Na presidência desde 1998, suíço está com moral abalada por suspeitas de corrupção. Rivais têm mesma bandeira, mas devem espalhar os votos dos descontentes

Joseph Blatter teria motivos de sobra para temer uma derrota na próxima eleição à presidência da Fifa. A credibilidade da entidade máxima do futebol mundial está em xeque, com suspeitas de corrupção na escolha das sedes das Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar) e a falta de atitudes mais enérgicas do dirigente contra os possíveis abusos de seus integrantes. Por causa da má imagem, cinco empresas decidiram não renovar seus patrocínios com a Fifa - Sony, Emirates, Castrol, Continental e Johnson & Johnson, que investiram juntas US$ 524 milhões no Mundial de 2014, no Brasil.

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O cenário para mais uma reeleição é ruim, mas também positivo. Os opositores batem na tecla da falta de transparência e necessidade de recuperar a confiança da entidade, mas não conseguiram se unir em busca de um candidato que possa fazer frente a Blatter, que costuma ceder benefícios generosos a países e continentes estratégicos na hora de obter apoio para se manter no poder, como a África e as Américas.

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Na segunda-feira, o Comitê Eleitoral da Fifa oficializou o registro de quatro chapas para a eleição de 29 de maio, em Zurique. Além de Blatter, de 78 anos e que preside a entidade desde 1998, concorrerão ao cargo o ex-jogador português Luis Figo, Ali Bin Al Hussein, príncipe da Jordânia, e Michael van Praag, presidente da Federação de Futebol da Holanda. Para a candidatura ser aceita, os postulantes precisavam registrar a intenção com a assinatura de cinco países-membros da entidade - uma manobra da gestão Blatter para dificultar a vida da concorrência, já que antes bastava o apoio de apenas uma federação local. Foi esse motivo que levou os franceses David Ginola e Jerome Champagne a desistirem da disputa.

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Em sua última reeleição, em 2011, Blatter havia prometido não mais concorrer ao cargo. Não só mudou de ideia como trabalhou nos bastidores para vetar, em 2014, a proposta de limite de idade de 72 anos para presidir a Fifa. 

Os rivais

Até o ano passado, esperava-se que o francês Michel Platini, atual presidente da Uefa, fosse o candidato de peso da oposição pela grande rejeição que Blatter tem na Europa, mas esse cenário não se configurou e ainda apresentou rivais envolvidos na mesma causa, mas dispersos nas alianças políticas. Para a eleição de maio, quem aparece como voz mais incômoda aos planos do suíço de se perpetuar no poder é Van Praag. Na reunião do comitê executivo da Fifa em São Paulo, a poucas semanas da Copa do Mundo de 2014, o holandês disse que Blatter é o responsável pela imagem global da entidade, e por isso seria o principal culpado pelos escândalos recentes. 

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“Estou preocupado com a situação deteriorante na Fifa. Eu esperava que alguém novo e confiável se apresentaria para se candidatar, mas infelizmente não é o caso, então decidi chamar esta responsabilidade. “A Fifa tem de ser normalizada e modernizada", destacou o holandês, ex-presidente do Ajax.

Assim como Van Praag, Ali Bin Al Hussein já conhece os meandros políticos do futebol mundial - é um dos vice-presidentes da Fifa. A pauta de campanha também é a mesma: combate à corrupção. "A mensagem que ouvi, diversas vezes, foi de que é hora de mudança, de tirar o foco das controvérsias administrativas e voltá-lo para o esporte. O jogo do mundo merece um órgão de gestão de classe mundial, uma federação que é uma organização de serviço e um modelo de ética, transparência e boa governança", destacou o jordaniano, fundador da Federação de Futebol do Oeste Asiático.

Embora tenha uma carreira bem-sucedida como jogador, Luis Figo não carrega experiência como dirigente. Por isso, ainda é difícil medir o impacto de seu nome entre os presidenciáveis da Fifa. "Tenho falado com muitas pessoas importantes do mundo do futebol - jogadores, dirigentes, presidentes de federações - e todos acham que é preciso fazer alguma coisa. Mudar a liderança, na transparência e na solidariedade e eu acho que este é o momento para fazer isso. Eu me preocupo com o futebol, e não gosto do que tenho visto em relação à imagem da Fifa nos último anos", ponderou o português, eleito o melhor jogador do mundo em 2001.

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