Preterido por Mano Menezes, atacante volta com Tite para reiniciar trajetória já conhecida no clube de Parque São Jorge

Emerson Sheik tenta o lançamento durante vitória corintiana em Itaquera
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Emerson Sheik tenta o lançamento durante vitória corintiana em Itaquera

Quando Emerson Sheik deixou o Corinthians na metade de 2014 para ser emprestado ao Botafogo, um retorno do herói do time na final da Libertadores de 2012 era improvável. Durante toda a temporada de 2013 e o pouco que jogou no último ano, aquele atacante que cansou de ouvir seu nome gritado pela torcida parecia ter perdido o encanto.

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Mas o mundo, ele dá voltas. E graças a essas reviravoltas, o cara dos gols contra o Boca Juniors colocou o Corinthians na frente da disputa por um lugar na fase de grupos da Libertadores de 2015. Logo no começo da partida em Itaquera contra o Once Caldas, foi de Emerson o gol que abriu a vitória por 4 a 0.

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Antes dessa história ser escrita, boa parte dos torcedores que esteve em Itaquera na noite de quarta-feira aplaudiu o nome do atacante quando ele foi anunciado entre os titulares. Os gritos perderam em entusiasmo apenas para Ralf e Guerrero, como ele, campeões do mundo.

O primeiro tempo foi de Emerson Sheik. Além do gol e da bola na trave, o jogador liderou a equipe em momentos difíceis da partida. Depois de abrir o placar, o Corinthians sofreu ataques do Once Caldas muito perigosos. Cássio trabalhou, um gol foi anulado por impedimento e a tensão aumentou até a expulsão de Guerrero após cotovelada em Pérez.

Sem o camisa 9, Emerson tomou para ele o papel de pressionar o árbitro da partida, o argentino Patrício Lostau.Falou alto, o peitou. Como fizera na final da Libertadores, catimbou, provocou e marcou muito os rivais, tanto que acabou sofrendo com entradas mais duras.

No final do primeiro tempo, depois de sofrer falta no meio campo, saiu de campo para ser atendido. Os microfones de rádio captaram uma conversa de Tite com ele, que foi orientado a manter-se em sua posição, aberto pela esquerda. Ali, fez o que o técnico mais gosta de seus atacantes. Marcou até a linha de fundo do campo de defesa. E ainda quase marcou outro gol.

Sheik comemora primeiro gol contra o Once Caldas
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Sheik comemora primeiro gol contra o Once Caldas

Na volta do intervalo, como capitão sem faixa, conversou de novo com o árbitro no centro do campo. Gesticulou muito e tentou se impor. Talvez o espírito da Libertadores faça bem a ele. Após a eliminação para o Boca, em 2013, nunca mais foi o mesmo até sua saída por empréstimo para o Botafogo.

A renovação de seu contrato até julho de 2015, feita após seu período de auge no clube, acabou saindo cara demais para um atacante com mais de 30 anos e gols cada vez mais raros. E a torcida que o idolatrava não estava muito empolgada com seu retorno quando Tite também voltou. Mano Menezes, principal motivador da sua saída em 2014, não o atrapalharia mais.

Nenhum jogo poderia mudar a expectativa em relação a Sheik do que um jogo de Libertadores, numa decisão logo na segunda partida oficial da temporada. E assim foi.

Sheik é caçado pela defesa do Once Caldas
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Sheik é caçado pela defesa do Once Caldas

No segundo tempo, com um a menos, o Corinthians foi pressionado pelo Once Caldas. Não sofreu o empate por simples falta de pontaria dos colombianos. Até de dentro da pequena área perderam chances claras.

Em jogos grandes, momentos como esses são cruciais. E para que o lado pressionado saia dela a presença de jogadores que controlem a partida é fundamental. E Sheik apareceu discretamente, mas de forma decisiva no segundo gol corintiano.

Num momento de respiro da pressão do Once Caldas, o Corinthians conseguiu um ataque e a bola caiu nos pés de Emerson Sheik. Ele segurou a bola na bandeira de escanteio e chutou forte contra a perna do rival para conseguir um escanteio. Da cobrança, Felipe marcou aos 10 minutos o gol que esfriou os colombianos e possibilitou a goleada.

Depois de Elias marcar o terceiro em jogada de Renato Augusto e Fagner consolidar o placar folgado, Sheik anunciou o cansaço. Foi o único dos jogadores corintianos que não correu para abraçar o lateral-direito após o quarto gol. Estava na outra ponta do estádio. Para que correr? Minutos depois, caminhando, deu lugar a Stiven Mendoza. Ovacionado.

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