Clube é novato no Paulistão e tem um projeto ambicioso. Porém, se mantém apenas com repasse financeiro da marca, já que as arquibancadas estão sempre vazias

O Red Bull Brasil, fundado há menos de oito anos e atualmente na elite do Campeonato Paulista, tem um objetivo ousado: transformar o futebol em espetáculo. A ideia é imitar os norte-americanos da NBA e da NFL, as ligas de basquete e futebol americano dos EUA, e oferecer ao público atrativos que vão muito além da partida de futebol.

O zagueiro Fabiano Eller, ex-Internacional e Palmeiras, entre outros clubes, defende desde o ano passado o Red Bull Brasil
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O zagueiro Fabiano Eller, ex-Internacional e Palmeiras, entre outros clubes, defende desde o ano passado o Red Bull Brasil

Um dos braços da empresa de energético, o Red Bull Brasil aproveita o reconhecimento da bebida no mercado e as parcerias da marca em diferentes modalidades esportivas para fazer ações inéditas de marketing e chamar a atenção de novos torcedores. Desta maneira, o clube conseguiu realizar um amistoso contra o Palmeiras no último dia 25, no Allianz Parque, e organizar apresentações de motocross, parapente acrobático e futebol freestyle antes de a bola rolar. “Foi uma forma de mostrar ao público que é possível unir futebol e entretenimento”, disse Andrey Cabral, diretor de marketing esportivo do clube.

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Outra estratégia que visa aumentar o número de admiradores é a exploração de garotos propagandas como Neymar, do Barcelona, e Sandro Dias, o skatista hexacampeão mundial da World Cup Skateboarding. Além do reconhecimento mundial, os atletas patrocinadores contribuem para a divulgação do clube em redes sociais particulares e podem vir a participar de jogos do Red Bull Brasil futuramente. Antes de o campeonato começar, por exemplo, o clube já havia surpreendido a todos ao entregar os uniformes dos jogadores  através do vice-campeão mundial de parapente Rafael Goberna.

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“Esse é o jeito Red Bull de fazer as coisas. Ideias fora da caixinha, muita criatividade, mas obviamente sempre com o intuito de mostrar para o público brasileiro que o futebol pode ser mais organizado, profissional e ponto de entretenimento. Que o futebol seja muito mais festa e menos brigas e guerras que ainda temos de conviver”, disse o diretor executivo Thiago Scuro.

“É uma oportunidade para mostrar para a imprensa, torcedores, para os atletas que o jogo pode sim ter uma série de atratividades para público, mas é óbvio que o nosso foco é ter um time forte. Nunca perdemos isso como a nossa principal referência”, completou.

Apresentação de parapente no Allianz Parque
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Apresentação de parapente no Allianz Parque

O pensamento é semelhante ao que já acontece nos Estados Unidos. Sem economizar em luzes e outros efeitos, os norte-americanos dão uma verdadeira aula de como executar o plano ainda embrionário no Brasil, mas adotado há anos na NBA e na NFL. O case de sucesso é o Super Bowl, que em apenas um dia movimenta cerca de R$ 34 milhões nos EUA e leva quase R$ 530 milhões à cidade onde é realizado, além de ter indíces poderosos de audiência e consumos de alimentos e demais produtos.

Apesar do planejamento ambicioso, o Red Bull Brasil somou apenas uma média de 460 pessoas na Série A2 do estadual e já acumula o prejuízo de R$ 16.186,03 neste início de campeonato na única partida em que foi mandante,– contra o Penapolense. Números que demostram a dificuldade de um retorno imediato.

"É um processo de longo prazo, requer tempo, dedicação e muito trabalho. E que a performance, aliada a títulos e ao ídolo, ajudam muito a conseguir novos torcedores. Sabemos também que há muitos apaixonados pelos valores e atributos que a Red Bull faz nos esportes", justificou Andrey.

“Somos um clube em que a performance está acima do resultado financeiro. Somos uma empresa que investe muito em esportes, temos quatro times de futebol, dois times de hockey, duas escuderias de F1, mais de 600 atletas e 800 eventos proprietários. Assim como as equipes Red Bull Racing e Scuderia Toro Rosso na Fórmula 1, o Red Bull Brasil é uma iniciativa 100% concebida, administrada e sustentada pela Red Bull. O nosso lucro no futebol é o título”, acrescentou.

E se o “esporte está no DNA do Red Bull”, como assim define Thiago Scuro, que o clube paulista surpreenda e apareça também pelos resultados dentro de campo.

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