Campeões da Copa do Brasil e do Brasileirão, Atlético-MG e Cruzeiro fecham 2014 como as equipes da Série A que mais atuaram e são bem-sucedidos no rodízio de atletas para compensar o desgaste. América-RN lidera número de jogos

O excesso de jogos já é um problema crônico no futebol nacional. Balancear qualidade e quantidade no elenco, com reforços e apostas das categorias de base, virou primordial no planejamento de um clube que almeja títulos, e nesse quesito os rivais de Minas Gerais são exemplos a serem seguidos.

Éverton Ribeiro tenta organizar ataque do Cruzeiro na decisão da Copa do Brasil
Gualter Naves/VIPCOMM
Éverton Ribeiro tenta organizar ataque do Cruzeiro na decisão da Copa do Brasil

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Entre as 20 equipes da Série A do Campeonato Brasileiro, Atlético-MG e Cruzeiro fecharão 2014 como as que mais entraram em campo: 71 vezes cada. A sequência de jogos decisivos na parte final da temporada e a cessão de atletas à seleção brasileira , uma vez que o calendário do país não para nas datas-Fifa, forçam os treinadores a aumentar o revezamento entre os titulares e amenizar o desgaste de suas principais peças. Campeão estadual e nacional, o Cruzeiro de Marcelo Oliveira já utilizou 30 jogadores diferentes no Brasileirão; o Atlético de Levir Culpi, vencedor da Copa do Brasil e da Recopa Sul-Americana, 39.

Na comparação com outros integrantes do G5 do Brasileirão, a diferença não é muito gritante. Corinthians e São Paulo usaram 28 jogadores diferentes até o momento, já o Internacional , 37. Mas ajuda a explicar o quanto o planejamento do elenco pode fazer a diferença quando os números são confrontados com os que estão na parte de baixo da tabela. O Criciúma , por exemplo, usou 51 atletas e já demitiu 13 antes de ter o rebaixamento à Série B decretado. O Palmeiras , que luta contra o segundo descenso em três anos, utilizou 45.

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Não ter peças de reposição à altura de seus titulares impactou diretamente no fim de temporada decepcionante das duas equipes do país que mais jogaram em 2014. O América-RN fechará o ano com 74 partidas, seguido pelo Ceará , com 73.

No segundo semestre, os potiguares investiram na Copa do Brasil, caindo para o Flamengo nas quartas de final, e não recuperaram o fôlego ao retomar o foco à Série B. Agora, precisam vencer o Paraná fora de casa ou torcer por tropeço do Bragantino  diante do ABC neste fim de semana para não despencar para a Terceira Divisão.

Campeão estadual e vice da Copa do Nordeste no primeiro semestre, o Ceará também sofreu um duro golpe ao apostar em surpreender na Copa do Brasil na reta final da temporada. Eliminado nas oitavas de final após sofrer a virada do Botafogo nos minutos finais, o time se desestabilizou, o técnico Sergio Soares caiu e o acesso à elite, que parecia barbada após liderar a Série B, se perdeu pelo caminho. Com 57 pontos, entre os que ainda podem chegar à Série A em 2015, os cearenses são os mais improváveis.

"Não que seja uma desculpa, mas jogar três partidas num prazo de sete dias é muito desgastante para o grupo. Estamos em reta final de temporada, então jogar quase que de 48 em 48 horas, com viagens e deslocamento, influencia", avaliou Evandro Leitão, presidente do Ceará, em setembro, quando a equipe empatou em casa com o América-MG e deixou o G4 da Série B para não mais voltar.

Na Europa

Ainda há um abismo entre os principais clubes brasileiros e europeus com relação a investimento em elenco, mas o calendário do futebol no Velho Continente é menos cruel. Na temporada 2013-14, o Atlético de Madri , campeão espanhol e vice da Liga dos Campeões, foi o time que mais entrou em campo: 61 vezes, o mesmo número que o Corinthians, que não disputou a Copa Libertadores e ficou fora da fase final do Campeonato Paulista, fechará o ano. Dos 20 integrantes da Série A, apenas quatro vão atuar menos do que a equipe madrilenha: Coritiba , Chapecoense (ambos com 60), Figueirense (59) e Criciúma (56).

Vencedor da Liga dos Campeões, o Real Madrid de Cristiano Ronaldo foi a campo 60 vezes na temporada passada. Juntando os 40 times das Séries A e B no Brasil, 12 deles, ou 30%, fecharão 2014 com menos de 60 partidas disputadas.

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