Presidente do clube concedeu entrevista à "TV Mancha", ligada a uma organizada com quem ele dizia não ter nenhuma relação

Candidato à reeleição à presidência do Palmeiras , Paulo Nobre, concedeu entrevista à "TV Mancha", ligada a uma torcida organizada do clube na terça-feira. Na conversa Nobre admitiu que errou no seu atual mandato, mas ressaltou que arcou com cerca de R$ 140 milhões em empréstimos pessoais ao clube por conta de falência da agremiação.

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"É chato falar o que vou falar agora, mas o que fizeram com o Palmeiras foi uma brincadeira. O Palmeiras faliu em abril do ano passado. Não tinha dinheiro para chegar ao fim do ano", disse o dirigente. "Os jogadores não são palmeirenses como nós. São profissionais, ficam totalmente insatisfeitos se você não paga o que foi combinado. Pegamos um quadro de um time todo insatisfeito."

Paulo Nobre em entrevista na
Reprodução/AllTV
Paulo Nobre em entrevista na "TV Mancha", programa de uma organizada na internet

Encontrar outras formas de arrecadação sem envolver seu nome, contudo, foi um dos equívocos admitidos pelo mandatário. Nobre assume que poderia ter dispensado antes Marcelo Giannubilo, diretor de marketing demitido em julho e que não conseguiu nenhum patrocinador desde sua contratação, no começo do ano passado.

"Marketing não é exclusivamente procurar patrocínio máster. Nosso marketing trabalhou muito o Avanti, que rende quase R$ 1 milhão por mês, mais ou menos meio patrocínio máster. Mas talvez eu tenha errado em não ter trocado o diretor de marketing antes", assumiu, defendendo, também, o diretor executivo José Carlos Brunoro, hoje também à frente do marketing. "Todos pegaram raiva dele, o que é uma grande injustiça."

Nobre afirma que recusou propostas de R$ 15 milhões anuais de patrocínio máster e também R$ 25 mil por jogo das Óticas Diniz. "Os patrocínios vão voltar a surgir. 2014 era nosso centenário mas para o resto do mundo era o ano de Copa do Mundo. Os investimentos no futebol vão voltar em 2015", apostou, admitindo suas falhas.

"Se eu não tivesse errado em nada, o Palmeiras não estaria nessa situação. Aconteceram vários erros, como aconteceram acertos. É necessário ter humildade de mudar o que não deu certo. Como torcedor, é claro que não estou contente. Torcedor quer ganhar títulos, não quer ser gozado, não quer que seu filho sofra bullying. Mas torcedor não tem compromisso com a administração, e o presidente tem essa obrigação, por mais chateado que esteja", declarou.

Para 2015, se for reeleito, o presidente aceita manter a folha salarial de R$ 6 milhões, mas sem os mais de 40 jogadores que treinam diariamente na Academia de Futebol. "O Palmeiras tem condições de arcar com esse valor, mas não precisa ter 40 jogadores. Pode ter 33 ou até 30. No Paulista, dá para trabalhar com 28", falou, avisando não ter preconceito com a Mancha, com quem rompeu relações após membros da organizada atirarem xícaras contra o elenco e ferindo Fernando Prass em março de 2013, em aeroporto de Buenos Aires.

"Não tenho preconceito nenhum com torcedor organizado. Tudo o que faço é visando o melhor para a instituição, independentemente de agradar ou não. Vocês fazem uma festa muito bonita, da mesma maneira que, quando ficam chateados, conseguem tumultuar bastante. Torço para que vocês e o torcedor em geral fiquem satisfeitos com o Palmeiras que vamos montar em 2015", prometeu.

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