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Atlético poderia ter rebaixado rival em 2011 e foi goleado. Provocados, alvinegros agora usam jogo perdido há 87 anos.

Diego Tardelli e Marcos Rocha entraram na brincadeira e a cada clássico repetem a cena
Bruno Cantini/Flickr Clube Atlético Mineiro
Diego Tardelli e Marcos Rocha entraram na brincadeira e a cada clássico repetem a cena

Quando o Atlético-MG entrou na Arena do Jacaré em 4 de dezembro de 2011 ele tinha uma chance única: rebaixar o Cruzeiro , seu maior rival. Bastava vencer o jogo. Bem, todos sabemos que o Cruzeiro não foi caiu para a Série B. Até aí, normal. Atípico foi o placar: 6 a 1 para o time azul de Belo Horizonte. Foi a maior goleada já sofrida pelo Atlético no clássico mineiro. 

Finalistas da Copa do Brasil, os adversários históricos vêem suas torcidas se provocarem até hoje por conta daquele placar. Não era para menos. A circunstância era especial, o placar foi memorável e a rivalidade não deixa passar a "zoeira". Já no primeiro encontro entre Cruzeiro e Atlético-MG em 2012 a torcida celeste levou as faixas do "6 a 1 eterno" para tirarem sarro do rival alvinegro.

Mas o atento torcedor neutro que está fora das fronteiras de Minas Gerais notou no jogo de ida da Copa do Brasil a alusão entre atleticanos de um "9 a 2 eterno". Esse é o placar da maior goleada já dada pelo Atlético no rival. Mas talvez nenhum atleticano que esteja ansioso antes do jogo decisivo da próxima quarta-feira deve se lembrar do jogo da goleada histórica: ele aconteceu há 87 anos, em 27 de novembro de 1927. 

Ele era conhecido dos torcedores atleticanos, mas os longos anos que se passaram, os poucos registros e a simples falta de testemunhas quase fizeram a partida ficar só no passado. "Os atleticanos nunca deram muita moral para o 9 a 2. Claro, sempre houve alguma chacota, mas muito pouca mesmo, quase ninguém conhecia a história do jogo", diz o jornalista atleticano Leandro Augusto Silveira.

Em dezembro de 2011 o Cruzeiro fez 6 a 1 no Atlético, a sua maior goleada na história  do clássico
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Em dezembro de 2011 o Cruzeiro fez 6 a 1 no Atlético, a sua maior goleada na história do clássico

Mas a humilhação sofrida para o maior rival em 2011 fez surgir o tal resgate do 9 a 2 como resposta às provocações. E desde 2012 não um só clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro que tanto o 6 a 1 como o 9 a 2 não são lembrados. 

Diego Tardelli, camisa 9, e Marcos Rocha, o camisa 2, apimentaram essa brincadeira ao posar lado a lado no último clássico no Mineirão. Os atleticanos usaram a foto para fazer bandeiras eternizando o momento. Do lado do torcedor cruzeirense, o resgate do 9 a 2 é visto como desespero dos rivais e milhares de vídeos e textos diminuindo o feito perdido há 87 anos são compartilhados pelos torcedores do Cruzeiro na internet

"Acho que o doloroso 6 a 1 talvez tenha servido ao atleticano para conhecer mais a história do clássico. Provavelmente pela boa vantagem no retrospecto, ninguém nunca deu tanta moral para jogos de um passado remoto. Por exemplo, depois, se 'descobriu' que o 6 a 1 não era apenas o favorável ao rival, mas que também houve duas goleadas desse tamanho favoráveis ao Galo", lembra Leandro. O Atlético fez 6 a 1 no antigo Palestra Itália em 1936 e em 1942.

Relembre de clássicos Atlético x Cruzeiro antes do maior encontro entre eles

As goleadas, tanto a favorável ao Cruzeiro, como o 9 a 2, do Atlético, viraram tema das músicas que as torcidas dos dois clubes têm cantado para provocar o rival. No embalo do "Decime que se siente", hit argentino na Copa do Mundo, cada uma das torcidas tem a sua versão. 

Depois de no jogo de ida a torcida do Atlético ter entoado a música no Independência, quarta-feira, no Mineirão, será a vez do torcedor do Cruzeiro responder. E dado o equilíbrio do confronto, provavelmente a goleada ficará somente na canção. 

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