Formado em Direito e investigador da polícia, candidato à presidência do Santos compara negócio Damião a caixa preta e promete novos documentos sobre o caso Neymar

Orlando Rollo é candidato à presidência do Santos
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Orlando Rollo é candidato à presidência do Santos

Ex-vice-presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol) no litoral paulista, Orlando Rollo é mais um oposicionista na briga pela presidência do Santos. Investigador da Polícia Civil e formado em Direito, Rollo foi quem apresentou a denúncia de supostas carteirinhas fantasmas, no último mês de agosto, e abriu um inquérito pedindo a investigação criminal. Avesso ao Comitê de Gestão, o candidato conversou com o iG sobre as suas principais propostas. Leia a entrevista na íntegra.

Para iniciarmos, gostaria que você falasse sobre a coligação com a Resgate Santista
Essa união foi muito oportuna, principalmente por convergência de ideias. Nossos projetos são muito parecidos com os da Resgate e tínhamos uma convergência de ideias, uma convivência, então essa união acabou sendo até natural.

Falando em união, outro presidenciável, Fernando Silva, manteve conversa com a 3VS e uma união também esteve bem próxima de acontecer, correto?
Eu me dou muito bem com o Fernando Silva e tenho uma ótima convivência com ele. Nós mantemos conversas e por muito pouco não saiu o acordo entre o grupo do Fernando Silva e a 3VS, até por detalhes de alguns projetos. Eu creio que, talvez se viermos a ganhar as eleições, possamos contar com o grupo dele porque será um momento de união dos grupos. Ninguém consegue governar sozinho o Santos.

Perguntei aos outros candidatos e repito a você: de qual forma administrará a dívida do clube, caso seja eleito?
Quem falar que vai pagar a dívida do Santos está mentindo. Eu vou dar um exemplo: O Barcelona, que o clube melhor estruturado administrativamente no mundo, deve aproximadamente R$ 1 bilhão, isso eu sei porque eu tive acesso ao balanço do Barcelona quando estive na Espanha. O que a nova administração deve fazer, caso a gente ganhe, vamos equalizar as dívidas e vai separá-las de acordo com as prioridades de pagamento, curto, médio e a longo prazo. Vamos priorizar as principais dívidas que tangem a valores e prazos, porque essas dívidas são frutos de mais de 20 anos de péssima administração. Elas não foram criadas em uma única gestão. Então a nossa preocupação será a equalização da dívida e refinanciamento delas.

Quem falar que vai pagar a dívida está mentindo", afirma Rollo sobre a dívida de R$ 400 milhões do clube

Por falar na questão financeira, o Robinho tem um dos maiores salários do elenco na folha. O interesse é mantê-lo ou não?
Nós temos interesse sim na continuidade do Robinho, que é um grande ídolo e traz um retorno financeiro, de marketing e esportivo. A presença dele em campo, além de trazer ritmo para equipe, traz experiência aos novos atletas, agrega valor esportivo. Por esse motivo, nós somos a favor da permanência do Robinho sim.

Ainda sobre o jogador, qual é o seu pensamento sobre o atacante Leandro Damião?
O caso Leandro Damião é uma verdadeira caixa preta. Nós ainda não tivemos acessos, mesmo sendo conselheiro e solicitando, as documentações e condições do contrato. Nós precisamos primeiro ter acesso ao contrato e valores, somente de posse destas condições, vamos pensar o que vamos fazer sobre Leandro Damião. Não teria como rescindir com Leandro Damião, sem saber as condições que estão no documento. Eu seria um irresponsável se dissesse que romperia esse contrato. Se for uma multa baixa e pode ser parcelada, não teria problema nenhuma, o problema é se for uma multa estratosférica com o pagamento à vista. Ficaria inviável uma rescisão imediata, e aí buscaríamos o acordo com o atleta. Isso tudo são apenas hipóteses, porque, como falei, não conhecemos a fundo o contrato.

Recentemente você foi a Barcelona para investigar a transação que envolveu Neymar para o time catalão. O que você descobriu?
Eu estou trazendo diversas novidades, a maioria desconhecida até o momento no Brasil. São documentos complexos que são sendo traduzidos por especialistas contábeis. Eu ainda não apresentei o meu relatório ao Conselho Deliberativo do Santos porque os espanhóis de oposição do Barcelona ficaram de me enviar outras informações que até então eles não tinha acesso. Além disso, eu solicitei formalmente no Conselho Deliberativo algumas informações sobre a negociação do Neymar e ainda não foram fornecidas para eu poder comparar. Em breve, no momento oportuno, eu apresentarei esse relatório no Conselho Deliberativo. Esses documentos, na verdade, são públicos para os associados do Barcelona. É só ter boa vontade e ir atrás. Eu também estou apresentando um documento específico sobre a negociação do Neymar, que a diretoria do Barcelona forneceu aos associados.

Desde o início da campanha é muito claro que a 3VS é contra ao Comitê de Gestão. Qual a medida que vocês pretendem implantar?
Somos totalmente contrários ao Comitê de Gestão e eu não falo por oportunismo porque esse sempre foi o meu pensamento desde que começamos o processo de mudança estatutária em 2011. Sou contra por entender que é um órgão totalmente burocrático que não serve para a administração do futebol. A administração do futebol precisa veloz, dinâmica, ágil, decisões tomadas em segundos, minutos, horas. E o Comitê de Gestão se reúne uma vez por semana, então não cabe no futebol. Nós queremos o retorno do modelo antigo, porém, somos contra ao número ilimitado de reeleições como eram antes. Nós queremos o retorno do modelo antigo, mas com apenas uma reeleição e não eternas como eram anteriormente.

Então, você pretende extinguir o grupo e retomar o regime presidencialista?
Nós somos a favor do término do Comitê de Gestão. Nós vamos ter de trabalhar alguns meses com o Comitê de Gestão até ser mudado o estatuto. Após mudança, ele teria de ser extinto. Ela teria que passar pelo Conselho Deliberativo e depois pela Assembleia Geral.

Orlando Rollo é candidato à presidência do Santos
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Orlando Rollo é candidato à presidência do Santos

Você, assim como os demais candidatos, fala em profissionalização. O que você acredita que seja isso?
Eu creio que para os cargos gerenciais, o Santos precisa trazer profissionais gabaritados no mercado para administrar o clube. Porém, a minha diferença para o Odílio (Rodrigues), é que eu traria profissionais com a mesma formação, mas com identificação com o Santos FC. Profissionais que fossem santistas, ao contrário dele. Ele traz profissionais que têm currículo bom, mas torcem para outros times. Para mim não funciona. Eu traria profissionais gabaritos, mas que torçam para o clube.

Na sua opinião, a base está sendo bem tratada e o que você deseja propor?
Essa economia que está sendo feito no departamento da base é uma economia porca, porque estamos economizando centavos onde poderíamos ganhar milhões no futuro. Nós queremos reestruturar a base. Nós acreditamos que ela nos tem dado resultados satisfatórios dentro de campo, mas temos que mudar fora dele. Nós temos de dar mais estrutura física, educacional, cultural e esportiva aos atletas. Nós vamos fazer uma melhoria na base.

O que seria essa melhoria então? Explique-se melhor.
Daríamos estrutura física, sendo ela de duas formas: a reestruturação do CT Meninos da Vila, que atualmente não é adequada a um clube ao nível do Santos, e descentralização dos centros de treinamento da base. Isto é, ter alguns pontos de captação de jovens talentos espelhados em diversos pontos do Brasil e Estado de São Paulo. Isso não seria nem franquia, nem escolinhas, seriam CTs mesmo onde agiríamos em parceria com poderes públicos locais.

A questão do estádio causa uma ampla discussão. Qual é o seu posicionamento referente a isso? O Santos deve jogar no Pacaembu, Vila Belmiro ou uma terceira praça?
Sou favorável à ampliação e modernização da Vila Belmiro. Eu entendo que o Santos ficou para trás na Copa do Mundo, onde muitos clubes aproveitaram o evento mundial para reformar ou construir suas praças esportivas. Mesmo não tendo, o Santos foi subsede e poderia ter aproveitado a Copa do Mundo para reformar e modernizar. Eu entendo também que a Vila Belmiro foi elitizada, e aí vem uma diferença conceitual em elitizar e modernizar. O Santos elitizou a Vila Belmiro através de camarotes e setores VIP e isso afastou o torcedor comum do estádio. Esse é um dos motivos do Santos ter constantemente um público baixo na Vila Belmiro. Dentro da nossa política de ampliação e modernização da Vila, a gente quer realocar esses camarotes, extingui-los da Vila Belmiro, apenas os superiores seriam mantidos, e com essa ação a Vila Belmiro voltará a ser um alçapão.

E de qual maneira seriam arcados esses custos?
Nós estamos trabalhando com duas hipóteses, além do apoio público – que não significa ganhar dinheiro público, e sim ajuda para licença ambientais, de obras, municipais e etc. Isso pode acontecer através de uma parceria que poderá explorar uma contrapartida a ser negociada ou então recursos próprios do Santos FC. Com uma dessas medidas, nós vamos concretizar o projeto.

O Santos elitizou a Vila Belmiro com camarotes e setores VIP", argumenta

Comente um pouco sobre as propostas que estão em seu plano de governo
Vamos começar com um time disputando títulos. Pode parecer óbvio o que eu estou dizendo, mas no passado não muito remoto, o Santos montava times apenas disputar um campeonato pé no chão, apenas por disputar. Vamos querer entrar para ganhar todos os campeonatos. Além disso, um dos nossos principais projetos é a modernização e ampliação da Vila Belmiro. Vamos trazer o orgulho do torcedor de volta revitalizando as nossas tradições. Vamos revitalizar a Chácara Nicolau Moran, patrimônio do Santos, que está esquecida hoje. Pretendemos também construir um clube social em Santos e capital para que possamos agregar nossos associados para que possam frequentar o clube que tanto ama.

Sobre o departamento de comunicação, que hoje é terceirizado, o que planeja fazer?
Em alguns setores a terceirização é salutar, mas na comunicação eu entendo que não. Eu prefiro trabalhar com profissionais do clube e não terceirizados como funciona. Na nossa gestão, a comunicação deverá ser gerida diretamente com o clube.

Você apresentou a denúncia das falsas carteirinhas. Alguma novidade sobre a sindicância no clube e na polícia?
O Santos FC apresentou alguns meses atrás uma investigação fantasiosa, feita pelos seus próprios funcionários que usam recursos caseiros de investigação, inclusive o Google, acusando as pessoas sem provas. Quando fizemos essa grave denúncia, nós procuramos canais judiciais corretos, a polícia civil e sindicância do Conselho Deliberativo. A comissão de sindicância está investigando o caso e creio que devem ter algum parecer em breve. A polícia está investigando também, porque isso é crime. É impossível acreditar na investigação amadora e clandestina do Comitê de Gestão, onde eles acusam alguns membros de terem feito as carteirinhas. E como pode entrar uma pessoa de fora entrar no banco de dados do Santos FC? Então, já há alguns processos judiciais que essas pessoas que acusaram outras de maneira leviana devem ser denunciadas futuramente.

Apesar de todo esse imbróglio, você é a favor do voto a distância?
Eu sou favorável ao voto a distância, desde que ele seja presencial com a identidade do eleitor. Em eleições passadas, que eram presenciais na Vila Belmiro, nós pegamos alguns fantasmas votando e iniciou inquérito policial. Então se nas eleições presenciais, que em tese tinham uma segurança maior foram pegos fantasmas, imagine o que não seria estas eleições a distância...A farra do boi bumba. Neste momento fomos contrários porque os dados cadastrais não são confiáveis e, pasmem, não pertencem mais ao Santos FC. Eles pertencem a empresa terceirizada, que tem mais poder que o Santos sobre seus dados cadastrais. Considerando estes fatores, nos posicionamos de maneira contrária. Mas no futuro próximo, vejo com bons olhos.


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