Relatório divulgado pela ONG "Atletas pelo Brasil" analisou dez das 12 sedes do Mundial e constatou que as políticas públicas de esporte não foram influenciadas pela realização do evento

Ana Moser, que preside a ONG Atletas pelo Brasil, durante a apresentação do Relatório Cidades do Esporte
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Ana Moser, que preside a ONG Atletas pelo Brasil, durante a apresentação do Relatório Cidades do Esporte

Um levantamento inédito feito pela ONG "Atletas pelo Brasil", divulgado nesta última quinta-feira, demonstrou que a Copa do Mundo não trouxe nenhum tipo de legado positivo ao país, ao menos na mudança de perspectiva de políticas públicas do esporte. Segundo o Relatório Cidades do Esporte, dez das 12 cidades-sedes da Copa 2014 dedicaram ao seu orçamento municipal menos de 1% ao esporte. Apenas Manaus e Rio de Janeiro não enviaram seus dados para o relatório final.

O levantamento utiliza como base informações reportadas pelas prefeituras de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE), Distrito Federal e Cuiabá (MT), relativas a 2013. O relatório completo foi lançado na Semana Internacional do Esporte pela Mudança Social 2014, nesta quinta, em São Paulo.

O relatório também aponta que cerca de 45% das escolas nos municípios analisados têm pátios, quadras ou ginásios poliesportivos. Além disso, há poucos profissionais para atividades esportivas monitoradas. A maioria das cidades está com uma média acima de 4 mil habitantes por profissional. E a pouca regularidade ou a baixa oferta de aulas se agrava fora do horário escolar, no período de férias e com o aumento da idade dos grupos.

Relembre como foi a Copa do Mundo de 2014

"A importância do esporte e da atividade física é muita clara para nós que trabalhamos na área. O grande desafio é mobilizar outros setores da sociedade nessa luta. A iniciativa da Atletas pelo Brasil, ao produzir o relatório do programa Cidades do Esporte, é apenas o primeiro passo. Esperamos que, a cada ano, tenhamos melhores índices. Queremos que os relatórios sirvam como base de dados e matriz para outras cidades e organizações e possam ser utilizados para melhorar o esporte brasileiro", afirmou Ana Moser, presidente da Atletas pelo Brasil.

"Com esse ‘filho’ na mão, podemos ir ainda mais em frente na nossa luta para melhorar o esporte brasileiro. Queremos que, até o final de 2022, tenhamos muitos números melhores para mostrar. Esse é o nosso objetivo", falou Raí de Oliveira, diretor da Atletas pelo Brasil.

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