Jogo limpo financeiro vai virar regra no Brasileirão de 2015, mas sem contrapartidas, senador diz que medida é inócua

Romário diz que CBF tenta tirar a atenção de lei federal que pune clubes inadimplentes
José Cruz/Agência Brasil
Romário diz que CBF tenta tirar a atenção de lei federal que pune clubes inadimplentes

O senador Romário (PSB-RJ) se posicionou nesta terça-feira contrário à regra de fair play financeiro proposta pela CBF  para o Brasileirão de 2015. Em tese, clubes que não honrem compromissos com jogadores perderão pontos no torneio. Porém, a medida não prevê contrapartidas, o que foi condenado pelo parlamentar, desafeto declarado de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, os mandachuvas da entidade. 

"A medida parece excelente, mas qualquer medida moralizadora vinda dos atuais gestores da entidade devem ser vistas com suspeição. Logo, não acreditem na boa vontade da CBF", disse Romário em nota oficial. 

Leia também:  Clubes que atrasam salários podem perder pontos no Brasileirão de 2015

Para o senador, a proposta da CBF "é um deboche". Ele diz que a regra da CBF não apresenta solução para as dívidas dos clubes, tratando exclusivamente do pagamento de salários dos atletas. No texto, Romário reiterou a importância da aprovação da LREF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que pode ser confirmada nesta semana. Para Romário, a CBF quer apenas minimizar a lei federal com uma medida paliativa e pouco efetiva. 

Leia o texto de Romário na íntegra
Muitos devem estar se perguntando por que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou de “uma hora para outra” o fair play financeiro já para o Campeonato Brasileiro de 2015. As regras propostas por eles, na última segunda-feira, irão retirar pontos dos clubes que tiverem dívidas trabalhistas. A medida parece excelente, mas qualquer medida moralizadora vinda dos atuais gestores da entidade devem ser vistas com suspeição. Logo, não acreditem na boa vontade da CBF.

O que eles estão fazendo não passa de um deboche. Explico. Há mais de um ano, debatemos no Congresso Nacional uma medida para resolver o endividamento dos clubes brasileiros. Atolados em dívidas, causadas por má gestão, os clubes brasileiros estão à beira da falência. Logo, o futebol do Brasil também. O problema é que se o Governo apenas anistiar ou refinanciar as dívidas dos clubes, sem contrapartidas que exijam transparência e boa gestão, eles estarão endividados em poucos anos novamente. Uma das principais exigências para o parcelamento das dívidas é que os clubes estejam adimplentes para participar de competições. O não pagamento de dívidas trabalhistas ou das parcelas com o Governo acarretaria em perda de pontos ou até mesmo no rebaixamento de série. A CBF sempre foi contra e trabalhou enquanto pode, por debaixo dos panos, para que no texto da Câmara não constasse este item.

Mas o Governo está para enviar uma Medida Provisória para o Congresso Nacional sobre o assunto. Até onde fui informado, o fair play financeiro já consta no texto da MP. Aí é que está o pulo do gato. Sem saída, a CBF dá sua cartada final para evitar que o texto vire lei. Ao se antecipar, eles podem alegar que já implementaram as medidas, por isso elas não precisariam ser aprovadas no Congresso.

Sem uma lei definitiva, no prazo de dois anos, a entidade poderá retirar do texto o fair play financeiro. E tudo voltar a ser como era antes. É ou não é um deboche?

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.