"Se eu fosse presidente do Corinthians, já teria renovado tempos atrás. Não sou a favor de trocar de treinador", disse

Andrés Sanchez foi ao centro de treinamento do Corinthians  divulgar campanha de doação de sangue e não surpreendeu ao ir além do protocolo. Antes mesmo do início da entrevista, o ex-presidente já havia mencionado o "cabelo de bambi" de um fotógrafo e dado novas amostras de sua obsessão com o São Paulo.

Andrés Sanchez concede coletiva no Corinthians
SÉRGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS
Andrés Sanchez concede coletiva no Corinthians

Terminada a convocação aos doadores, ele conteve a ânsia por um cigarro - satisfeita minutos mais tarde - e respondeu a perguntas sobre o momento do clube. Seu sucessor Mário Gobbi foi criticado por sua posição na política do futebol e pela condução da definição do treinador da próxima temporada.

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"O que todo o mundo exige é título. A gestão atual teve quatro títulos. Então, o balanço é bom. Tem erros? Tem erros. Eu também errei, a próxima também vai errar. Só acho que a gente tem que estar sempre presente. O grande erro dos últimos anos foi ter perdido um pouco de espaço politicamente no futebol brasileiro", afirmou.

Andrés era tão presente nessa questão que chegou a participar da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como diretor de seleções. Perdeu espaço com a saída de Ricardo Teixeira e virou oposição. Deputado federal eleito, viu Gobbi bem menos participativo no trato com outros dirigentes.

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"O Corinthians tem que estar mais presente nas decisões, deixamos coisas passarem despercebidas. Não tem cabimento ir 18, 19 vezes para julgamento no STJD. É a primeira vez na história do futebol", esbravejou, antes de criticar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva por estar "se metendo em muita coisa que não deve".

A indefinição do treinador alvinegro de 2015 também foi motivo para críticas de Andrés. Ele repetiu sua clara discordância com a posição de Gobbi, que deixa a presidência em fevereiro e não quer decidir sozinho. Para o ex-presidente, a justificativa da mudança de comando próxima não cola.

"Se eu fosse presidente do Corinthians, já teria renovado tempos atrás. Não sou a favor de trocar de treinador, até porque eles são parelhos. O Mano fez um bom trabalho na primeira vez e desta vez também, pelo ano difícil. Ele chegou com pessoas novas, mas, para mim, o trabalho foi muito bom", comentou.

Andrés ainda chamou o gaúcho de "grande treinador e grande pessoa" antes de concluir. "Teria ficado com ele três meses atrás. Depende do presidente até fevereiro. O Corinthians nunca ficou sem treinador por causa de eleição. O Palmeiras teve eleição no meio do problema. Em qualquer época, mudar de treinador é ruim. E custa caro."

O nome da Arena

Arena Corinthians
Divulgação/Portal da Copa
Arena Corinthians

O estádio do Corinthians foi inaugurado em maio e ainda não tem nome. Reconhecendo estar quase três anos atrasado na tarefa de batizar a arena de Itaquera, Andrés Sanchez segue em negociações e nega estar disposto a um desconto em relação ao pedido de R$ 400 milhões por 20 anos.

"Nem tudo o que se lê e se ouve é verdade. Os naming rights estão atrasados, mas não por valor. São questões como se vão falar o nome do estádio. É uma cultura nova para o Brasil esse negócio de arena, mas espero fechar o mais rápido possível", afirmou.

A transação é parte importante na conta feita para o pagamento do estádio. As parcelas começarão a ser pagas na metade do próximo ano. As conversas mais profundas foram com o Abu Dhabi Investiment Authority (Adia), grupo dos Emirados Árabes Unidos que controla as companhias aéreas Emirates e Etihad.

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"Já falei 500 mil vezes. O estádio custou 985 milhões (de reais). Chegou a 1,05 bi por causa dos juros e de custos com que o Corinthians teve que arcar. Você tira 420 dos CIDs (incentivos fiscais da prefeitura paulistana), sobra o que temos que pagar. A partir de julho, a gente começa a pagar as parcelas, sem problema nenhum", disse Andrés.

De acordo com o ex-presidente do Corinthians - e deputado federal eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) -, a operação Lava Jato da Polícia Federal não tem influência nas negociações do nome do estádio. A construtora da arena, Odebrecht, é uma das empresas acusadas de envolvimento em esquema de corrupção na Petrobras.

"Cada negócio é seu negócio. O que a Odebrecht faz para lá ou para cá não cabe a mim julgar. No estádio, ela foi correta, tudo foi acertado previamente. Isso é ruim para o país como um todo, mas, para o Corinthians, para os naming rights, não muda nada", assegurou o responsável pela casa alvinegra.

Mais palpites

Na mesma entrevista em que disse ser "um mero ex-presidente" do Corinthians, Andrés Sanchez demonstrou estar bem por dentro das negociações pela renovação do contrato de Paolo Guerrero. Ele se mostrou cansado da indefinição e das exigências feitas pelos empresários do centroavante.

"Isso tem que ter um fim, não pode passar da próxima semana. Quer? Não quer? Pronto. È isso aí e acabou", afirmou o dirigente, que tem um histórico de tratativas difíceis com os agentes contratados pelo peruano. São os mesmos que cuidavam da carreira do goleiro Felipe, até hoje desafeto de Andrés.

Por meio da OTB Sports, conduzida por Marcelo Robalinho, Marcelo Goldfarb e Bruno Paiva, Guerrero pede alto para permanecer. O salário e a duração do contrato - até o fim de 2017 - não são problema, mas as luvas, premiação pela assinatura, ainda estão longe de um número aceito pelas duas partes.

O Corinthians já ultrapassou a casa dos R$ 10 milhões, e os empresários acham pouco. Diferente do atual presidente, Mário Gobbi, que tem o costume de ser comedido, Andrés recomenda um comportamento mais agressivo e defende que os valores sejam divulgados caso não haja acerto.

"Aí, é mostrar à torcida a proposta que foi feita pelo clube e dizer: ‘Olha, estes números não foram aceitos’. Por ele e pelos empresários", comentou o ex-presidente do clube. Trata-se de uma ameaça enviada aos agentes, que também fazem jogo duro do outro lado.

* Com Gazeta.

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