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Lucas Leiva, Daniel Alves, Jonas, Julio Cesar, Lucas Moura e Felipe Anderson recuperaram espaço no futebol europeu nesta temporada, colecionando elogios e recordes em seus clubes

A temporada 2014/2015 tem sido especial para alguns jogadores brasileiros que atuam na Europa. Após um período de baixa, as carreiras de Lucas Leiva, Lucas Moura, Daniel Alves, Julio Cesar, Jonas e Felipe Anderson ganharam novo fôlego, e o rótulo de “negociável” que cada um deles carregava foi substituído pelo de “imprescindível”. 

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A redenção de Daniel Alves, por exemplo, veio em péssimo momento para o Barcelona , já que o contrato do lateral está por vencer e ele não está muito a fim de renová-lo. Alvo de Manchester United e PSG, deve mudar de clube, para desespero dos catalães, proibidos pela Fifa de se reforçar e sem outra boa opção na posição.

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Lucas Leiva, do Liverpool , viveu possivelmente seu pior momento na última temporada, quando a equipe brigou pelo título inglês e perdeu na reta final. Ironicamente, a queda de produção do time na atual temporada coincide com a recuperação do bom futebol do jogador.

A situação de Jonas e Julio Cesar era ainda pior. O atacante estava sem espaço no Valencia e acabou cedido de graça ao Benfica , mesmo clube que abrigou o goleiro brasileiro, então marcado por uma passagem pela MLS (Major League Soccer, a liga de futebol dos EUA) e pelos 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo. Hoje, o clube português dificilmente abriria mão de ambos, titulares e recordistas.

Já o meia Felipe Anderson, da Lazio, e o atacante Lucas Moura, do PSG , são jovens, e era de se imaginar que em algum momento fossem decolar. Pois esse momento chegou. Os dois, que pareciam contratações decepcionantes, começam a justificar o dinheiro investido por seus clubes e entram na mira de outras equipes europeias.

Daniel Alves, Barcelona

Daniel Alves, do Barcelona
Alex Caparros/Getty Images
Daniel Alves, do Barcelona

O contrato do lateral vence no fim desta temporada, e o Barcelona ainda não propôs uma renovação. Pois deveria fazê-lo, já que não tem substituto e não pode contratar um, porque foi punido pela Fifa “A renovação do Daniel Alves é a única e mais importante decisão esportiva a se tomar (no Barcelona)“, afirma o jornalista Jose Maria Batlle, do jornal Sport .

Aos 31 anos, Daniel Alves está na fase descendente da carreira, mas ainda é um dos melhores na posição e uma mercadoria valiosa. Por exemplo, Manchester United e PSG enxergam nele um reforço importante para a temporada seguinte. A menos de seis meses do fim do contrato, qualquer clube pode fazer propostas sem consultar o Barça.

A iminente saída do brasileiro, na visão de Batlle, expõe um erro do Barcelona. “É o exemplo claro de mal planejamento esportivo. Se pretendia negociá-lo, o clube deveria ter claro um substituto e deveria ter se preparado para executar as duas negociações”. 

Lucas Leiva, Liverpool

Lucas Leiva, do Liverpool
Alex Livesey/Getty Images
Lucas Leiva, do Liverpool

Na temporada passada, o volante foi contestado na reta final do Campeonato Inglês, quando substituiu o suspenso Jordan Henderson e viu o Liverpool perder o título nas últimas rodadas. Agora, o time está em baixa, mas o brasileiro tem jogado bem e tornou-se fundamental no elenco. 

Em 2014/15, o Liverpool venceu 63,6% dos jogos com Lucas em campo e apenas 27,2% dos jogos sem ele. Já a média de gols sofridos por jogo cai de 1,55 para 0,91 quando ele joga. Com a saída de Suárez e a lesão de Sturridge, o Liverpool trocou o ataque avassalador pela proteção à defesa. Considerando ainda a queda de produção de Gerrard, a saída do volante brasileiro seria preocupante.

“O brasileiro tem sido alvo nos últimos meses de especulações sobre sua saída do Liverpool. Porém, agora que a janela europeia está perto de se fechar, é cada vez mais evidente que seria muito mais proveitoso mantê-lo”, diz o jornalista Martin Laurence, do site Eurosport .

Jonas, Benfica

Jonas, do Benfica
Carlos Rodrigues/Getty Images
Jonas, do Benfica

A chegada do técnico Nuno Espírito Santo marcou o fim da passagem do atacante Jonas pelo Valencia. No início desta temporada, ele treinava separado do grupo até acertar amigavelmente sua rescisão contratual. Chegou a despertar o interesse de clubes brasileiros, mas optou por permanecer na Europa. E acertou em cheio ao escolher o Benfica, onde hoje tem 13 gols em 16 jogos.

“No Benfica mora um especialista na arte de fazer gols”, exalta o jornalista Nuno Pombo, do jornal Record . “Jonas vem justificando a aposta do Benfica, que o contratou em setembro a custo zero. Na média de gols por jogo, o camisa 17 ultrapassa Neymar e Luiz Adriano”, diz ele, citando os atacantes convocados por Dunga para a seleção brasileira.

Julio Cesar, Benfica

Julio Cesar, do Benfica
Gualter Fatia/Getty Images
Julio Cesar, do Benfica

Antes da Copa do Mundo, o veterano goleiro brasileiro teve que buscar refúgio no canadense Toronto FC, da MLS, para se manter em atividade. Parecia acabado para o futebol europeu, sem espaço até mesmo no Queens Park Rangers, então na segunda divisão inglesa. Pois ele renasceu na temporada 2014-15.

O Benfica, onde jogadores brasileiros habitualmente triunfam, resolveu dar uma chance a Julio Cesar e certamente não se arrependeu. Hoje titular da equipe no Campeonato Português, está entre os recordistas de invencibilidade da história do clube, depois de sete jogos sem sofrer gol. Assim, ganhou o respeito da torcida e deve comemorar em breve a conquista do bicampeonato português pela equipe.

Lucas Moura, PSG

Lucas Moura, do PSG
Getty Images
Lucas Moura, do PSG

O São Paulo chegou a sonhar com a volta de Lucas Moura ao clube depois de negociá-lo com o PSG. Era o final da temporada passada, e o atacante não conseguia se firmar no clube francês. O resultado foi a ausência na lista de convocados de Felipão para a Copa do Mundo.

Persistente, o jogador descartou um retorno ao Brasil e manteve o projeto de emplacar na Europa. Pois isso está acontecendo agora, com uma vaga entre os titulares da equipe a uma coleção de lances de habilidade que encantam a Europa. "Lucas Moura continua sendo um dos favoritos dos torcedores do PSG, e isso se justifica toda vez que ele coloca em ação sua habilidade", afirma o jornalista Lee Thomas-Mason, do jornal inglês Daily Mirror .

"O meu período de adaptação terminou. Sabia que estava no caminho certo e que era uma adaptação. Agora estou colhendo os frutos que plantei", diz o brasileiro ao explicar por que demorou para engrenar na equipe.

Felipe Anderson, Lazio

Felipe Anderson, da Lazio
Alik Keplicz/AP
Felipe Anderson, da Lazio

Vendido pelo Santos à Lazio em junho de 2013, Felipe Anderson sofreu com uma lesão no tornozelo e com as dificuldades habituais de adaptação a um novo país. Teve poucas chances na temporada inicial, mas bastou jogar com frequência pela equipe, o que está ocorrendo agora, e ele explodiu.

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No último dia 15 de janeiro, o meia sofreu uma lesão no joelho que o deixará de fora da equipe por três semanas. Antes, porém, fez o bastante para garantir destaque na imprensa europeia. Foram cinco gols e quatro assistências em cinco jogos, uma sequência que gerou comparações exageradas. "Parecia o Cristiano Ronaldo", chegou a dizer Sinisa Mihajlovic, técnico da Lazio.

O ótimo momento rendeu dividendos até no game Fifa 15, no qual o potencial do brasileiro saltou de 81 para 88 entre dezembro e janeiro. O Twitter oficial da liga italiana o classificou como o melhor jogador do campeonato nacional na atualidade, e diversos veículos especializados em jogadores jovens, como o site Outside Of The Boot , o colocaram na relação das maiores promessas do futebol mundial.

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