Entre 1992 e 1993, ex-parceira do futebol do clube também trouxe 14 jogadores. Para esta temporada, o técnico Oswaldo de Oliveira pode receber ainda mais peças para seu elenco

Alexandre Mattos, o novo diretor de futebol, comanda a reviravolta do Palmeiras
Leandro Martins/Futura Press
Alexandre Mattos, o novo diretor de futebol, comanda a reviravolta do Palmeiras

Menos austeridade e mais ousadia. O mantra de Paulo Nobre de cortar gastos com o futebol parece não ser mais prioridade em seu segundo mandato como presidente do Palmeiras . Após passar vergonha no ano passado, com um centenário sem títulos e próximo de outro rebaixamento, a versão 2015 do Verdão, pilotada pelo diretor de futebol Alexandre Mattos, bicampeão brasileiro com o Cruzeiro, adotou postura mais agressiva no mercado de jogadores para voltar a ser protagonista em campo. Desde o anúncio do volante Amaral, em 15 de dezembro, o clube já contratou 14 atletas, o mesmo número trazido nas duas primeiras temporadas com a Parmalat, no início dos anos 1990.

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O acordo de cogestão com a multinacional italiana de produtos alimentícios, vigente de 1992 a 2000, financiou a última grande era de ouro do futebol do Palmeiras, que encerrou um jejum de 16 anos sem conquistas e rendeu três títulos paulistas, dois brasileiros, uma Copa do Brasil e a inédita taça da Copa Libertadores. Logo na primeira temporada, a Parmalat investiu nas contratações de Mazinho, Edinho Baiano, Jean Carlo, Zinho, Maurílio e Sorato. Em 1993, com as chegadas de Gil Baiano, Cláudio, Antônio Carlos, Cléber, Roberto Carlos, Flávio Conceição, Edmundo e Edílson, o Verdão voltou a levantar taças.

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A lista acima cita apenas jogadores contratados com algum tipo de participação da Parmalat. Mesmo com a parceria, o Palmeiras poderia trazer atletas por conta própria, em definitivo ou por empréstimo. 

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Até o momento, o Palmeiras confirmou 14 contratações para 2015: os laterais João Paulo e Lucas, os zagueiros Vitor Hugo e Victor Ramos, os volantes Gabriel, Amaral e Andrei Girotto, os meias Zé Roberto, Robinho e Alan Patrick (este ainda não foi anunciado, mas já treina com o grupo) e os atacantes Kelvin, Rafael Marques, Dudu e Leandro Pereira, além do técnico Oswaldo de Oliveira, do diretor de futebol Alexandre Mattos e do gerente de futebol Cícero Souza. Nesta sexta-feira, o defensor Jackson, vinculado ao Internacional, chega a São Paulo para realizar exames médicos e assinar por empréstimo de um ano. O clube ainda espera o volante Arouca, que tenta deixar o Santos por medida judicial, sob a alegação de atraso nos salários.

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A agressividade é semelhante, mas tratam-se de fases diferentes do mercado da bola brasileiro, financeiramente e em relação às leis trabalhistas, entre outros aspectos. A Parmalat costumava fazer altos investimentos para a época no elenco e o perfil das contratações era padrão: jogadores jovens e com potencial de venda futura. Para 2015, o Palmeiras tem injetado dinheiro quando necessário, e apenas três dos 14 reforços demandaram custos imediatos. Serão R$ 19 milhões por Dudu (sendo que metade do valor será pago futuramente), R$ 5 milhões por 50% dos direitos econômicos de Leandro Pereira e mais R$ 2,5 milhões por Robinho. Os demais reforços chegaram por empréstimo ou "de graça", pois não estavam vinculados a nenhum clube.

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Não deixam de ser passos ousados para um clube que passou 2014 com o pires na mão, a ponto de Nobre custear contratações - o presidente já emprestou mais de R$ 150 milhões de seu patrimônio ao Verdão, alegando também falta de verba para pagar salários. Mas o Palmeiras tem cartas na manga para uma melhor saúde financeira em 2015: cotas de TV, vendas de produtos oficiais, as receitas geradas pelo Allianz Parque, a possibilidade de acertar com um patrocinador master e novas adesões de sócios-torcedores - o Avanti já é o terceiro maior programa do país, com mais de 72 mil associados, segundo dados do Movimento por um Futebol Melhor, e seu crescimento foi apontado como fundamental para que a chegada de Dudu fosse concretizada. A perspectiva de renda bruta para 2015, de acordo com o orçamento da agremiação, é de R$ 230 milhões. 

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Com Mattos no comando do futebol, o Palmeiras faz uma cartada ousada para recuperar a credibilidade no mercado e tem se esforçado para dar opções de qualidade a Oliveira, que revelou o desejo de trabalhar com até 34 jogadores no elenco - atualmente são 40. Na primeira gestão de Paulo Nobre, com José Carlos Brunoro como CEO, 37 atletas foram contratados. Em 7 de dezembro, na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2014, apenas quatro deles estavam em campo como titulares no empate em 1 a 1 com o Atlético-PR, que quase rebaixou a equipe à Série B, e 16 já haviam saído do clube.

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As manobras ousadas, como atravessar a negociação que os rivais Corinthians e São Paulo conduziam por Dudu, e a variedade de reforços para 2015 provocaram algo raro no Palmeiras: elogios de grupos políticos de oposição a Paulo Nobre.

Se a reformulação do elenco será bem-sucedida ainda é cedo para dizer. As primeiras impressões da "era Alexandre Mattos", no entanto, poderão ser tiradas neste sábado, no amistoso diante do Shandong Luneng, da China, às 17h (de Brasília), no Allianz Parque.

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