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Lateral Bruno Teles, do Sovetov, diz que é comum nos estádios jogadores negros serem alvo de racismo por parte da torcida

O atacante Hulk revelou no último domingo, mais uma vez, ter sido alvo de ofensas racistas durante a partida entre Zenit x Mordóvia Saransk, na Rússia. Além do atacante brasileiro, atletas que atuam no país relatam como a discriminação se tornou corriqueira e livre de punições pesadas. O lateral-esquerdo Bruno Teles, que defende o Krylya Sovetov, relatou outros episódios semelhantes. 

Bruno Teles com os companheiros do Krylya Sovetov
Arquivo pessoal
Bruno Teles com os companheiros do Krylya Sovetov

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"Aqui na Rússia, quando alguns negros do time fazem falta no time adversário ou marca um gol ouve-se barulho dos torcedores imitando macaco. A gente sabe que racismo tem no mundo inteiro e aqui não é diferente. A gente está ao lado se sente incomodado e tudo isso prejudica também o clube", disse Teles em entrevista ao iG .

No início do mês, o técnico do Rostov, Igor Gamula, foi punido por cinco jogos de suspensão pela Federação Russa de Futebol (RFS) após declarações racistas contra seus próprios jogadores. À época, o treinador disse que não estava interessado na contratação do zagueiro camaronês Angbwa porque estava "preocupado com o vírus do Ebola e que havia muitos jogadores de pele escura no plantel". A declaração revoltou os jogadores, que até cogitaram iniciar um greve.

"Houve esse acidente com o treinador do Rostov que fez piadas. Eu falei com eles por mensagem, mas ele disse que tudo não passou de um engano, e o técnico alegou que foi mal interpretado. Eles aceitaram as desculpas e o caso acabou encerrado", contou o brasileiro que jogou com Reginal Goreux, da seleção do Haiti e Rostov.

Aos 28 anos, Bruno Teles está na Rússia há dois anos e ainda não pensa em voltar aos futebol brasileiro. "Não penso em voltar. Já tive alguns contatos, sondagens, mas estou feliz aqui. Devo ficar por aqui mais alguns anos. Se aparecer alguma coisa do Brasil, vou analisar, mas estou habituado com a cultura da Rússia".

Em setembro, o iG entrevistou Serginho, que atua no Chipre, e ele contou sobre episódios de racismo na Rússia durante a disputa da Liga Europa. Para ele, os russos não se envergonham da atitude. 

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