Acostumado a se apresentar para grandes públicos, ex-Beatle admite se dividir nas torcidas pelos times de Liverpool

Paul McCartney: dois shows no Allianz Parque
ANDREPENNER/DIVULGAÇÃO
Paul McCartney: dois shows no Allianz Parque

Os dois primeiros shows do recém-inaugurado Allianz Parque acontecem nesta semana. Depois de passar por Vitória e Brasília com sua turnê, o ex-Beatle Paul McCartney está em São Paulo para se apresentar na terça e na quarta na nova casa do Palmeiras. A atmosfera será bastante familiar para o músico inglês de 72 anos, não só pelo fato de estar acostumado a tocar para grandes públicos em estádios. 

Os caminhos de Paul e o futebol se encontraram já há algum tempo. Talvez o primeiro sinal da relação entre o músico e o esporte tenha aparecido no dia 1º de junho, data em que os Beatles lançaram o álbum  Sgt. Pepper's Lonely Hearts's Club Band , o oitavo de estúdio da banda. Entre estrelas de cinema e outros artistas pop, uma das várias personalidades que aparecem na capa é Albert Stubbins, ex-atacante que passou boa parte da carreira no Liverpool.

Apesar de o empresário dos Beatles, Brian Epstein, sempre ter aconselhado os quatro integrantes a nunca se manifestarem em favor de um time de futebol, um outro indício de que o coração de Paul pertencia ao Liverpool foi dado no ano seguinte. A responsável por isso foi Linda McCartney, então mulher do músico.

Capa original do disco
Reprodução
Capa original do disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band"

"Na noite passada, ficamos ouvindo o jogo do Liverpool pelo rádio, torcendo para eles ganharem. Paul torce para o Liverpool. Ele já foi torcedor do Everton por causa da família dele, mas agora é Liverpool", disse Linda. 

Mas da boca de Paul mesmo, nada havia saído até então nesse sentido. A dúvida sobre a verdadeira paixão ainda permanecia, já que ele tinha sido visto nos estádios em partidas de outro clube da cidade de Liverpool: o Everton. Foi só em 2008 que o músico esclareceu a situação. 

"O negócio é o seguinte. Meu pai nasceu em Everton, minha família é torcedora do Everton. Então, quando tiver um duelo direto ou uma decisão da Copa da Inglaterra entre os dois, eu terei de torcer para o Everton. Mas depois de um concerto em Wembley, estabeleci uma relação de amizade com Kenny Dalgish, que foi ao show. Então eu pensei: 'Sabe de uma coisa? Vou torcer pelos dois times porque ambos são de Liverpool, e eu não preciso ter esse negócio de rivalidade de católico e protestante'. Então, tive de buscar uma permissão especial do Papa, mas é isso. Só que se houver um embate entre eles, torço pelo Everton", afirmou Paul.

Paul McCartney se apresentou na cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2012
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Paul McCartney se apresentou na cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2012

"Não sou um grande fã"

Quando criança, Paul gostava de jogar futebol na rua, mas admite que não levava o menor jeito para o esporte além da brincadeira. "Depois que o jogo ficou mais formal, não me saía nada bem. Há sempre caras muito maiores e melhores que você. Era assim com os Beatles. Nenhum de nós tinha uma cabeça muito voltada ao esporte. Eu gosto de assistir futebol na televisão e vou aos estádios ocasionalmente, mas não sou um grande fã", disse.

O que não o impede de ter um evento esportivo em especial como uma das coisas que ele mais admira. "Gosto das Olimpíadas. Gosto da ideia que ela defende da unificação das pessoas através do esporte", afirmou. 

Estrela em grandes estádios

O torcedor do Palmeiras deve estar orgulhoso pelo fato de o primeiro show do novo estádio ser de um músico tão importante na história da música. Mas, para Paul, não será nada diferente do que ele já fez muitas vezes ao longo da carreira. A lista de apresentações em grandes arenas esportivas é enorme. No Brasil mesmo ele já passou por algumas. 

Em 2005, ele foi o responsável por conduzir o tradicional show do intervalo do Super Bowl -- decisão da temporada do futebol americano. A apresentação teve como repertório quatro canções: "Drive My Car", "Get Back", Live and Let Die" e "Hey Jude".

Sete anos mais tarde, com a mesma "Hey Jude", ele encerrou a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres.

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