Quando apresentou Júnior Chávare como novo gerente executivo de Cotia, Aidar justificou demissão como fim de uma “máfia” em Cotia. Ex-técnico da base busca retratação

Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo, acusou existência de
Divulgação/Rede Record
Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo, acusou existência de "máfia" em Cotia

O já conturbado mandato de Carlos Miguel Aidar na presidência do São Paulo deve ganhar novo capítulo nos próximos dias. Um treinador de base demitido do CFA (centro de Formação de Atletas) de Cotia em 2014 está processando o clube por conta de declarações feitas pelo presidente em novembro passado. Na ocasião, quando apresentou Júnior Chávare como novo gerente executivo de Cotia, Aidar justificou a demissão como o fim de uma “máfia” dentro do local.

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Márcio Saraiva trabalhava no São Paulo desde 2011. Ex-atleta do clube, ele foi convidado a fazer um estágio em Cotia ao se aposentar. Foi efetivado na sequência e passou a trabalhar na categoria sub 13 e também na captação de jovens talentos.

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"O São Paulo fazia monitoramento de garotos de todo o Brasil. Eu recebia uns garotos de potencial e durante a semana fazia acompanhamento técnico. Dependendo do desempenho, eles eram convidados para voltar ou não. Parceiros e escolinhas no Brasil inteiro mandavam esses garotos para o São Paulo. Quando esses garotos completam 14 anos de idade, eles são selecionados e alojados", explicou Saraiva.

A situação mudou depois que Aidar resolveu reformular o método de trabalho em Cotia. Insatisfeito com o baixo número de craques revelados, o presidente resolveu desmontar o que chamou de "máfia" no CFA.

"Já dispensamos 11 pessoas da base. Eram treinadores que colocavam a assinatura de contrato com determinado empresário como condição para os meninos jogarem. Tínhamos uma máfia organizada atuando dentro do CT de Cotia", afirmou o presidente em novembro do ano passado.

Embora a acusação não cite nomes, ela revoltou Saraiva, que procurou um advogado e busca retratação.

Márcio Saraiva, o quinto de pé da esquerda para a direita, tem passagem pela base do São Paulo. Emerson Sheik também está na foto
Reprodução/Facebook
Márcio Saraiva, o quinto de pé da esquerda para a direita, tem passagem pela base do São Paulo. Emerson Sheik também está na foto

"As mudanças [em Cotia] já eram esperadas. Era outra diretoria. Até algumas mudanças foram coisas que eu concordo plenamente, como enxugar o número de atletas por categoria. Era inviável, tinha categoria que trabalhava com até 60 jogadores. E até na comissão técnica, em alguns dias, também tinha gente de mais e atleta de menos. Também tinha que fazer uma mudança. O que chateou, a mim e a outras pessoas, é a acusação que foi feita pelo presidente, que é uma máfia e que a permanência de alguns atletas no clube estava condicionada a assinatura com empresários. Isso é uma coisa que eu nunca vi. Se aconteceu, não aconteceu comigo e eu posso afirmar que jamais participaria de uma coisa dessas", defendeu-se Saraiva.

"Ele não citou nomes, mas quando existe a acusação, como foi aquela feita por ele, e pessoas do mundo do futebol sabem que nós saímos na data que foi feita aquela colocação, o seu nome fica atrelado a uma acusação injusta", prosseguiu o treinador.

O iG Esporte ouviu Frank Ferreira dos Santos, advogado de Saraiva. Ele explicou que a ação proposta será contra o São Paulo pelo fato de Aidar ser o presidente do clube e a afirmação ter se dado em cima da relação de trabalho.

"Existe a avaliação talvez de uma representação criminal. Em algumas entrevistas, ele (Aidar) imputa a conduta de mafioso e o chama de desonesto. Então, são fatos contrários à moral e 'mafioso' pode também ser tido como criminoso. Essas ofensas caracterizam uma ofensa à honra dos trabalhadores demitidos naquela oportunidade sob essa alegação", disse Santos.

"Nós pretendemos exigir uma retratação e também uma condenação pecuniária tendo em vista a repercussão do ato cometido pelo presidente. Um presidente que é formado em direito, é advogado, dar uma declaração de tamanha gravidade e sem ter provas. Até porque se tivesse prova eles teriam sido demitidos por justa causa, o que não aconteceu", finalizou o advogado.

A atual passagem de Aidar pela presidência do São Paulo já é marcada por diversas polêmicas. Em outubro do ano passado, o dirigente tirou do até então aliado Juvenal Juvêncio o comando de Cotia, escancarando guerra política no clube. Em dezembro, foi tornado público que sua namorada Cinira Maturana tinha direito a 20% de comissão dos negócios que levasse ao time. E foi nesse cenário que a equipe perdeu o contrato de fornecimento de material esportivo que assinaria com a Puma - a Under Armour irá substituir a Penalty.

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