Novos tempos! Como o Palmeiras virou o jogo e agora tem a camisa mais valiosa?

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Com R$ 50 milhões em patrocínios na camisa, clube tem o novo estádio, o Allianz Parque, como chamariz para empresas. Especialistas em marketing esportivo explicam o caminho

Foguetório na entrada dos times no Allianz Parque
Friedemann Vogel/Getty Images
Foguetório na entrada dos times no Allianz Parque

Caso concretize a parceria com a Fam (Faculdade das Américas), o Palmeiras se tornará o clube com a camisa mais valiosa do futebol brasileiro. Com a arrecadação proveniente de patrocinadores próxima a R$ 50 milhões, o Verdão abre vantagem contra os rivais e retoma o prestígio no mercado empurrado pela inauguração de seu novo estádio, o Allianz Parque. Em entrevista ao iG, especialistas em marketing apontam os atrativos e revelam os caminhos que têm seduzido os investidores.

Leia também: Com má reputação e planejamento ruim, clubes perdem moral com patrocinadores

A reviravolta econômica do Palmeiras começou há 42 dias, quando o clube anunciou o acordo de R$ 23 milhões anuais com a Crefisa, empresa de crédito consignado, depois de quase dois anos sem receita de patrocinador máster. Quatro dias depois, voltou a público para confirmar a parceria com a Prevent Senior, por R$ 5 milhões. A diretoria agora trabalha para fechar os últimos detalhes com a Fam, instituição de ensino que está disposta a desembolsar cerca de R$ 19 milhões para estampar sua marca em um dos ombros e mangas do uniforme.

Estaduais pagam pouco a campeões e não dão retorno esportivo em contrapartida

Para Anderson Gurgel, autor do livro “Futebol S/A – A Economia em campo” e professor da universidade Mackenzie, diversos fatores contribuíram para a ascensão alviverde, mas o Allianz Parque tem grande parcela de participação. “Uma boa gestão passa com uma estratégia de gestão integrada, e o Palmeiras tem conseguido fazer isso. A localização do estádio, a beleza e eficiência dele contribuem para uma gestão do clube. O fato novo neste Palmeiras está no extracampo, na visibilidade. Hoje existem interesses, além do futebol, em utilizar a nova arena. Ela é um templo esportivo. O Palmeiras hoje não restringe sua fonte em receita na camisa”, argumentou.

Afinal, segurança dos estádios é dever dos órgãos públicos ou dos clubes?

Palmeiras contratou tanto no início da temporada que teve gente que ainda nem estreou
Marcos Bezerra/Futura Press
Palmeiras contratou tanto no início da temporada que teve gente que ainda nem estreou

A inauguração do novo estádio, no fim do ano passado, alavancou o faturamento do Palmeiras – que estava sem a sua casa desde 2010 – e abriu novas oportunidades de negócio. Somente em 2015, o clube ganhou R$ 9.780.824,00, uma média de R$ 1.956.165,00 por jogo, mais do que três campeonatos estaduais do país: Carioca, Gaúcho e Mineiro.  E o mais surpreendente é que, embora tenha um ticket médio considerado caro (R$ 76,30), a equipe soma 60% em taxa de ocupação no Allianz Parque.

Além de ressaltar a importância da Arena, Virgílio Franceschi Neto, mestre em Gestão do Desporto pela Universidade Técnica de Lisboa, destaca o processo de profissionalização como fator decisivo. “O estádio está em evidência e esse é um dos principais fatores para isso acontecer. É importante colocar também que o fato de ter trazido um diretor executivo de futebol bicampeão brasileiro (leia-se Alexandre Mattos) deu bagagem para o Palmeiras. As coisas têm andado rapidamente. O clube investiu em tecnologias com o futebol profissional e isso acarreta em jogos mais bonitos, resultados e, consequentemente, mais retorno financeiro.”

O presidente Paulo Nobre, empresário do ramo financeiro, também é, segundo os especialistas, quem abriu os olhos dos investidores por conta do seu perfil de gestor e política pés no chão. “O presidente hoje está mais para um gestor do que um cartola. Ele está preocupado com a marca e o retorno em longo prazo, e não com a politicagem esportiva que existe hoje dentro dos clubes. Assim, começam a aparecer interesse das empresas em associar ao seu nome a uma equipe com uma boa imagem. Os salários não são atrasados, o clube mantém suas contas em dia e não faz nenhuma loucura para contratar jogadores. Isso tudo faz com que os empresários depositem confiança”, declarou Maurício Fragata, pós-graduado em Marketing pela ESPM, especialista em Administração Esportiva pela FGV e MBA em Marketing pela FEA-USP.

Apesar do início animador, a preocupação dos executivos da área é saber se o Palmeiras conseguirá manter os bons números e as cifras nos próximos anos. “O estádio é o mais moderno do país e dá um ânimo para o próprio time. Mas mantê-lo sempre cheio, não só como agora que é uma fase de euforia, é manter o programa de sócio-torcedor atrativo. É fazer com que o torcedor tenha interesse de frequentar o estádio e apresentar vantagens a ele”, completou Fragata.

“Existe um risco pela inauguração recente do estádio. No futebol existem altos e baixos, e em uma eventual fase ruim pode ser que o torcedor não acompanhe. A frequência da torcida vai proporcionar maior investimento no futebol, que por sua vez conquistará resultados. O que o torcedor e a cultura esportiva brasileira têm de colocar em mente é que é um trabalho em longo prazo.  É hora de cativar o público em bons e maus momentos”, argumentou Virgílio Neto.

Atualmente o Palmeiras é o segundo clube do país com maior número de sócios-torcedores (quase 99.500, atrás do Internacional), que rendem aos cofres mais de R$ 2 milhões por mês. A expectiva é que se número aumente e chegue a R$ 40 milhões.

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