram. Já o Botafogo ficou deficitário em R$ 486 mil. Para mascarar os prejuízos de 2014, a Ferj chegou a publicar nos borderôs dos jogos o valor referente às cotas de TV de cada partida.

Nas oito primeiras rodadas de 2015 a Ferj embolsou R$ 744 mil. A entidade cobra 10% sobre a receita bruta de todos os jogos. O valor é mais que o dobro arrecadado pelo Flamengo (R$ 354 mil) e pelo Botafogo (R$ 333 mil), que apresentam este números graças ao clássico entre eles. Já Fluminense e Vasco acumularam prejuízo nestas oito primeiras rodadas: R$ 7 mil para o Flu e R$ 48 mil para o Vasco. 

Palmeiras e Corinthians têm boas rendas no Paulistão. Contraponto ao Carioca 2015
Marcos Bezerra/Futura Press
Palmeiras e Corinthians têm boas rendas no Paulistão. Contraponto ao Carioca 2015

No Paulistão, grandes lucram mais
Corinthians e Palmeiras são ponto fora da curva no que se refere a arrecadação com bilheteria em jogos de campeonatos estaduais. No Paulistão, os dois clubes não precisam se preocupar com o valor dos ingressos cobrados e têm conseguido manter altas médias de arrecadação. 

Em seis jogos, o Palmeiras arrecadou em média, R$ 2,07 milhões nos jogos no Allianz Parque. O Corinthians, que mandou cinco jogos em Itaquera, arrecadou em média R$ 1,07 milhão por jogo. Apesar da boa renda, os clubes paulistas também precisam deixar a taxa da federação. Porém, em São Paulo, ela é de 5% da renda bruta, não 10%, como no Rio. 

Em Minas Gerais, Atlético-MG e Cruzeiro também precisam deixar porcentagem para a federação. São 10% como no Rio. Nos boletins financeiros disponíveis no site da federação mineira (até a 5ª rodada), a arrecadação dos dois grandes é irrisória.

O Cruzeiro, em seus dois primeiros jogos no Mineirão, teve renda líquida de R$ 607.394,62, média de R$ 303,6 mil. O Atlético-MG, em três jogos no Independência, arrecadou R$ 442,5 mil, média de R$ 147,5 mil. O clássico entre os dois times, no dia 10, teve renda bruta de R$ 1.368.285,00 (o borderô com detalhes das despesas ainda não foi publicado pela federação). De qualquer forma, o número confirma que só os clássicos salvam financeiramente os estaduais para os grandes clubes.

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