Acordo feito por Kassab previa liberação de R$ 420 milhões por conta da Copa, mas emissão de certificados está parada. Prefeitura diz que não interferiu no repasse, mas que o processo não foi concluído por ação movida no MP

O acordo entre o Corinthians  e a prefeitura de São Paulo, então chefiada por Gilberto Kassab, para a liberação de R$ 420 milhões na forma de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) para a Arena Corinthians está emperrado. Nesta sexta-feira, o presidente corintiano recém-eleito, Roberto de Andrade, divulgou nota no site oficial do clube para dar a versão corintiano ao problema. A Prefeitura, por sua vez, respondeu as acusações do clube e prometeu liberar "R$ 15 milhões nos próximos dias".

"Até agora, ao contrário do que determina o acordo, o Corinthians não viu a cor do dinheiro", disse o clube em nota endereçada a Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo desde janeiro de 2013.

Entenda o caso: Com atraso de CIDs, estádio do Corinthians fica pronto só em abril

Segundo o Tribunal de Contas do Município, dos R$ 420 milhões em títulos, que poderão ser adquiridos por empresas no mercado imobiliário para a equitação de ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPTU (Importo Predial e Territorial Urbano), cerca de R$ 40 milhões ainda não foram liberadores. 

Até o fim de 2014, R$ 380 milhões foram liberados, referentes ao projeto de Lei 288/2011, que previa incentivos fiscais para a construção do estádio da abertura da Copa do Mundo. Porém, o Corinthians não vendeu nenhum desses títulos. De acordo com o clube, por culpa da prefeitura. 

"O prefeito Fernando Haddad parece se esquecer dos benefícios trazidos ao município, principalmente os milhões de reais decorrentes do crescimento da arrecadação de impostos, em função da Copa do Mundo de futebol na Arena Corinthians, que foi palco inclusive do jogo de abertura, além de mais cinco partidas", disse o clube na nota. 

Por meio de nota, a Prefeitura de São Paulo respondeu ao clube e apontou o Ministério Público como o culpado por interferir o processo. "A Prefeitura Municipal de São Paulo cumpriu rigorosamente a lei municipal 15.431, de 20 de julho de 2011, e seguiu as recomendações do Tribunal de Contas do Município para a emissão de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), até o valor correspondente a 60% do investimento na obra, ou seja R$ 420 milhões. A Prefeitura emitiu até agora R$ 405 milhões em CIDs. Os R$ 15 milhões restantes estarão sendo emitidos nos próximos dias. Uma ação popular do Ministério Público Estadual foi impetrada questionando os incentivos dados à construção da arena, o que interferiu na viabilidade da comercialização das CIDs, sem qualquer interferência da Prefeitura Municipal de São Paulo", diz o texto.

Haddad já declarou que foi contra os moldes do acordo selado pelo seu antecessor com o Corinthians. "Nós até poderíamos ter sido sócios do empreendimento, mas até a bancada do PT (na Câmara dos Vereadores) se dividiu na época. A Arena é importante para o desenvolvimente da zona leste. Ela é uma âncora muito importante, só que repensaria a questão da engenharia financeira", disse o prefeito em entrevista à ESPN Brasil em novembro de 2014. 

Leia a nota do Corinthians na íntegra

Dias após tomar posse, o novo presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, ainda encontra dificuldades para compreender a parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Corinthians, no acordo firmado para a liberação dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs), uma questão fundamental para o clube, mas que até hoje, passados sete meses da final da Copa do Mundo de Futebol, ainda não foi resolvida. Até agora, ao contrário do que determina o acordo, o Corinthians não viu a cor do dinheiro.

Apesar de já ter dito que não gostou do formato do compromisso firmado pela PMSP para a liberação desse dinheiro, o Prefeito Fernando Haddad parece se esquecer dos benefícios trazidos ao município, principalmente os milhões de reais decorrentes do crescimento da arrecadação de impostos, em função da Copa do Mundo de futebol na Arena Corinthians, que foi palco inclusive do jogo de abertura, além de mais cinco partidas.

Com os jogos e o grande fluxo de turistas, a cidade não só ficou mais conhecida mundialmente, como também foi elogiada por todos. E o que mais importante é que o comércio vendeu mais, as companhias aéreas lotaram seus voos, os hotéis ficaram cheios e a Zona Leste ganhou, com o novo estádio corinthiano, um novo polo de desenvolvimento. Será que nada disso sensibiliza o Prefeito?

Mais do que nunca, é preciso que ele perceba a gravidade da situação, porque o atraso dos CIDs está provocando uma elevação insustentável da dívida do clube, em função do pagamento dos juros dos empréstimos bancários contraídos para que a Arena ficasse pronta a tempo e de acordo com as exigências da Fifa. Só os juros já representam R$ 80 milhões da dívida.

Se a questão não for resolvida com a rapidez exigida, o endividamento crescente começará a afetar inclusive o Departamento de Futebol, com o clube podendo vir a ter dificuldades para contratar bons jogadores. Um bom elenco também contribui para conseguir boas bilheterias nos jogos e seguir pagando as contas com pontualidade. A nova diretoria teme ainda pela realização das partidas de futebol das Olimpíadas de 2016 previstas para ocorrer na Arena Corinthians.

Enfim, o Corinthians entende que fez sua parte para que a cidade de São Paulo ocupasse um lugar de destaque na Copa do Mundo de 2014. A Arena do Corinthians cumpriu o seu papel de vanguarda na modernidade tão desejada para os estádios do país. Somos e fomos parceiros do município no desafio vencido e reconhecido pelo país e o mundo. O que o clube espera agora é que esses esforços sejam finalmente reconhecidos, mas sem pedir nada a mais dos que foi acordado com a Prefeitura, só o dinheiro dos CIDs.

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