Secretário-geral reiterou nesta quarta-feira que o gramado nos estádios no Canadá, apesar de sintético, terá boa qualidade

Valcke apresentou a Copa do Mundo feminina em evento em São Paulo nesta quarta-feira
Reprodução/Twitter
Valcke apresentou a Copa do Mundo feminina em evento em São Paulo nesta quarta-feira

Em evento na capital paulista para promover a Copa do Mundo de futebol feminino , que acontece entre junho e julho, no Canadá, o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, tentou apaziguar as críticas que a entidade vem sofrendo por conta da decisão de organizar a competição em seis estádios com grama artificial, e não natural.

Jogadoras de todo o mundo fizeram um abaixo-assinado recentemente pedindo para que a Fifa reconsiderasse a decisão de organizar a competição no Canadá, mas não foram atendidas, já que não haveria tempo para mudar o local do evento organizado pela Fifa desde 1991 e que pela primeira vez contará com 24 seleções. Na quarta-feira elas desistiram da ação que moviam contra a Fifa. 

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"Este é um tema que sempre é tratado, o gramado artificial, mas eu asseguro, em nome da Fifa, que a grama sintética que será usada na Copa do Mundo será a melhor do mundo", disse Valcke na sua apresentação em evento da Fifa. "O Canadá é o único país do mundo com mais jogadoras do que jogadores registrados. Não podemos esquecer disso", reiterou. Em 2007, o país recebeu o Mundial Sub 20 masculino e também ofereceu campos artificiais. 

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A principal voz entre as jogadoras do futebol mundial contra a Copa do Mundo em piso sintético foi a de Abby Wambach, americana eleita a melhor do mundo em 2013. "Sempre queremos jogar em gramado natural, basta perguntar a qualquer jogadora. E todas as que estarão no Canadá vão dizer o mesmo. Talvez não seja possível. Mas nós temos que avançar ou continuar a lutar por isso", disse Wambach na festa de gala da Fifa deste ano. 

Em 2007, Canadá promoveu o Mundial masculino sub 20 em gramados sintéticos
Reprodução/Fifa.com
Em 2007, Canadá promoveu o Mundial masculino sub 20 em gramados sintéticos

O coordenador das seleções femininas da CBF, Fabrício Maia, reconhece que a Copa do Mundo para mulheres perde muito com a decisão da Fifa de promovê-la em grama sintética. Porém, ele diz que conheceu a grama que a Fifa vai utilizar nos estádios do Canadá e que ela tem, sim, uma boa qualidade.

"Não é nada parecido ao que a gente está acostumado a ver de grama sintética nessas partidas entre amigos que a gente vê. É um gramado macio, gostoso, bom de pisar. Mas é diferente. Seria melhor ser natural. Vai ser preciso passar por um período de adaptação, mas vamos chegar ao Canadá com 15 dias de antecedência e vamos estar preparados", disse Maia. 

Marta, a melhor jogadora da seleção brasileira, vê discriminação da Fifa com as mulheres. "Não deixa de ser uma discriminação. Vemos realmente uma desigualdade de gênero. Uma das coisas que discutimos na ONU é que as mulheres tenham os mesmos direitos dos homens", disse a brasileira em entrevista ao jornal "O Globo". 

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