Clubes não pretendem tirar dinheiro dos cofres para bancar reforma ou construção dos próprios estádios e esperam por negócio com construtoras

A Copa do Mundo 2014 ajudou a expor o atraso de  Santos  e São Paulo  em relação a seus rivais nacionais. Com 14 novos campos espalhados pelo Brasil - incluindo Allianz Parque e Arena do Grêmio, que não receberam o Mundial -, a Vila Belmiro e o Morumbi tornaram-se campos antiquados. Entre os 12 clubes de maior orçamento do Brasil, apenas santistas e são-paulinos não têm um estádio moderno como alternativa para mandar seus jogos. Agora, ambos procuram maneiras de acompanhar o processo de modernização sem comprometer o próprio orçamento.

Leia também:  Custo de estádios da Copa do Mundo subiu 50%, diz relatório do TCU

Vila Belmiro é casa do Santos, diz presidente Modesto Roma Júnior
Divulgação
Vila Belmiro é casa do Santos, diz presidente Modesto Roma Júnior

Com a ajuda de empreiteiras, incentivos fiscais e uma mão do Governo Federal, os clubes ergueram estádios próprios ou ganharam arenas privatizadas como alternativa, casos de Mineirão e Maracanã. As empresas, vendo aí uma forma de alavancar as receitas, investiram nas obras para lucrar com a comercialização de setores especiais e eventos. Santos e São Paulo, porém, seguem presos ao passado.

Veja ainda:  Governo interdita Arena Pantanal sete meses após jogo da Copa

Na última semana, o Santos se reuniu por duas horas com Walter Torre, dono da construtora WTorre, que reformou o estádio do Palmeiras, para discutir a possibilidade de reforma ou a construção de um novo estádio. A ideia foi uma das promessas de campanha do presidente Modesto Roma Júnior, que é a favor de o Santos utilizar estádios fora do Estado sem desvalorizar a Vila Belmiro.

“Amamos a Vila e ela é a casa do Santos. Nossa ideia é valorizar a Vila, mantendo como um estádio, um verdadeiro templo do futebol de alma do time”, garantiu Modesto em entrevista ao iG no fim do ano passado. “A nova arena só sai se conseguirmos bons parceiros e se acharmos uma área interessante na Baixada Santista ou em São Paulo”, prosseguiu.   

A estratégia do novo presidente do Santos é também beneficiar os torcedores de outras cidades e, consequentemente, fazer uso dos estádios da Copa do Mundo que têm potencial de se transformarem em grandes elefantes brancos, como a Arena da Amazônia, em Manaus, e a Arena Pantanal, em Cuiabá. “Vamos jogar sempre onde os santistas estiverem, seja no Pacaembu, Morumbi, Maracanã, estádios onde estamos acostumados a jogar e que foram palcos de alguns dos nossos principais títulos, como também na Arena Pantanal e em outros novos estádios feitos para a Copa”, declarou o cartola.  

A gestão anterior, no fim de 2013, tinha a intenção de construir um estádio em Cubatão, na Baixada Santista. O projeto foi recusado pelo Comitê de Gestão do clube, e a construtora OAS chegou a apresentar uma proposta para a reforma da Vila Belmiro.

Cobertura do Morumbi prevista no projeto
Divulgação
Cobertura do Morumbi prevista no projeto

Já o São Paulo, apesar de ter um estádio para mais de 67 mil pessoas, considera o Morumbi ultrapassado em relação a Allianz Parque e Arena Corinthians, de acordo com as próprias palavras do presidente Carlos Miguel Aidar. Segundo ele, ainda não exista projeto pronto, mas há um plano em andamento. “A ideia é criar um fundo para que seja feita uma captação financeira e consigamos contratar uma construtora para fazer essa modernização. Não há uma data prevista para começar”, contou Aidar ao iG .

A prioridade é construir cobertura e estacionamento do estádio, embora o clube trabalhe com outras alternativas, como rebaixamento ou elevação do gramado e aproximação entre campo e torcida. Por diversas vezes o São Paulo discutiu projetos para as alterações do Morumbi, mas em todas elas esbarrou na questão financeira e na briga política. Em janeiro do ano passado, membros da oposição negaram ter sido os responsáveis pela desistência da construtora Andrade Gutierrez no negócio. À época, a diretoria atribuiu a decisão à efervescência política que antecedia as eleições. 

Mesmo com o conflito, o clube ficou com o projeto da empresa e não desistiu de colocá-lo em votação entre os sócios. O documento prevê a cobertura do Morumbi concluída em 18 meses, além de um reforma para torná-lo uma arena para 25 mil pessoas. Algo bem parecido com o que foi apresentado em 2011, quando o clube chegou a se reunir com o então prefeito Gilberto Kassab e pediu o alvará para o início das obras.

Para o presidente do São Paulo, o Allianz Parque é o que atende melhor às novas exigências e se adequa ao padrão Fifa. “O estádio do Palmeiras é o mais agradável por ficar em uma área central, enquanto o do Corinthians não tanto porque tem pouca possibilidade de receber shows, pouca gente vai investir lá. O melhor é o do Palmeiras mesmo”, reconheceu. Com os rivais em vantagem, santistas e são-paulinos correm para não ficar para trás. 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.