Desafeto de pai de Neymar, Luis Álvaro nega o futebol: "Meu tempo está passando"

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Ex-presidente do Santos diz que tentará recurso em ação envolvendo o pai do jogador e revela desânimo na vida

Desanimado com a vida, como ele próprio se define, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro – ex-presidente do Santos – já não faz nenhuma questão de esconder o aborrecimento que teve com o futebol. Um dia depois de ser derrotado nos tribunais em decorrência a ação movida pelo pai de Neymar, o ex-dirigente conversou com o iG Esporte por telefone e revelou que deve recorrer da decisão.  “Não cabe questionar a justiça. Se a decisão for essa, eu vou acatá-la. Junto ao meu advogado, vou analisar se cabe recurso ou não”, disse.

Luis Álvaro, ex-presidente do Santos, segue em tratamento médico e longe da política do clube
Alan Morici / Agência O Dia
Luis Álvaro, ex-presidente do Santos, segue em tratamento médico e longe da política do clube

Questionado sobre o possível arrependimento de ter dito que Neymar Santos "era responsável por organizar orgias, mercenário, mau caráter e mentiroso", ele se defende: “Em nenhum momento eu tive a intenção de ofender. Eu ainda estava numa depressão profunda, tomando uma quantidade absurda de remédios, quando o repórter me fez a pergunta. A conversa era informal, daqueles bate-papo de chopinho de bar. Não tive a intenção de ofendê-lo, mesmo porque tenho de cuidar da minha vida e saúde. Não tem mais o que comentar sobre isso”, acrescentou.

Ainda em tratamento em virtude aos problemas cardíacos e pulmonares, Luis Álvaro vai três vezes por semana ao Hospital Israelita Albert Einstein, faz fisioterapia e continua tomando rigorosamente todos os medicamentos. Ainda chateado com a forma pela qual deixou o Santos, ele prefere se manter afastado dos bastidores e apenas acompanha os jogos do time pela televisão.

 “O meu tempo está passando, e não quero mais mexer com o futebol. Eu imaginei que pudesse fazer diferente. Conseguimos avanços importantes com a conquista de seis títulos, equacionamento da dívida que era alta, e a permanência dos craques no elenco do Santos. Isso meu deu uma alegria fantástica. Alegrias que não tinham preço e valiam a minha vida. Em contrapartida, eu paguei o preço com a minha saúde. Não posso me desgastar mais. Não quero me envolver”, disse.  

Ainda com o nome muito associado ao de Odílio Rodrigues, então vice-presidente em seu mandato e que assumiu a presidência quando se afastou em agosto de 2013, Luis Álvaro argumenta: “Isso é uma injustiça. Eu não quero fazer nenhuma crítica ao Odílio, mas nós temos estilos diferentes. Ao longo do meu mandato, eu tive 12 internações no Einstein, fiquei 60 dias hospitalizado, 60 dias em casa quando ele assumiu o lugar na presidência e substituiu profissionais dos departamentos. Era um direito dele. Ele colocou pessoas que ele confiava e acreditava”.

“Se você olhar para trás verá que nos dois primeiros anos, o Santos ganhou quatro títulos e acertou as suas contas. Eu já não queria continuar na presidência por entender que meu tempo havia passado, mas aceitei me candidatar para a reeleição. Venci com 87% dos votos, uma aprovação absoluta dos sócios. A partir daí a minha saúde foi sendo minada, e o novo estatuto já não dava o poder de veto ao presidente. Os nove membros do Comitê de Gestão tinham poder de decisão. De novo, não estou tecendo nenhuma crítica ao Odílio. Ele assumiu por direito e colocou pessoas da confiança dele lá dentro”, completou.

Apoiador de Fernando Santos na campanha eleitoral do clube no fim do ano passado, Laor considerou normal a eleição de Modesto Roma, aliado de Marcelo Teixeira. “Eu vi como algo natural. Ele conseguiu grande parte dos torcedores em Santos e fez a sua maioria. Quem decide é o sócio e não sabe discutir isso. A paixão é maior pelo Santos. E o time está ganhando, e é isso que o torcedor quer”.

Por fim, o santista falou sobre o polêmico empréstimo de Marcelo Teixeira ao Santos no início deste ano para quitar os salários atrasados dos jogadores. “Se ele emprestou é porque tinha recursos, e o Santos estava em uma situação ruim. Quando o jogador não recebe salário ele não pode desempenhar tudo em campo. Mas é fato da vida. O Santos está mostrando qualidade em campo”.

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