Adrian Heath, porém, sabe que o problema de logística é um dos grandes obstáculos para os times dos Estados Unidos, que almejam atuar na competição continental

Adrian Heath, técnico do Orlando City
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Adrian Heath, técnico do Orlando City

O Orlando City está prestes a iniciar sua primeira temporada na MLS (Major League Soccer), principal liga norte-americana de futebol. Antes, a equipe da Flórida atuava na USL Pro, uma espécia de divisão inferior do esporte no país. E um dos trunfos é a presença do meia brasileiro Kaká, contratado para ser a estrela do time.

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Além disso, o ex-são-paulino terá a missão de ajudar os atletas mais jovens e ser um líder dentro de campo, conforme admitiu o técnico Adrian Heath em entrevista exclusiva ao iG Esporte . No comando do time desde 2011, o inglês revelou que nunca se imaginou trabalhando com Kaká.

Entre outros assuntos abordados, Heath disse também que sonha em jogar a Libertadores com o Orlando. "Seria o ápice para evolução do esporte neste país. É a nata do futebol no continente competindo, assim como é a Champions League na Europa. Mas sabemos que logisticamente é bem difícil", comentou.

Confira abaixo a entrevista completa com Adrian Heath:

iG: Por que um treinador inglês está no Orlando City desde 2011?
Adrian Heath: Há cerca de oito ou nove anos atrás fiz uma pré-temporada com o Conventry City (time da Inglaterra) nos Estados Unidos e 16 mil pessoas acompanharam nosso jogo no estádio. Isso em pré-temporada. Muito diferente de como era há alguns anos anos, e aí pensei que o esporte estava começando a crescer. Falei com alguns amigos meus e eles disseram que essa era a hora certa e que as coisas estavam realmente acontecendo.

Acredito no projeto, acredito que essa é a hora de transição, de mudança de nível, onde o futebol está se transformando em um dos principais esportes dos Estados Unidos. Talvez possa chegar a ser o segundo ou terceiro em popularidade. Eu acho que o crescimento no país pode ser enorme. E eu queria estar aqui desde o começo.

Adrian Heath, treinador do Orlando City
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Adrian Heath, treinador do Orlando City

O futebol nos EUA pode virar uma potência mundial, como Alemanha, Inglaterra e Espanha?
Sim. A população é de milhões de pessoas, muito grande, assim como no Brasil. Se você dissesse há 25 anos que o MMA pudesse se transformar em algo maior que o boxe americano, as pessoas diriam que você é um maluco. Pense nisso. O MMA, hoje, provavelmente é maior do que o boxe americano. É a evolução, a nova geração de pessoas, pessoas diferentes. Se você pega um jovem para assistir um jogo de beisebol, em dez minutos ele quer voltar para casa.

Acho que agora é a hora certa para os norte-americanos. Penso que a geração de jovens de agora, em que os pais assistiram grandes jogadores nas décadas de 60 e 70, como Beckenbauer, pode transformar a MLS, talvez, na quinta maior liga nacional do mundo. A média de ocupação nos estádios sempre aumenta, 20 mil, 30 mil, por isso acho que tem tudo para crescer.

O que acha de times dos EUA jogando a Libertadores?
Seria um sonho para mim. E jogar a Libertadores seria o ápice para evolução do esporte neste país. É a nata do futebol no continente competindo, assim como é a Champions League na Europa. Atuar contra os melhores times do Brasil, Argentina, Uruguai, México. É algo que temos que fazer, mas sabemos que logisticamente é bem difícil. Imagine o time de Seattle viajando para Porto Alegre, por exemplo... umas 15 horas de avião? Impossível você atuar uma quarta-feira à noite, voltar e depois jogar no sábado.

Eu adoraria de ver o Orlando City jogando contra River Plate, Boca Juniors, Santos, São Paulo, Cruzeiro. Existe esse problema de logística, mas é uma coisa que pode ser tentada no futuro.

E a Liga dos Campeões da Concacaf?
É a liga que temos que jogar, mas é muito difícil para os times norte-americanos, já que coincide com um período onde a MLS está parada. A segunda fase da Concacaf Champions League é um período difícil para nós. Os mexicanos terminam seu campeonato depois que os Estados Unidos e começam antes. Então eles têm um pouco de vantagem. As quartas de final e semifinais do torneio acontecem quando os times norte-americanos estão em pré-temporada, treinando, é muito difícil.

Você espera por pressão da torcida na primeira temporada do Orlando na MLS?
Vivi toda minha vida na Inglaterra, então sempre convivi com a pressão dos torcedores nos times em que trabalhei. É normal. Nos Estados Unidos é um pouco diferente, claro, mas como teremos muitos torcedores vindos do Brasil, ou de outros países da América do Sul, nós estaremos sob pressão de todo jeito. É uma coisa que tenho na minha vida, só tendo sucesso para não ter pressão. Faz parte do meu trabalho.

Kaká em ação no treino do Orlando City
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Kaká em ação no treino do Orlando City

E como pretende encaixar Kaká na quipe?
Primeiramente, Kaká foi uma grande aquisição do clube. Dá uma credibilidade para a equipe. Nós passamos a ser falados no mundo inteiro depois que assinamos com o Kaká. Talvez em dois ou três anos possamos ser ainda mais respeitados. Ele é uma grande pessoa, sua carreira foi vitoriosa em todos os grandes clubes pelo qual jogou no mundo, ganhou o prêmio de melhor jogador do ano da Fifa, foi campeão da Copa do Mundo...

Falo com Kaká e ele está bastante motivado em jogar pelo Orlando. Acredito que ele será um líder em campo, ajudará os atletas mais jovens, que poderão copiá-lo, olhar sua vida e fazer o melhor pelo time. Há alguns anos eu nem imaginava que estaria treinando o Kaká. É importante colocarmos as peças certas ao redor dele, para que dê tudo certo.

Qual é o objetivo da equipe na sua primeira temporada na MLS?
A primeira ideia é chegar aos playoffs. Em 21 anos, apenas dois times chegaram aos playoffs em sua primeira temporada. Queremos ser o terceiro. E chegando ao mata-mata, não sei, qualquer coisa pode acontecer. É difícil isso em dez meses de campeonato, mas temos alguma chance.

E quanto aos reforços até o início da competição (em 6 de março)?
A ideia é que cheguem mais três ou quatro reforços. Temos muitos bons jovens jogadores, mas precisamos de mais experiência no grupo. Talvez algum outro brasileiro, quem sabe. Temos uma boa relação com o mercado brasileiro, é possível. Vamos ver.

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