Presidenciável do Santos promete acionar o time catalão sobre o possível aliciamento a Neymar. Conheça as propostas dele

Fernando Silva lançou candidatura à presidência do Santos
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Fernando Silva lançou candidatura à presidência do Santos

Com apoio do ex-presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, Fernando Silva, da chapa "Mar Branco", espera retornar os bastidores do Santos , desta vez para ocupar o cargo de presidente. Consultor Executivo em 2010 e 2011, Silva foi dispensado pelo próprio Laor e vê na candidatura a chance de resgatar o trabalho que fez à época. Com bom trâmite no mercado do futebol, o presidenciável prega o retorno do DNA santista e planeja acionar a Fifa para discutir o possível aliciamento do Barcelona a Neymar. Leia a entrevista exclusiva ao iG .

Como surgiu a sua ideia de lançar candidatura para a presidência?
Quando nós ganhamos as eleições contra o grupo liderado por Marcelo Teixeira, nós encontramos terra rasada. Eu, como Consultor Executivo de Futebol, sai à procura de jogadores para formarmos um time. Montamos um time vencedor, competitivo e que simpatizou com a torcida. Ao longo desses dois anos à frente do futebol, eu não percebi um movimento político que se formou atrás de mim. Não percebi que com tantos títulos, o ego e a vaidade das pessoas poderiam ascender uma reação política. Com o Fernando à frente do futebol ganhando tudo seria naturalmente o candidato à presidência. E esse grupo político seduziu o Luís Álvaro. Meu contrato não foi renovado, e esse grupo político se acertou com o presidente e aí começou a derrocada do Santos com contratações, salários atrasados e um buraco que o hoje o Santos experimenta, que é o buraco financeiro. Eu diria que tudo isso com um fundo político por detrás disso. O Luís Álvaro me procurou, logicamente ele teve um período de saúde muito debilitado, pediu licença do Santos e se colocou à disposição assim que soube que eu ia concorrer à presidência do Santos. Ele pediu desculpas. Conheço o Luís Álvaro há 15 anos da política do Santos, participou ativamente da fundação do nosso grupo político, a Resgate (Santista), então o conheço há muito tempo e respeito. Respeitei também a decisão naquela época e hoje eu acho que é um apoio muito positivo.

Você ficou chateado com o Luís Álvaro na época?
Lógico que eu fiquei chateado. Era o plano continuar no Santos. É o sonho de qualquer executivo poder trabalhar no time que ama, então lógico que fiquei chateado. Mas, ao contrário de muita gente, eu não guardo mágoa. O que passou, passou e vamos seguir em frente.

E o Pedro Luiz Conceição, que assumiu a diretoria de futebol após a sua saída? Você tem algum atrito com ele?
O Pedro foi o articulador desse grupo político, chamado da Vila Rica que se estruturou e pavimentou a sua ida à presidência. O grande sonho do Pedro é ser presidente do Santos, e com o Santos ganhando tudo e se continuasse andar no mesmo nível ele teria muitas chances de ser candidato à presidência. Então a turma da Vila Rica seduziu o Luís Álvaro e em cima de um projeto político hoje tem o domínio dentro do Santos.

E por que resolveu sair da Resgate Santista, grupo que você ajudou a fundar?
Conheço todos que estão lá, são bem intencionados, mas eles achavam conflitante a Resgate ter um candidato à presidência sendo que tinha um outro objetivo de governo. Na visão deles haveria um conflito de interesses, dentro do movimento. Eu aceitei. Achei a colocação pertinente. Quando eu lancei a minha candidatura, quando o pessoal disse que havia chegado a minha hora e eu tinha que sair (candidato), eu conversei com eles e eles não haviam decidido o nome ainda, apenas que haveria uma candidato. Logo depois, combinamos o meu afastamento, porque o meu plano de governo não era o plano de governo deles, então foi feito da melhor maneira possível sem ressentimentos.

Contratações que não deram certo não custaram nem 1/10 do que custa Leandro Damião", diz sobre possível erros em 2010/11"

Qual a avaliação que você faz do seu trabalho no Santos? Você montou um time vencedor, mas também contratou atletas que não deram tão certo como Alan Kardec, Ibson, Keirrison, Rodrigo Possebon, etc.
A avaliação está aí nos resultados técnicos, com títulos e resultados financeiros. Só um jogador ele compensou todos os possíveis erros que foi o Zé Love (Zé Eduardo, hoje no Coritiba), que custou R$ 500 mil para o clube, salários iniciais de R$ 15 mil e foi vendido por 6 milhões de euros. O problema, ao meu ver, é que o gestor do futebol precisa acertar mais do que errar. Nós definimos um modelo de gestão no Santos: o jogador que a gente tinha dúvida, que não era consagrado, nós trazíamos, pegávamos uma parcela dos direitos econômicos como vitrine para jogar no Santos e tínhamos opção de compra. Portanto, todas as contratações que não deram certo elas não custam 1/10 do que custou Leandro Damião por mês.

E como você se preparou para exercer o cargo de dirigente no futebol?
Estou neste mercado há mais de 14 anos, no mercado do entretenimento. Por fora, conheço os players e também dentro de campo. Então eu me credencio a ser candidato e só não fui antes, porque fui o primeiro a enfrentar Marcelo Teixeira em 2001, porque em 2003 o Teixeira em uma manobra do estatuto inviabilizou a minha candidatura. Eu fiquei inviável como candidato à presidência até agora. Os estatutos foram mudados na metade do primeiro mandato, a reeleição do Luís Álvaro com 87% de aprovação, e eu era o candidato natural. Então, naturalmente na sequência, era para eu ser o candidato desde aquela época. Só não fui por uma inviabilização do Marcelo Teixeira, que tomou um susto em 2001 quando quase perdeu a presidência.

O presidente Odílio Rodrigues renovou com atletas que conquistaram a Copa São Paulo de Futebol Júnior no ano passado e afirma ter investido na base. Você concorda com ele?
Não. Essa é mais uma inverdade dele. Quando nós entramos em 2010, colocamos um gerente na base, chamado Luiz Fernando Moraes. O primeiro levantamento que ele fez dava que o Santos tinha 44% dos direitos econômicos de todos os garotos que tinham contrato na base. Ele saiu do clube com aproximadamente 78% dos direitos econômicos pertencentes ao Santos Futebol Clube. Só essa diferença é um grande investimento que se fez na base, a manutenção e acréscimo do Santos nos diretos econômicos. A partir daí, sabemos que jogadores da base tem sido dado como garantia em vários negócios. Todo esse preparo da base vem de 2010. O contrato do Gabriel, recém-renovado, não se sabe ainda os detalhes, mas sabe que o Santos foi muito além do que poderia ter ido. Nós soubemos que o Gabriel pediu a metade do salário de Leandro Damião e que existe uma parte de luvas, mas ninguém ainda informou para onde foram os direitos econômicos dele. O Gabriel tinha por volta 65% a 70% dos direitos econômicos do Santos, e agora só vamos saber a real situação quando lá entrarmos e olharmos o contrato do Gabriel.

Como agir nos casos de Victor Andrade e Neílton, jogadores formados no clube, mas que saíram sem render lucros aos cofres?
Isso sempre vai acontecer. Todo o garoto que joga na base do Santos sonha em jogar na seleção e ser comercializado para o exterior. Sempre vai ter esse problema: os que dão certo, os que dão errado – que aceleram o seu processo. O exemplo disso foi o (Jean) Chera. Quando entramos, ele era um jogador muito badalado, o pai exigia um contrato fora da realidade e nós tomamos a decisão de não renovar o contrato dele. Isso prova que estávamos certos. Você imagina se fizéssemos aquele contrato, que talvez o Gabriel fez, o Santos estaria comprometido em mais de cinco anos em seus receitas e o jogador não virou jogador. Muito em virtude do pai, que queria antecipar a entrada de recursos, e o jogador que quanto mais foi maturando mais foi se percebendo que ele seria um jogador comum.

Caso você seja eleito, vai estabelecer um teto salarial para esses atletas da base?
Nós teremos um tento dependendo de quando o jogador chegou e dependendo de como ele foi para o profissional. Isso vai muito da relação que o clube mantém com a base e as suas estrelas da base. Eu acho que um bom relacionamento entre os mandatários e dirigentes do Santos com a família e o jogador facilita e muito esse acerto.

Ainda sobre as categorias de base, qual é o seu projeto? Você estuda a construção de alojamento para esses jovens jogadores?
Esse é um assunto como outro que não andou, uma inércia total. O Santos é um clube reconhecidamente formador, mas tem uma estrutura na base pior que clubes pequenos do interior. Então, nós precisamos correr rápido, viabilizarmos as nossas certidões para que, com renúncia fiscal e incentivo, termos um centro de treinamento adequado e em linha com um dos mais modernos do mundo. Isso é questão prioritária.

Em seu plano de governo, você montou os sete pilares que considera ideal para a reconstrução do Santos. Poderia explicá-los?
Tudo se inicia em um time competitivo. O time competitivo, que disputa e ganhe títulos, custa dinheiro. E para você ter dinheiro, você precisa ter receita. E para você ter receita é necessário ter uma interação com associado e torcida. Baseado no time competitivo, receita e associado e torcida nós fizemos nossos sete pilares.
Os dois primeiros pilares estão associados a um time competitivo. Reconhecidamente, o Santos tem o DNA do jogo bonito, da ofensividade e da juventude, então é inadmissível que nas suas categorias de base e profissional você quebre essa sequência. Isso no decorrer do tempo se perde muito dinheiro, mudando padrão de jogo. Então, todos os profissionais que trabalharão no Santos terão a sua missão. O Santos é um time competitivo, jovem, que joga bonito e que ganha títulos. Não pode sair disso.
O segundo ponto é as categorias de base. Vamos dar todas as condições físicas, nutricionais, fisiológicas para termos sucesso na base. Para isso, vamos usar todos os recursos que temos para formar uma base forte.

E um deles é o direito de transmissão...
Quando vamos para a receita, vamos obviamente para o repasse da TV. Esse contrato com a Rede Globo precisa ser revisto. É claro que o Santos sozinho não vai conseguir rever esse contrato, mas eu acho que os coirmãos poderíamos readequar o contrato de televisão. Hoje o contrato é dividido com o Corinthians e Flamengo na frente, mas ele precisa ser revisto principalmente na questão da internet, redes sociais e transmissões. Outra receita muito importante é o marketing. O Santos precisa parar de falar que é uma das marcas mais conceituadas do mundo e se comportar como tal com grandes negócios, grandes parcerias, empresas internacionais para gerar receita.

E a mais importante é a questão da Arena. Nós achamos que um clube de futebol, rapidamente, vai ter que ter um faturamento. Então temos de tratar isso rapidamente, porque essa gestão que aí está jogou tudo para debaixo do tapete. Nós perdemos o boom da Copa (do Mundo), perdemos as parcerias que poderiam ter sido feitas. Até o fim do ano, o Santos e o Vasco são os únicos clubes grandes do cenário nacional que não terão estádio tipo Arena. Isso eu me comprometo o mais rápido possível chamar os especialistas e opiniões mais diversas possíveis porque é um assunto controverso. Qualquer decisão que seja ela vai ser defendida. O meu perfil é tomar a decisão com o maior número possível de informações que eu tenho. Nós contratamos uma pesquisa de uma empresa muito reconhecida do mercado nacional e já temos ações para tomar essa decisão. Locaremos todos os associados, participaremos de todo Conselho Deliberativo, mas essa questão tem de ser discutida o mais rápido possível para o Santos decidir a adequação de seus jogos em Santos, em São Paulo e um terceiro local.

Mas jogar no Pacaembu não faz o Santos perder a identidade dele?
Eu concordo com você. Eu acho que a decisão, e ela tem de ser tomada o mais rápido possível, passa por uma adequação, um equilíbrio de jogos do Santos em Santos, na Vila Belmiro, em São Paulo, e um mercado que o clube enxergue que tenha condições, como Brasília, Cuiabá e Manaus, que não têm times nem torcida local. O Santos precisa recuperar urgentemente a sua torcida. Através de pesquisas sabemos que o torcedor do Santos tem mais de 50 anos, então em pouco tempo essa torcida sairá das pesquisas e o número de 5 milhões de torcedores precisa ser reposto. Sabemos também que a herança Neymar deixou mais de 1,5 milhões de garotos de 7 a 11 anos que precisam ser seduzidos, confirmados como torcedores do Santos. As pesquisas também falam que depois de 11 anos é mais fácil você mudar de sexo do que mudar de time de futebol. O Santos tem um potencial muito grande nesta faixa de idade para recuperar a sua maior parte da torcida. Tem de ser levado tudo isso em conta através de estratégias de marketing, de lançamentos de produtos. Através dessa pesquisa sabemos também que a renda per capita do santista é a maior que existe dentro do futebol brasileiro e que é o mais engajado com o time, então você já tem produtos no mercado que dá uma maior margem. Tudo isso precisa ser baseado com profissionais de mercado, planejamento estratégico e muitas pesquisas.

A ideia de modernização da Vila Belmiro é muito animadora, mas como bancar? Seria com a ajuda de um investidor?
A entrada de um investidor é vital. Por esse motivo, o Santos vai ter de estudar seus projetos de revitalização da Vila Belmiro e também se for jogar no Pacaembu. O Santos liderará o projeto, mas nunca financeiramente. Não sairá do Santos nenhum investimento para a Arena. O Santos será o participante principal com a sua marca.

Presidenciável Fernando Silva tem o apoio do ex-presidente de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro e Celso Jatene
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Presidenciável Fernando Silva tem o apoio do ex-presidente de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro e Celso Jatene

Você defende usar a herança Neymar para alavancar o Santos no mercado. De qual maneira isso será feito?
O Neymar é made in Santos, assim como Robinho e Diego. Esse é o nosso grande apelo para buscar o público. Não é fácil um moleque de sete, oito anos não torcer para o mesmo tipo do pai e família, chegar no colégio e ter amiguinhos contra ao time que ele escolheu...Ele precisa de muita força de vontade, e cabe ao Santos dar essas ferramentas para que ele continue santista.

Outro ponto que você defende é o resgate do projeto Nave. Por que retomar?
É um dos projetos mais importantes que foi deixado de lado sem nenhuma justificativa plausível. O projeto Nave são centros de captação de jogadores, porque hoje o mercado está todo mapeado, e o Santos atrai número de meninos porque eles vem aqui a oportunidade de jogar. Dentro do nosso projeto, é muito importante para o processo de captação. Hoje é tudo baseado em informação, você tem o scout, perfil por onde ele andou, se ele estuda, como é a família...Tudo isso junto, lógico aliado do jogar bola, leva a ter mais chances do jogador virar um bom jogador. A base é uma pirâmide, você tem muitos jogadores e poucos chegarão ao principal. Temos que trabalhar isso com Projeto Nave, outros Estados, loterias.

Um item importante do seu projeto é a "capitalização do acordo com o Barcelona". O que isso significa na prática?
Nós temos um acordo operacional com o Barcelona que a gente precisa entender bem qual é a parte do Santos e qual é a parte do Barcelona. Eu estou certo que temos bastante para aprender com o Barcelona, como temos bastante a ensinar em várias áreas onde o Brasil é reconhecido. Eu gosto muito do modelo de negócio do Arsenal, da Inglaterra, então é um clube que casa bastante com o Santos e vamos estudar. Assim como o Borussia Dortmund, que é um clube muito importante na Alemanha. E sempre vamos tirar as coisas boas para termos um modelo ideal para o Santos. O modelo da base do Barcelona é muito importante. Eles estão invadindo o Brasil, pois é possível ver pontos (escolinhas) espalhados já por aqui. Nós temos de correr porque eles estão captando aqui, na África, na Ásia...É um modelo bastante interessante e já estamos atentos a essas novidades.

No lançamento da sua candidatura Armênio Neto, responsável pelo marketing do clube quando você também estava no clube, compareceu. Ele tem chances de assumir o departamento caso o senhor seja eleito?
Hoje ele é o nosso colaborador, está com a gente assim como os outros executivos de 2010 e 2011 que nos apoiam. Mas hoje ele é CEO de uma importante empresa internacional. É lógico que seria muito bom contar com a colaboração dele, mas ele seguiu o rumo próprio. Tinha todo um projeto em cima da renovação do Neymar, infelizmente, boa parte deste projeto não foi colocado em prática. Tivemos que contar com a colaboração do jogador e acelerar a sua saída para o Santos poder receber algum valor. Se o Neymar decide ficar até dezembro, o Santos não receberia nada por sua transferência. Foi um modelo calcado em um modelo de marketing, marca, nome muito importante para o Santos.

O Santos precisa ir à Fifa. Se a Fifa disser que temos razão, o Barcelona será punido", declarou sobre o possível aliciamento do atacante Neymar

É repetitivo perguntar sobre, mas também inevitável. Como você analisa a operação Neymar para o Barcelona?
Eu tinha contato diário com o pai dele na época, e ele só manifestou que estava assinando um contrato de exploração de imagem do filho na Europa. Nesta última revelação, nós soubemos que eles tinham assinado um documento antes da carta que o Luís Álvaro deu para o pai, a qual eu também não sabia. O pai naquela ocasião disse ‘Olha, eu quero poder conversar com todo mundo, mas quero isso por escrito’, e depois foi se saber o por quê. A surpresa dessa última revelação é que antes da obtenção da carta, ele já tinha assinado. Isso, se soubéssemos, mudaria e muito o comportamento com o pai. Naquele fase, dependia muito do aconselhamento do pai.

Mas hoje, mais maduro, ele poderia se pronunciar...
Ele está muito maduro, mas ainda não está preparado para discordar, perante a mídia, do pai. Mesmo que ele achasse que a negociação não foi feita de uma forma transparente ele nunca viria a público contra o pai.

A última informação é de que Neymar poderia ter assinado um pré-contrato com o Barcelona ainda quando defendia o Santos. Como vê isso?
Dói muito. Assim que a gente tomar posse, nós vamos imediatamente contatar a Fifa e ver se cabe um processo que eu mesmo protocolei no Conselho, que não era para processar o Neymar, mas esportivamente o Santos precisa fazer alguma coisa. O Santos precisa ir na Fifa e dizer: ‘O meu jogador jogou com contrato firmado contra o Barcelona. Isso é assédio’. E ver se, perante a lei da Fifa, temos razão ou não. Se tivermos razão, o Barcelona será punido, como já foi recentemente. O Neymar tinha direito a sua liberdade, agora se ele foi mais esperto que o Santos já é outra coisa. Esportivamente, que é o que choca o santista, é se o Neymar jogou com contrato assinado com o Barcelona, o Barcelona o assediou. Ele (Neymar) e Barcelona são culpados disso. Economicamente, o Santos já contratou um escritório na Espanha e está tentando correr atrás.

Se eleito, você vai assumir o clube com um time pronto, com técnico recém-contratado. O nome de Enderson Moreira agrada?
O treinador é o da nova safra, bom e estudioso. É um perfil de treinador que me agrada, porque eu sou contra medalhão. Eu gosto do pessoal mais moderno e estudioso. Nós vamos pegar um time economicamente complicado e vai ter de ser feito basicamente a mesma coisa que foi feita em 2010, contratações estratégias, valorizar a base e vamos praticar o futebol ofensivo e bonito para ganhar títulos. É como eu sempre digo, vamos procurar acertar mais do que errar. Nós recebemos o clube em 2010 e entregamos no fim de 2011 muito melhor do que recebeu. Hoje estaríamos recebendo o clube muito pior do que entregamos em 2011, então eu tenho certeza que concordamos em 85% das coisas que precisam ser feitas, a diferença é o candidato, o cara que vai colocar na prática aquilo que está escrito. É isso que o eleitor e o sócio do Santos precisam conhecer, porque no papel tudo é bonito.

Financeiramente, é viável manter o Robinho além do prazo acordado com o Milan?
Eu não conheço os detalhes do contrato do Robinho, mas tenho certeza que é um dos contratos mais importantes do Santos. Vamos ter de fazer um modelo de captação de recuso semelhante ao de 2010, ou seja, empresas podem usar a imagem do Robinho usando a imagem dele. O Neymar, durante os dois anos, foi um dos jogadores mais baratos do elenco do Santos pelas parcerias que foram alavancadas no setor de marketing do Santos. Pela minha vontade, é ele e mais dez.

A dívida é uma preocupação de todos os presidenciáveis do Santos. Especula-se que ela está na casa dos R$ 400 milhões. Qual é o seu plano para assumir o clube sem comprometer as gestões futuras?
Eu comparo muito com 2010, quando chegamos à Vila Belmiro sem um papel, uma caneta, sendo surpreendido que o almoxarifado tinha sido rapado. Os quadros e móveis do CT desaparecidos, era um caos. Estou preparado para a mesma coisa. E o que faz? Se faz com profissionais de mercado em cada área, que vão dar para o mercado a segurança do que será contratado será entregue, alongar as dívidas – chamar os credores -, alavancar o marketing e as receitas, que com credibilidade isso fica mais fácil. Isso foi feito na primeira gestão, onde tínhamos o Grupo Guia, que era um grupo de executivos que conseguiu colocar o Santos de pé.

Muita gente é contra ao Conselho de Gestão, que hoje interfere nas decisões do presidente Odílio Rodrigues. O que fará com ele?
Eu fui dos que advogou a favor do Conselho de Gestão. O Conselho de Gestão nada mais é do que o Grupo Guia, mas mudou de nome. O que acontece hoje em dia é deturpação do Conselho de Gestão, que existe para olhar o clube estrategicamente. Se ele tivesse se comportado como tal, a gente não estaria nesta situação que a gente está. O Conselho de Gestão é para ajudar o executivo estrategicamente em setores, e não um grupo que se reúne toda a quarta-feira para comer coxinha e autorizar contratação de . Isso diminui substancialmente o poder das pessoas em uma negociação e também diminua a velocidade na toma da decisão. Ao meu ver, temos que colocar o Conselho de Gestão no que rege o estatuto, um grupo de apoio que ajuda em gestão, mas não é executivo. O que se fez no último mandato foi tornar o grupo cada vez mais executivo e político. E não é esse papel que o Conselho de Gestor tem de fazer. É o mesmo do dogma da Resgate: profissionalização, democratização e transparência.

Quanto ao Zinho, você o manterá?
Eu desconheço a função dele. Ele, para mim, de importante no Santos ele não fez nada. Desconheço o trabalho dele, então não posso criticar nem elogiar.

Então qual é o perfil que lhe agrada para a função?
Precisa ser um profissional de mercado e ter já exercido essa função. Precisa ser novo, que queira esse emprego e trabalhe 24 horas pelo Santos. Esse é o perfil que eu vejo para essa função. Nós estamos propondo a reorganização do organograma do Santo, que hoje é tradicional feito pela KPMG por uma necessidade que o estatuto pedia, mas não é um organograma moderno. Estamos estudando onde possamos colocar abaixo da presidência três áreas muito importantes, que são de esporte, administração financeira e mercado.

Atualmente, o departamento de comunicação é grande parte dela terceirizada (S2 Publicom). Você deseja manter essa parceria?
Infelizmente, nós teremos que descobrir um novo Arnaldo (Hase), que tomou outro rumo (está no Palmeiras) mas nunca se terceiriza for business. A comunicação é for business para o futebol, e o Santos está olhando para o pé. Esses últimos três anos, o Santos tem sido muito pouco arrojado, pouco inovador, deixa as coisas acontecerem e corta o osso. Essa decisão (de terceirizar) foi infeliz. A gente vai retomar isso o mais rápido possível.

Anteriormente você citou o Leandro Damião, mas não falou o que considera do negócio.
O Leandro Damião é o último culpado nisso. O culpado foi quem assinou o cheque de 13 milhões para comprar o jogador. Essa contratação do ponto de vista técnico, financeiro é o espelho dessa gestão. É inexplicável.
Eu e minha família inteira tivemos no mês passado em São Judas ascendo todas as velas para Leandro Damião fazer 25 gols até o fim do ano, se valorizar, para que possamos chamar a Doyen e conversar sobre essa dívida e tentar adequar os interesses do jogador. Essa vai ver uma dura função do presidente e sua equipe.

Sobre o voto a distância, você votou contra não é?
Somos favoráveis ao voto à distância. Votei contra no Conselho Deliberativo por duas questões: a plataforma nossa de campanha, de dez anos da Resgate é a distância, não foi feito nada durante todos esse período. E a cinco meses das eleições, acham que o voto a distância é importante. Nós temos o banco de dados que não é confiável. Eu prometo trabalhar muito para aprova-la ainda no primeiro semestre do mandato, mas em cima de um banco de dados que confere. Temos que trabalhar muito pela comunicação pelos sócios.

Por fim, qual é o seu recado para o torcedor, sócio do Santos?
Primeiro acesse o nosso site e conheçam as nossas ideias e as analise. Quem está propondo o maremoto no santos, para tirar toda ineficiente e inércia, esse amadorismo, que se pronuncie nas urnas dia 6. É o voto da sobrevivência do Santos. Não temos mais chances de errar.



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