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Durante o Fórum Brasil de Treinadores, técnico citou caso de 2013, quando foi procurado pelo clube do Morumbi, quando o antecessor Paulo Autuori ainda estava no cargo

Muricy Ramalho tem contrato com o São Paulo até o final de 2015, mas não mostrou temor em usar passagens pelo clube como exemplos de falta de respeito. Durante palestra no Fórum Brasil de Treinadores, organizado pela FBTF (Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol, nesta segunda-feira, indicou ações da gestão de Juvenal Juvêncio, antecessor do presidente Carlos Miguel Aidar, como fatos deploráveis.

Muricy Ramalho e Emerson Leão participam de debate no Fórum Brasil de Treinadores, sob mediação do comentarista Paulo Roberto Falcão
Divulgação
Muricy Ramalho e Emerson Leão participam de debate no Fórum Brasil de Treinadores, sob mediação do comentarista Paulo Roberto Falcão


O técnico logo lembrou que, quando iniciou sua atual passagem, o Tricolor o procurou enquanto Paulo Autuori estava no cargo, brigando para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro do ano passado. Muricy garante que não gostou da atitude e fez questão de avisar seu colega de profissão - mas aceitou o convite e segue na função até hoje.

"No São Paulo, bateu o desespero. Para vocês verem o desespero, o São Paulo não vai à casa de ninguém por orgulho, mas eles foram à minha casa. E a primeira coisa que disse foi que não concordava com aquilo. Pedi para o Milton (Cruz, auxiliar) avisar o Paulo", contou, reclamando também de sua demissão no clube em 2009.

"Quando trocam de treinador, deviam deixar no mínimo 15 dias com um interino na base e, depois, buscar treinador. Senão acontece como fizeram comigo no São Paulo. Eu estava lá há três anos e meio, tinha sido tricampeão brasileiro e estava dando entrevista de despedida enquanto o Ricardo Gomes, que não tem nada a ver com isso, estava ali do lado. Foi uma p... falta de respeito. Mas não é só comigo, não. Todos os clubes fazem isso, com todos os técnicos", indicou.

Ainda sobre sua saída do São Paulo, ocorrida há mais de cinco anos, mostrou ressentimento com Cuca, a quem, na época, acusou de trocar seguidas ligações com Juvenal Juvêncio. "Tem treinador que pede para empresário ligar se oferecendo. Teve um treinador que ligou para perguntar se está tudo bem. É lógico que não estava, eu estava na marca do pênalti. Falei no ar desse cara", reclamou.

Muricy também aproveitou o fórum para questionar as categorias de base, embora não indicasse explicitamente que falava do São Paulo. "Na base, se o menino não assinar com o procurador do cara, está fora. Chegou a esse nível o futebol lá embaixo. Não adianta os caras de baixo ficarem bravos porque é verdade", exclamou, citando exatamente um problema que Aidar avisou que existia no Centro de Formação de Atletas de Cotia.

Muricy já reclamou que Cotia "tinha donos" - e o diretor no início da gestão de Aidar era o ex-presidente Juvenal. "Treinadores estão fazendo esquema. Isso é falta de caráter. É que as coisas lá embaixo ficam escondidas, mas não estão legais", continuou Muricy, mostrando-se entristecido com esses casos durante sua palestra nesta segunda-feira.

"Não existe ética no futebol. Ética no futebol é uma grande mentira. Acredito no caráter, e temos que melhorar muito isso entre nós. No Brasil, quem trabalha com futebol é muito pouco ouvido, é tudo de cima para baixo sem ouvir ninguém e sempre quem paga somos nós. Temos que mudar isso, não dá mais para aguentar. Se cobrassem políticos como cobram técnicos, teríamos um dos melhores países do mundo", comparou, avisando a jovens técnicos que o ouviam para manter caráter.

"Não faço acordo com o que é ruim, por isso sofro no futebol. Meu lado social é muito ruim. Por isso só dependo do resultado, senão não tenho nenhuma chance. Mas não está nada perdido. Existem treinadores excepcionais e com caráter. E no Brasil é pela força, não adianta esperar as pessoas", ensinou.

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