Outro atrativo da competição em 2015 é a concentração de campeões. No total, os participantes somam 29 títulos

Corinthians e São Paulo podem finalmente se encontrar na Libertadores em 2015
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Corinthians e São Paulo podem finalmente se encontrar na Libertadores em 2015

O simples fato de reunir as principais forças do continente já seria o bastante para justificar a importância da Libertadores. Mas a edição de 2015 conta com alguns elementos que a deixam ainda mais atraente, como, por exemplo, a possibilidade de clássicos estaduais inéditos na história da competição. 

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Um deles envolve Corinthians e São Paulo . Os dois clubes já apareceram juntos em uma mesma Libertadores em outras três oportunidades (2006, 2010 e 2013), mas nunca chegaram a se enfrentar. Neste ano, os caminhos estão perto de finalmente se cruzarem.

Vice-campeão brasileiro em 2014, o São Paulo caiu no Grupo 2, ao lado de Danubio (Uruguai) e San Lorenzo (Argentina). O outro integrante da chave sairá justamente do duelo eliminatório da primeira fase entre o rival paulista e o Once Caldas (Colômbia).

"Não penso no Corinthians, penso no São Paulo", disse Muricy Ramalho, técnico do clube do Morumbi, logo após o final do Brasileirão do último ano. "Teremos foco total na Libertadores, é o nosso principal objetivo. Vamos também jogar sério o Paulista, não vamos largar. Mas o objetivo é a Libertadores."

O Corinthians também não pensa no São Paulo. Não por enquanto. A derrota para o Tolima em 2011 serviu para Tite como uma lição sobre a primeira fase da Libertadores. "São só 180 minutos para decidir, diferentemente de uma fase de grupos, com seis jogos", avaliou o treinador. "A gente já começa com um mata-mata então tem que aproveitar todo tempo disponível para fazer um jogo sério, forte, intenso, pilhado se necessário. Não pode é ser morno, lento, devagar."

Cruzeiro e Atlético-MG decidiram a Copa do Brasil em 2014
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Cruzeiro e Atlético-MG decidiram a Copa do Brasil em 2014

Outros rivais estaduais que correm o risco de se enfrentarem nesta Libertadores são Cruzeiro e Atlético-MG . Isso, no entanto, só poderá acontecer a partir das oitavas de final, já que ambos caíram em grupos diferentes. 

Esta será apenas a segunda vez que a competição continental reunirá os dois representantes mineiros ao mesmo tempo. A primeira foi em 2014, mas qualquer chance de cruzamento entre os rivais acabou com a queda do Atlético-MG diante do Atlético Nacional (Colômbia) nas oitavas de final. Na sequência da temporada, eles se encontraram na decisão da Copa do Brasil. Os atleticanos levaram a melhor. Ficaram com a taça e, consequentemente, carimbaram a vaga na Libertadores. 

Não são apenas os brasileiros que podem protagonizar grandes clássicos na disputa pelo título continental. Pela primeira vez desde 2009, a lista de representantes argentinos conta tanto com Boca Juniors quanto com River Plate. Neste caso, porém, um confronto direto não seria inédito. Os rivais já se enfrentaram algumas vezes, sendo as duas últimas na semifinal de 2004 e nas quartas de 2000. Ambas tiveram o Boca como vencedor. 

Concentração de campeões

Graças em boa parte à presença do Boca Juniors, a Libertadores de 2015 terá como um outro atrativo a concentração de 29 títulos entre os participantes. Dono de seis títulos, o
clube de Buenos Aires puxa a fila dos maiores campeões da atual edição, seguido pelos quatro do Estudiantes e pelos três de São Paulo e Nacional (Colômbia). 

Boca Juniors, seis vezes campeão da Libertadores e último bicampeão
Jorge Saenz/AP
Boca Juniors, seis vezes campeão da Libertadores e último bicampeão

Considerando os vencedores da competição nos últimos 15 anos, apenas três não marcarão presença em 2015: Olimpia (Paraguai), LDU (Equador) e Santos -- que ganharam em 2002, 2008 e 2011, respectivamente.

Campeão em 2014, o San Lorenzo terá de reverter uma tendência que se estabeceu nos últimos tempos de o título mudar de mãos de ano para ano. O último que conseguiu faturar a competição duas vezes consecutivas foi o Boca Juniors, em 2000 e 2001. 

Premiação

Chegar ao topo do continente e ter a chance de disputar o Mundial de Clubes no final do ano é algo que qualquer clube gostaria, mas há um ponto sobre a conquista da Libertadores que não agrada os participantes: o valor do prêmio, que não teve aumento em relação a 2014. 

De acordo com a Folha de S. Paulo , a Conmebol decidiu no início do mês que o campeão seguirá recebendo cerca de US$ 5,3 milhões (cerca de R$ 14 milhões), ao passo que o segundo lugar continuará ganhando US$ 4 milhões (10,5 milhões). Alguns dos clubes que disputam a Libertadores neste ano demonstraram insatisfação com a notícia, até porque precisam ceder 10% da renda de cada jogo à Conmebol, e ainda arcam com as despesas das viagens. 

"Se você for comparar com o que gastamos para jogar a Libertadores, viagens, taxas, premiação para jogadores, o estadual dá mais dinheiro. Mas é a Libertadores que dá prestígio ao clube, que o torcedor mais valoriza, que pode trazer mais visibilidade, patrocínio e outras receitas", diz o presidente corintiano Mário Gobbi.

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