Matheus, de apenas 23 anos, é quem conduz as negociações e conseguiu contratar atletas como Bolívar e Magrão

Matheus Costa ao lado de Bolívar durante a assinatura de contrato com o Novo Hamburgo
Divulgação
Matheus Costa ao lado de Bolívar durante a assinatura de contrato com o Novo Hamburgo

Quem nunca perdeu horas jogando Football Manager e realizando o sonho de contratar jogadores e de se tornar dirigente de futebol? Enquanto alguns adolescentes faziam isso apenas através do controle do videogame, Matheus Costa, aos 16 anos, se tornou empresário de atletas e construía o caminho – ainda que involuntariamente - para ocupar o posto de dirigente mais jovem do país. Hoje aos 23 anos, assumiu a vice-presidente de futebol Novo Hamburgo, do Rio Grande do Sul, e foi responsável por convencer os medalhões Magrão e Bolívar a disputar o Campeonato Gaúcho pelo clube.  

Leia também:  Panela FC faz torcedor se tornar empresário e lucrar com transações no futebol

Filho do atual presidente do Novo Hamburgo, Claudemir Dias da Costa, Matheus começou a relação com o futebol antes mesmo de o pai virar cartola. Ainda quando criança, trabalhou no negócio da família, a concessionária Mitsubishi, e passou a vender carros para jogadores de futebol. De clientes, os atletas passaram a amigos e oportunidade de negócio. Matheus transformou-se em empresário em parceria com Jorge Machado, poderoso agente do Estado que cuida da carreira de Rafael Sóbis, e figura carimbada nos bastidores do clube.

O jovem ajudou a gerenciar a crise no Novo Hamburgo. No ano passado, a equipe foi eliminada da Copa do Brasil por ter escalado um atleta de maneira irregular. Matheus então entrou em ação e liderou o processo de reformulação administrativa.

“Eu ajudei o clube naquele momento. Montei um time jovem, com vários atletas emprestados do Botafogo, Grêmio e Internacional a um custo barato. E isso nos deu retorno. Em função desse trabalho, fui convidado para o cargo e aceitei o desafio. Eu não tinha essa ideia, mas acabei aceitando. Está sendo uma experiência legal, mesmo tendo de conciliar meus outros negócios”, disse ele em entrevista ao iG .

Matheus ao lado de Bolívar e Magrão, contratados pelo Novo Hamburgo
Divulgação
Matheus ao lado de Bolívar e Magrão, contratados pelo Novo Hamburgo

O conhecimento de bastidores e contatos com empresários e jogadores facilitaram o trabalho de Matheus. Foi desta maneira que ele conseguiu montar um elenco competitivo com figuras conhecidas como o volante Magrão, ex-Corinthians e Palmeiras, o zagueiro Bolívar, ex-Internacional e Botafogo, e o técnico Roger, ex-jogador do Grêmio. Tudo isso com uma folha salarial de apenas R$ 180 mil e a promessa de cumprir todas as obrigações financeiras.

“Nós conseguimos pegar jogadores de nível Série A. Prevaleceu o contato com os empresários e atletas que compraram o projeto. Nossa direção tem pessoas que honram o que prometem e que entendem que os salários em dia são primordiais. Hoje nós abrimos as portas para jogadores que estão cansados de rodar pelos clubes do país sem receber. Aqui nós temos toda a estrutura que eles precisam”, ressaltou.

“O Magrão foi uma situação a qual tínhamos pessoas em comum que também fizeram ele acreditar em nosso projeto. Foi o Magrão quem passou o feedback e convenceu o Bolívar a vir pra cá. Ele mostrou a estrutura do clube, que hoje é barata mas dispõe de analista de desempenho, comissão técnica completa e departamento de fisiologia”, completou.

Apesar de não ter concluído nenhuma das graduações que iniciou – direito, administração e comércio exterior -, o dirigente promissor se preparou para o cargo com cursos com ênfase em gestão e marketing esportivo. E nem mesmo o rótulo de executivo mais jovem do Brasil o atrapalhou. “É preciso responsabilidade independente da idade. A pressão é grande, mas eu me preparei, conheço os jogadores, sei como comportar, como atribuir as funções. E isso faz uma diferença muito grande. Hoje, no Novo Hamburgo temos uma exposição na mídia maior e estamos apontados como um dos favoritos ao título”, declarou.

O objetivo do Novo Hamburgo, segundo Matheus Costa, é se tornar uma das principais forças do Rio Grande do Sul e buscar vaga para a Série D do Campeonato Brasileiro. “A intenção é essa. É um trabalho difícil, que não acontece da noite para o dia, mas queremos brigar pelo título do interior e vaga na Série D. A partir daí, vamos sentar novamente, estruturar o clube com os pés no chão e trabalho”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.