Associação que representa mais de 50 torcidas ganha força, tenta diálogo, mas não se ilude sobre solução para problema

André Azevedo em encontro com o ministro do Esporte, George Hilton, em Brasília
Divulgação/Anatorg
André Azevedo em encontro com o ministro do Esporte, George Hilton, em Brasília

Uma entidade que reúne torcidas organizadas brasileiras criada há pouco mais de dois meses conseguiu nesse período algo raro para um grupo normalmente associado à violência e ao vandalismo.

A Anatorg (Associação Nacional de Torcidas Organizadas) se reuniu com o ministro do Esporte, George Hilton, há uma semana em Brasília e promoveu encontro entre rivais que, antes, nunca haviam tentado resolver problemas com conversa. 

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A organização é presidida por André Azevedo, de 35 anos, há oito também a frente da são-paulina Dragões da Real. Ele reconhece que errou no passado como muitos dos colegas que hoje também ocupam as páginas policiais dos jornais. "Briguei, mas a dor te abre os olhos", conta. Azevedo perdeu em 2008 um amigo de torcida, Nilton Cesar de Jesus, morto por um policial em Brasília na última rodada do Brasileirão. "Ele só não tinha meu sangue, mas era meu irmão". 

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Azevedo conta que essa perda o fez iniciar a busca por uma saída para as brigas de torcida. Antes da Anatorg, teve outras associações, mas só em dezembro de 2014 conseguiu legalizar o grupo, que terá uma sede no centro de São Paulo. Foi lá, na Câmara Municipal, que na terça promoveu encontro entre torcedores de Vasco e Atlético-PR  para tentar evitar que elas voltem a se encontrar como em 2013. 

Membros de organizadas de diferentes clubes em reunião da Anatorg
Divulgação/Anatorg
Membros de organizadas de diferentes clubes em reunião da Anatorg


A entidade conta com mais de 50 torcidas organizadas cadastradas. E Azevedo diz que não pretende que ela seja suficiente para solucionar o problema da violência. "Isso é impossível. A violência é um problema da sociedade brasileira. Não existe violência só no futebol. Podemos com conversa e boa vontade dos líderes das organizadas diminuir os casos, mas é impossível controlar mais de dois milhões de pessoas", disse. Esse é o número aproximado de membros de organizadas cadastrados no Brasil. 

Apesar de manifestar boa vontade, está descartada a delação de membros sabidamente envolvidos em brigas e que estejam soltos. "Temos um código de ética, e delação não é sequer cogitada. Não prendemos ninguém. Quem tem de descobrir quem sai da linha é a polícia, não nós", comentou. 


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