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Ao contrário do que projetado quando assumiu após Copa do Mundo, técnico chama apenas dois atletas abaixo dos 23 anos

Dunga e Marin em coletiva de imprensa antes de amistosos contra França e Chile
Bruno Domingos/Mowa Press
Dunga e Marin em coletiva de imprensa antes de amistosos contra França e Chile

Dunga confirmou na convocação da seleção brasileira para os amistosos contra França e Chile, no final de março, que tem bem clara a base do time que pretende levar para a Copa América, em junho, e também para o início das eliminatórias para o Mundial da Rússia, que começam já em 2018. E nesse plano, jogadores com idade olímpica ainda não estão nos planos, ao contrário do sinalizado quando assumiu o cargo, em agosto de 2014.

Na ocasião, Dunga e Alexandre Gallo, então coordenador das seleções de base , prometeram que haveria uma maior aproximação dos times de base ao principal. O vexame do time sub-20 no último Sul-Americano, quando terminou em quarto, afastou a CBF dessa ideia. Assim, dos 23 convocados para os jogos dos dias 26 e 29 de março, apenas dois tem idade olímpica (menos de 23 anos): Marquinhos, de 21, do PSG, e Fabinho, de 22, do Monaco. Só os dois podem defender o Brasil no Rio em 2016.

"Fizemos essa convocação baseada no que observamos até o momento. A questão de início de pré-temporada no Brasil, outros clubes que jogam campeonatos europeus, em cima de mesclar jovens com jogadores experientes. Mas nesse momento nada é definitivo, porque teremos dois amistosos, Copa América e a eliminatória. Os jogadores que não estão nessa lista não devem se sentir excluídos", disse Dunga. 

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Certo é que o técnico deixa bem claro o que já sinalizava quando reassumiu a seleção. Resultados são importantes e são eles que vão desenhar o caminho a ser seguido. Com 100% de aproveitamento nos seis amistosos feitos em 2014, o técnico manteve a base dos convocados em sua quarta lista desde que reassumiu a seleção. Todos os 23 jopgadores desta convocatória já haviam sido lembrados pelo técnico (foram 42 no total). E destes, 15 estiveram em todas as listas. 

Fabinho jogou com time sub 21 os amistosos de setembro no Oriente Médio
Talal Salman/CBF
Fabinho jogou com time sub 21 os amistosos de setembro no Oriente Médio

O mau desempenho dos jovens nos times de Alexandre Gallo frearam uma renovação maior. No segundo semestre de 2014 o time sub-21 fez amistosos paralelos aos do time de Dunga, mas o saldo é incerto. Fabinho, um dos jovens chamados pelo técnico, foi um dos poucos destaques nos amistosos do time de Gallo. Quando Maicon foi cortado entre os amistosos contra Colômbia e Equador, em setembro, o lateral-direito foi chamado às pressas. O Brasil olímpico faz novos amistosos no final de março , contra Paraguai e México.

"O Fabinho tínhamos trazido no primeiro jogo, e esperamos que ele tenha uma nova sequência de jogos no Monaco. Ele é lateral-direito, apesar de estar jogando como volante, como seu técnico deseja. Estamos abrindo o leque para os atletas se auto-afirmarem na seleção", disse o técnico, que tem na lateral-direita reserva uma das poucas lacunas para a Copa América. Danilo é o titular. A média de idade dos convocados é de 26,3 anos. No Mundial 2014 ela era de 28,4.

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O time base não tem muito mistério e conta com Jefferson; Danilo, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Luiz Gustavo e Fernandinho; Willian, Oscar e Neymar; Diego Tardelli, média de idade de 27 anos. Sete desses 11 estiveram na Copa do Mundo de 2014 e o número reforça como o Dunga preferiu não sair do zero, apostando em atletas convocados também por Luiz Felipe Scolari. 

Dunga conhece bem a dificuldade que é dividir a missão de ser técnico do time olímpico e do principal ao mesmo tempo. Em 2008, em Pequim, parou na semifinal contra a Argentina e ficou com o bronze. Mano Menezes, em 2012, também não levou o ouro. Para este novo ciclo até a Copa do Mundo de 2018, Dunga prefere deixar cada seleção sob um comando. Sua preocupação é montar o time da Copa América e que inicia as eliminatórias. 

"Todas as coisas são válidas. Observar, formar equipe... O objetivo maior são as eliminatórias, mas temos que jogar para ganhar os outros jogos. A seleção tem que ter mentalidade ganhadora. Isso não é só no futebol, é na tua profissão. Além do talento, se não tiver a mentalidade vencedora... Às vezes um é mais técnico, mas não tem a mentalidade de ganhar. Isso na seleção não é possível", disse Dunga, já sinalizando o perfil dos atletas que busca deixando nas entrelinhas que essa "mentalidade vencedora" falta aos mais jovens.

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