Premiação da Libertadores e taxas pagas à Conmebol geram reclamação, mas competição tem prestígio, ao contrário dos Estaduais, que nem financeiramente são viáveis aos clubes

Os principais campeonatos estaduais do Brasil começam neste final de semana acompanhados de uma pergunta frequente entre os torcedores dos maiores clubes brasileiros: o que meu time ganha jogando o estadual? Em dinheiro, pouca coisa. Em prestígio, menos ainda. A rivalidade ainda é o único combustível que mantém os torneios com alguma atratividade. 

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O Campeonato Paulista, por exemplo, é um dos estaduais que mais oferecem prêmios ao seu campeão. A FPF (Federação Paulista de Futebol) vai pagar R$ 3 milhões a quem ficar com o título e ainda dará prêmios de consolação aos outros participantes. O vice recebe R$ 1 milhão, o terceiro e o quarto colocados, R$ 300 mil (cada), do quinto ao oitavo, R$ 200 mil, e do 9º ao 16º, R$ 100 mil. Os números foram definidos em reunião na entidade em novembro de 2014.

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A Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro) não divulgou quanto vai pagar para o seu campeão de 2014, mas o jornal "O Globo", na coluna Panorama Esportiva, diz que o valor pode chegar a R$ 4,7 milhões, mas deve esbarrar na crise instaurada pela insatisfação de Flamengo e Fluminense com a política de ingressos imposta pela Ferj. No Campeonato Gaúcho, a intenção há um ano era pagar R$ 1 milhão ao campeão, mas a perda do patrocínio da Chevrolet, que batizava todos os estaduais, vai frustrar tal ideia.

A marca de automóveis, patrocinadora da CBF, repassou quantias às 27 federações nas duas últimas temporadas pelos "naming rights" das competições. O patrocínio foi cancelado para 2015, e a perda de receitas diminui ainda mais as chances de retorno financeiro aos clubes por parte das federações. 

Em São Paulo, a Federação conseguiu patrocínio da Itaipava para o torneio e ainda abocanha parte do que as TVs pagam para transmitir o Paulistão. Está no regulamento: "Da receita advinda da transmissão ou retransmissão de imagens das competições, será destinado o valor equivalente a 10% (dez por cento) à FPF, coordenadora e titular dos direitos sobre as Competições", diz o texto. É dessa receita que FPF diz tirar os valores dos prêmios pagos no Paulistão. 

Em Minas Gerais, a FMF (Federação Mineira de Futebol) fica com 10% da renda bruta das partidas e não oferece nenhum prêmio extra em dinheiro ao campeão mineiro. 

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Libertadores também dá baixo retorno financeiro, mas oferece negócios maiores
Jorge Adorno/Reuters
Libertadores também dá baixo retorno financeiro, mas oferece negócios maiores

A prática é comum no principal torneio sul-americano. A Libertadores pagou ao San Lorenzo, campeão de 2014, US$ 5,35 milhões (cerca de R$ 13 milhões). O valor é superior ao pago nos estaduais, mas esconde todo o gasto que cada clube tem para disputar o torneio continental além da obrigação de destinar 10% de todas as rendas de bilheteria para a Conmebol.

Para os grandes clubes do País, a Libertadores também representa pouco em ganhos financeiros, inclusive com direitos de transmissão. Toda a premiação oferecida pela Conmebol vem dos direitos de transmissão que ela recebe sozinha. Há um movimento entre clubes sul-americanos liderados por Enzo Francescoli , ex-jogador uruguaio, para que as TV paguem as cotas diretamente para os clubes e não para a Conmebol. Algo parecido ao que aconteceu no Brasil depois do fim do "Clube dos 13", que negociava com diretamente com a Rede Globo.

"Se você for comparar com o que gastamos para jogar a Libertadores, viagens, taxas, premiação para jogadores, o estadual dá mais dinheiro. Mas é a Libertadores que dá prestígio ao clube, que o torcedor mais valoriza, que pode trazer mais visibilidade, patrocínio e outras receitas", diz o presidente corintiano Mário Gobbi, em fim de mandato.

O Brasileirão é muito mais rentável, tanto em cotas como premiações extras. O Cruzeiro, campeão em 2014, recebeu R$ 9 milhões extras. Além da taça, o clube conseguiu fazer seus jogadores se destacarem, lucrou com vendas milionárias de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart e ainda se mantém na vitrine do futebol sul-americano. O retorno esportivo de competições maiores, para grandes clubes, é muito mais significativo.

A discussão sobre o atual modelo dos estaduais vai além do financeiro. É uma questão esportiva. O troféu na galeria do clube é importante, mas o ganho real chega ao fim na festa do título após a final.

O estadual é o menor torneio de um time da Série A ou da Série B. No Nordeste, que tem apenas o Sport na elite nacional, os principais clubes estão na Copa do Nordeste, que, além de prestígio regional, rende R$ 2 milhões ao seu campeão e uma vaga na Copa Sul-Americana, muito valorizada pelos times da região.

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