Astro do Orlando City, brasileiro é o mais bem pago da Major League Soccer e estreia deve reunir 60 mil pessoas no estádio. Em 2014, a liga teve média de 19.147 torcedores por jogo, número superior ao último Campeonato Brasileiro

Kaká é recebido por multidão em Orlando
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Kaká é recebido por multidão em Orlando

Se a Major League Soccer (MLS) fosse um time brasileiro, teria levado ao estádio em 2014 mais público do que 13 dos 20 integrantes da Série A, com média de 19.147 torcedores por jogo na temporada regular, um recorde na história da liga. O número é superior ao registrado no Campeonato Brasileiro do ano passado (16.555 pagantes) e por agremiações populares, como Fluminense  (18.490), Vasco  (14.232) e Atlético-MG  (14.132). A franquia de futebol dos Estados Unidos que mais mobilizou pessoas em partidas foi o Seattle Sounders: 43.734. O Cruzeiro , atual campeão nacional e líder do quesito por aqui, teve em média 29.678 espectadores em sua campanha vencedora.

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No país onde o football é jogado com as mãos, o soccer é a bola da vez. Cerca de 70 milhões de pessoas acompanham futebol nos Estados Unidos, e 20 milhões são praticantes - é a modalidade com mais adeptos atualmente na terra da bola oval, segundo recente pesquisa. Os jogos da seleção local na última Copa do Mundo, no Brasil, chegaram a reunir 25 milhões de espectadores em frente aos aparelhos de TV. Oito equipes aumentaram em pelo menos 5% a ocupação de seus estádios em 2014. O Chivas USA, o pior em média de público (7.063), foi comprado pela liga e dará lugar em 2017 ao Los Angeles FC. Para a 20ª edição do campeonato, com início na noite desta sexta-feira - pelo horário de Brasília, a partida de abertura, entre Los Angeles Galaxy e Chicago Fire, será à 0h de sábado -, a aposta é investir em nomes conhecidos para atrair ainda mais o interesse do público, e um brasileiro virou um dos cartões de visita dessa nova fase de expansão.

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Kaká, eleito o melhor jogador do mundo em 2007, é o principal reforço do Orlando City, uma das franquias que estreiam na MLS nesta temporada e que tem como dono um brasileiro: Flávio Augusto da Silva. Recebido como popstar na cidade, o ex-jogador de São Paulo , Milan  e Real Madrid  agregou sua popularidade ao time e já conseguiu uma façanha: não há mais ingressos disponíveis para a primeira partida na elite norte-americana, neste domingo, contra o New York City FC, o outro debutante do torneio.

Embora o clube não tenha revelado a carga total de bilhetes, são esperadas mais de 60 mil pessoas no Citrus Bowl, na Flórida, com capacidade para 61.348 pessoas e possibilidade de expansão para 65.194. Se contar com casa cheia, o Orlando City vai figurar entre os dez maiores públicos da história da MLS logo na estreia - o recorde da liga é de 1996, quando 69.255 espectadores foram ao Rose Bowl, na Califórnia, para ver LA Galaxy 2 x 1 NY/NJ MetroStars.

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O New York City FC, adversário de Kaká neste domingo, também debuta na MLS fazendo barulho. A grande atração para a temporada é o atacante espanhol David Villa, ex- Barcelona e Atlético de Madrid , e em julho outro reforço de peso é esperado: o meia inglês Frank Lampard. A franquia é uma sociedade entre os donos de Manchester City  e o New York Yankees, o clube de beisebol mais rico dos Estados Unidos.

Vem da Inglaterra, também em julho, outro astro do futebol: o meia Steven Gerrard, ídolo do Liverpool  e reforço do Los Angeles Galaxy, atual campeão da MLS. O Toronto FC, que contou com o goleiro brasileiro Júlio César na temporada passada, trouxe da Itália o meia Giovinco, ex- Juventus , para integrar o elenco que conta com dois jogadores de destaque na seleção dos Estados Unidos:  o volante Bradley e o atacante Altidore (confira na galeria de fotos alguns dos principais jogadores da MLS nesta temporada).

Mas como convencer jogadores com mercado nos campeonatos mais prestigiados da Europa a jogar nos Estados Unidos? Com dinheiro, claro. Para isso, a regra da liga precisou de adaptações. Para ser sustentável, a MLS impõs um teto salarial: cada clube pode gastar até US$ 3,1 milhões, com salário máximo de US$ 387,5 mil por temporada. Atletas com status chegam a ganhar mais do que isso por semana ou por mês em outros países. A solução encontrada foi permitir a realocação de verba fora da folha salarial para usar em categorias especiais de jogadores, como o Designated Player, também conhecido como Regra Beckham - o inglês David Beckham foi o primeiro beneficiado, em 2007, e permitiu que assinasse um contrato de cinco temporadas com o Los Angeles Galaxy recebendo US$ 6,5 milhões anuais.

Atualmente, 49 jogadores são Designated Player, entre eles Kaká, o mais bem pago da MLS: US$ 7,1 milhões por temporada, mais do que Beckham embolsou do LA Galaxy. Para se ter uma ideia da discrepância em relação aos valores que seguem o teto salarial, o atacante inglês Bradley Wright-Phillips, artilheiro do campeonato passado com 27 gols, recebia US$ 372,5 mil anuais até 2014. Com a aposentadoria do francês Thierry Henry, o New York Red Bulls o promoveu ao status privilegiado, mas os novos valores não foram revelados.

Ronaldo é sócio do Fort Lauderdale Strikers, que almeja fazer parte da MLS
AP
Ronaldo é sócio do Fort Lauderdale Strikers, que almeja fazer parte da MLS

Com dez times em sua primeira edição, em 1996, ainda sob o frenesi da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, a Major League Soccer conta agora com 20 participantes, e duas novas franquias serão incorporadas em 2017. Outras ainda negociam ou vislumbram serem promovidas futuramente, como o Miami, pertencente a um grupo de investimentos liderado por David Beckham, e o Fort Lauderdale Strikers, que tem o brasileiro Ronaldo Fenômeno como um dos sócios.

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Time popular nos Estados Unidos no fim da década de 1970, quando teve nomes como o goleiro inglês Gordon Banks e o meia peruano Teófilo Cubillas, o Strikers foi comprado por empresários brasileiros em 2014 e é filiado à North American Soccer League (NASL), uma espécie de segunda divisão do futebol local, mas que não serve como acesso à MLS. Essa liga tem início em abril, e o time de Ronaldo irá enfrentar na estreia o lendário New York Cosmos, equipe defendida por Pelé e que contratou o atacante espanhol Raúl, maior artilheiro da história do Real Madrid.

A disputa

O formato da MLS se assemelha às principais ligas profissionais dos Estados Unidos: as 20 equpes se dividem em Leste e Oeste. São 34 partidas na temporada regular, e os seis primeiros de cada conferência disputam os playoffs finais, em jogos de ida e volta. Os campeões de cada lado disputam o título, em partida única.

Confira os jogos da primeira rodada da MLS:

Sexta-feira (6/3)
Los Angeles Galaxy x Chicago Fire

Sábado (7/3)
DC United x Montreal Impact
Philadelphia Union x Colorado Rapids
Vancouver White Caps x Toronto FC
FC Dallas x San Jose Earthquakes
Houston Dynamo x Columbus Crew
Portland Timbers x Real Salt Lake

Domingo (8/3)
Orlando City x New York City FC
Sporting Kansas City x New York Red Bulls
Seattle Sounders x New England Revolution

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