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Com quase um mês de preparação, clubes podem trabalhar na prevenção de lesões e aproveitar para jogar amistosos em troca de dinheiro. Mas os preparadores físicos querem mais

Em agosto do ano passado, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) confirmou o calendário de 2015 com uma pré-temporada maior que nos últimos anos. Os atletas tiveram seus 30 dias de férias, e os clubes ganharam outros 25 dias de preparação. A mudança, apesar de discreta, é um avanço, pois permite preparar melhor os jogadores, trabalhar na prevenção de lesões e aumentar as receitas dos clubes. Mesmo assim, ainda está longe do ideal.

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Robinho passa por exames no primeiro dia da reapresentação do elenco do Santos
Roberto Loffel / Divulgação HCor
Robinho passa por exames no primeiro dia da reapresentação do elenco do Santos

A principal alteração é que os campeonatos estaduais começam apenas no último dia de janeiro, e as Copas Libertadores e do Brasil só serão decididas depois da Copa América, que será realizada entre junho e julho no Chile.

"Foi um ganho importante. Agora temos um tempo maior para analisar mais especificamente as condições de cada atleta e fazer uma programação especial de prevenção de lesão, como estamos fazendo aqui com o Valdivia. É claro que ainda não é o período que queríamos, mas é o primeiro passo", afirmou ao iG o preparador físico do Palmeiras , Ricardo Henriques. 

O técnico Muricy Ramalho, do São Paulo , faz análise idêntica. "Em termos de Brasil, está ótimo. Isso foi uma coisa boa que a federação fez, nos deu muito mais dias para treinar. Em termos de Brasil, né. Em (termos) mundiais, os caras têm muito mais tempo para preparar que a gente. Aqui não é possível. A federação ajudou bastante a gente, então está bom em termos de Brasil", declarou.

A comparação feita por Muricy acontece porque o calendário do futebol brasileiro está longe do modelo aplicado na Europa. Lá, a temporada termina em maio, e os atletas tiram 30 dias de férias em junho. A pré-temporada longa, que para alguns clubes dura quase três meses, permite a realização de excursões por outros país e, consequentemente, o aumento de receitas. 

O Flamengo , por exemplo, aproveitará a pausa maior para participar de amistosos internacionais e fora do Estado do Rio de Janeiro. Os cariocas calculam lucrar R$ 1,4 milhões nesta pré-temporada com as partidas contra o Shakhtar Donetsk, em Brasília, e Vasco e São Paulo, em Manaus. O Corinthians , que está em Orlando (EUA) para a disputa da Flórida Cup, planeja faturar até R$ 2 milhões - segundo o departamento de marketing.

Mas o ganho não se restringe ao orçamento. Com maior tempo de treinamento das equipes, o nível dos torneios aumenta e pode torná-los mais atraentes para os torcedores. Carlito Macedo, preparador físico do Santos , destaca a melhoria: "O jogador terá mais condições para preparar a parte muscular, técnica e tática. O que se fazia anteriormente era ruim, tanto que as lesões eram constantes. Com esse tempo maior, o jogador tem condições de preparar a musculatura de uma maneira mais correta", diz ele.

Macedo, porém, admite que o prazo ainda não é o adequado para um esporte de alto rendimento como o futebol. "O ideal seria um mês, porque daria tempo para nos prepararmos física e tecnicamente com amistosos. Toda a comissão técnica teria condições de ver o que teria necessidade para estrear no campeonato com uma intensidade alta", sugere.

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