Em entrevista ao iG, presidente do Corinthians previu uma redução de gastos com futebol e se exaltou ao falar sobre as punições impostas ao clube por ações de torcidas organizadas

Mário Gobbi deixa a presidência do Corinthians em 31 de janeiro de 2015. Em fim de mandato, faz uma maratona de entrevistas em sua sala no quinto andar do Parque São Jorge nos últimos dias da sua gestão. Na tarde de quarta-feira ele recebeu o iG  e falou sobre seus três anos no cargo.

Reiterou que não quer se responsabilizar pela contratação do técnico da equipe para 2015, reclamou do "fogo amigo" dos conselheiros do clube e fez um alerta: as contas para se pagar o estádio vão comprometer o investimento em futebol no ano que vem,  "cortando gastos, repensando folha de pagamento, vivendo uma nova época", disse. 

Confiante, disse que o Corinthians ainda pode ser campeão brasileiro em 2014. Sobre a relação com sa torcidas organizadas, Gobbi se exaltou e disse que a imprensa é uma das culpadas pelos protestos que ocorrem contra ele no clube. "Tiram foto, entrevistam. Vocês dão vida para eles" , disse. Veja abaixo a entrevista com o presidente do Corinthians.

Mário Gobbi está em final de mandato do Corinthians. Ele assumiu em 2011 e deixa o cargo em fevereiro 2015
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Mário Gobbi está em final de mandato do Corinthians. Ele assumiu em 2011 e deixa o cargo em fevereiro 2015



Seu mandato foi dividido em três temporadas e cada uma teve uma particularidade: títulos inéditos na primeira, fim de ciclo na segunda e reformulação na terceira. O senhor concorda que a primeira ainda foi fruto da gestão anterior? O que foi determinante para a queda nas temporadas seguintes?
O Corinthians só ganhou tudo que ganhou porque foi fruto de trabalho de sete anos. Não dá para separar a primeira parte da segunda parte. Foi a manutenção de dois técnicos em sete anos. Foi a manutenção de uma espinha dorsal. Mexíamos não mais que um jogador por setor. E isso explodiu o primeiro ano da minha gestão. Quando nós terminamos o Mundial lá no Japão, nós nos reunimos, a diretoria, lá em Yokohama, e nos perguntamos o que nós queríamos do Corinthians a partir dali. Se era voltar a disputar Paulista, o qualifying da Copa do Brasil, o Brasileiro ou era manter o Corinthians na Libertadores e no Mundial. E todos decidimos manter o Corinthians na Libertadores e no Mundial. Para tanto, o treinador pediu três jogadores: Pato, Renato Augusto e o Gil. Nós trouxemos os três. E ainda com o Paulinho, que sairia só depois da Libertadores. Só que o Corinthians foi uma grande vítima da morte de um torcedor em Oruro na Bolívia. E como represália a isto, o sistema nos tirou da Libertadores de uma forma vergonhosa no Pacaembu. Com o Camarilla (sic). Ali mudamos nossos planos, o que havia para ser feito. E pior, o que havia sido investido financeiramente. O que impossibilitou muito o retorno que se esperava ter. Mesmo assim, em seguida ao Camarilla, nós ganhamos... É Amarilla, mas eu chamo de Camarilla. Quatro dias depois ganhamos o Paulista em cima do Santos e a Recopa do São Paulo. E aí foi o final de um grande ciclo. O grupo e o comando técnico não tinham mais a motivação para ser vencedor. Olha, ganhamos tudo, chegamos ao cume da montanha, mas a gente fica só um pouco no cume da montanha. Depois tem de descer e escalá-la de novo para chegar ao cume.

Venda de Pato é essencial para o Corinthians encontrar equilíbrio financeiro, diz Gobbi
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Venda de Pato é essencial para o Corinthians encontrar equilíbrio financeiro, diz Gobbi

Mas faltou o que para fazer isso? Faltou cobrança?
Não faltou nada. É um processo que todo clube que ganha tudo passa. E nós ganhamos muito mais que todos os clubes que ganharam tudo. Na verdade nós ganhamos a quadrupla estrela, a quadrupla coroa. Ganhamos o Brasileiro, a Libertadores invicto, o Mundial invicto e a Recopa invicto. Então acabou o ciclo. Mas ainda tentamos no Brasileiro manter grupo e comissão técnica. Mas aí nos convencemos que era hora de remontar e refazer um novo grupo. Trocamos o comando, fizemos uma pré-temporada em 2014 muito forte, pesada, pegada, longa, o time todo estava em forma, mas quando a bola rolou nós vimos que não era só jogadores fora de forma, o tempo de validade tinha passado mesmo, tínhamos de mudar o grupo todo e nós matamos no peito, erguemos a cabeça, enfrentamos como se deve e começamos uma reformulação com campeonato em curso. A mesma coisa que trocar um ciclista de uma bicicleta andando a todo vapor.

A invasão do CT (em fevereiro) foi determinante para acelerarem isso?
A invasão fez parte. A torcida estava acostumada a ganhar títulos e olhava o time do Corinthians com os olhos de quem olhava um time vencedor. Eles não conseguiam pegar que o time estava em montagem. Estava sendo formado. E eu, o Mano, cansamos de dizer que nesse ano teríamos de ter paciência. Nós conseguimos superar tudo isso, fizemos um grupo novo. Se não é o melhor, o ideal, o mais perfeito, é um grupo muito bom, competitivo. Estamos a um ponto do G2 (Nota da redação: Na verdade são três, do São Paulo, vice-líder). Hoje o Corinthians tem um time novo, um grupo pronto, para em dezembro pôr quatro peças e ter no ano que vem um time com certeza vencedor. Não que nesse ano não possamos sair vencedores, ainda podemos ser vencedores. Temos 21 pontos a disputar, vamos brigar ponto a ponto pelo título, e se não der, pelo menos pela vaga na Libertadores.

Já que houve essa reestruturação com o Mano até agora e o senhor acha que ele é competente não seria o momento de tentar entrar em acordo com os candidatos à presidência em fevereiro do ano que vem para debater a renovação do contrato dele?
No futebol, unanimidade é muito difícil. E eu conheço o Corinthians como a palma da minha mão. O Mano é competentíssimo. Trabalhei com ele como diretor de futebol e agora como presidente. O trouxe de volta pela capacidade dele. Eu não trocaria o Mano jamais, mas o Corinthians é complicadíssimo. O fogo amigo aqui é terrível. E isso tem que partir do novo presidente do Corinthians. Uma coisa é o que se fala da boca para fora, para a imprensa. A outra coisa é o que se fala internamente aqui. Nem sempre o que se fala da boca para fora é o que se fala internamente. E como eu conheço muito bem como funcionam as coisas aqui no Corinthians eu não vou me meter na escolha do novo treinador.

Mário Gobbi apoia Roberto de Andrade como seu sucessor. Ele foi seu diretor de futebol
Agência Corinthians
Mário Gobbi apoia Roberto de Andrade como seu sucessor. Ele foi seu diretor de futebol

Pelo bem do clube não seria bom o senhor e os candidatos entrarem em consenso?
Não vou chamar ninguém! Eu propus no conselho do Corinthians que a eleição fosse feita em novembro. E o conselho reprovou a proposta. E manteve a proposta para fevereiro. Cada um aqui é uma cabeça. E eu não vou convencer ninguém a fazer absolutamente nada. Cada um tem que assumir suas responsabilidades. O Corinthians não vai sofrer nesses 30 dias, não vai sofrer problema de continuidade, a torcida pode ficar tranquila quanto a isso. O planejamento de 2015 está pronto. O Corinthians tem uma comissão fixa capaz, tem auxiliares técnicos. Se você falar, o Corinthians precisa de um meia? O Corinthians tem pré-selecionado no mínimo cinco nomes que preenchem os requisitos. Então é só o próximo presidente e técnico executarem esse plano.

Mas o senhor não poderia ter insistido com o conselho para antecipar a eleição para não passar por esse problema hoje?
Não posso fazer isso. Você não pode a todo período fazer uma proposta de emenda estatutária. Fiz isso no primeiro ano do meu mandato, longe das eleições, longe do mundo político. O conselho do Corinthians é muito bem preparado e não precisam que eu alerte, oriente, ou peça para reconsiderar. Eles tiveram tempo de ver, analisar e optaram para não fazer a mudança. É democrático, respeito, e o tempo passou. Vou cumprir meu mandato até o último dia, 31 de janeiro.

Esse debate sobre o futuro técnico não atrapalhou o time nesses últimos meses?
Não! O grupo está fechado, unido. Estamos só pensando em ser campeão do Brasil. E colocar o time na Libertadores. Esse é um debate que vende jornal, vende mídia e que é criado por nós aqui fora. Não existe isso. Só me perguntaram como faria uma vez que meu mandato tem mais 30 dias. Fui claro que este problema é um problema do novo presidente. O Corinthians criou uma filosofia de não demitir treinador. Não vou contratar tampão. E espero que o presidente honre essa filosofia. Foi assim que ganhamos tudo que ganhamos nesses sete anos.

Se o próximo presidente perguntar para o senhor se o Mano deve seguir em 2015 o responde o quê?
Se não fosse o final do meu mandato, se ano que vem eu ainda tivesse o mandato de mais um ano eu já teria renovado com o Mano Menezes.

Malcom teve parte de seus direitos federativos vendidos a conselheiro do clube
Miguel Schincariol/Gazeta Press
Malcom teve parte de seus direitos federativos vendidos a conselheiro do clube

Por que o Corinthians vendeu parte dos direitos de três jogadores convocados pela seleção brasileira de base (Malcom, Arana e Matheus) por R$ 2 milhões para o conselheiro Fernando Garcia?
O Corinthians precisava de dinheiro. E nós vivemos uma situação difícil aqui no clube. Um ano muito difícil. Todos os clubes estão passando por isso e todos clubes precisam encontrar receitas para saldar seus compromissos. Fala com patrocinador, com fornecedor. Fala com vários. E uma das inúmeras hipóteses de levantar dinheiro é vender percentual de atletas que prometem no futuro. Prometem! Não se sabe se vão vingar, se vão quebrar a perna e não jogar. É um risco para todo mundo. Na hora, naquele momento, o Corinthians precisava do dinheiro e isso é feito no Corinthians corriqueiramente há muitos anos.

Os clubes brasileiros não conseguem valorizar seus jogadores de base sem esses acordos?
Depende do momento financeiro que o clube passa. Se não tem como obter recursos, o clube antecipa a venda de percentuais de jogadores.

Por que o senhor escolheu os recursos que seriam usados para construir o CT da base, cerca de R$ 2,6 milhões, como as garantias para os processos que o clube sofre na Justiça? Não há outros recursos?
Não foi bem assim. Isso funciona da seguinte forma. Quando você tem uma ação de cobrança, quando o Judiciário vai penhorar, a primeira coisa que ele faz é pegar os bancos oficiais, estatais. E o Corinthians tinha uma conta em banco estatal (Caixa) por causa dos recursos para se construir o CT da base. Então foi penhorado porque foi a primeira conta que eles acharam. O Judiciário online entrou e bloqueou essa conta. Para desbloquear essa conta, temos que pagar. E assim que tivermos essa quantia nós vamos pagar porque estamos fazendo mesmo sem esse recurso.). No momento não dispúnhamos numerário para liberar essa conta uma vez que estávamos pagando os impostos atrasados (O valor bloqueado é devido a processos movidos pelo não pagamento de impostos na gestão de Andrés Sanchez). Então o cobertor é curto. Vamos aguardar uma oportunidade melhor para pagar e liberar a conta para o projeto.

Danilo teve seu contrato renovado, mas outros jogadores campeões mundiais não ficaram por vários motivos, casos do Chicão, do Emerson, do Jorge Henrique. Por que o Danilo foi diferente?
O Danilo é o Danilo. Ninguém fica aqui porque é quietinho, nem porque fala muito. O Danilo é um exemplo de profissional. Ah se o futebol tivesse só Danilos. Por isso que ele ficou aqui. Ele é o Zinedine Zidanilo Zidane.

Apesar de protestos, Gobbi não corta diálogo com organizadas.
Fernando Dantas/Gazeta Press
Apesar de protestos, Gobbi não corta diálogo com organizadas. "Não adianta nada".

O Corinthians nunca vai conseguir se afastar das organizadas, apesar do mal que elas vêm causando ao clube. O senhor acha que de uma maneira geral os dirigentes de futebol tem receio de peitar as organizadas por medo do que elas podem fazer, como no caso da retirada das cadeiras da Arena Corinthians? 
Bem... Primeiro... No estádio tem um local que só posso vender ingressos para as organizadas. Por ordem do Ministério Público. Eles pediram para tirar as cadeiras porque usam bumbo, instrumentos, ficam em pé e a cadeira é um estorvo. Então chegamos num consenso. Por que não vai fazer? Por que é organizada? É correto... O Grêmio fez isso e vários outros fizeram. Esse é um problema. Já problema de briga você deve perguntar para a secretária de segurança pública de São Paulo. Clube associativo não tem o dever constitucional de zelar pela segurança pública, evitar brigas e nem pagar pelas brigas de terceiros. Exceto no Brasil. Uma lei de responsabilidade ridícula, ditatorial, jogando a sujeira para debaixo do tapete, querendo jogar em cima do clube lavando as mãos pra ficar mais fácil para conter o torcedor. Quem tem a culpa pela emboscada da torcida do Palmeiras com a do Santos? Paulo Nobre ou Odílio Rodrigues? É briga de torcida. Estão querendo jogar a responsabilidade para o clube cuidar de marmanjo. O Estado e a sociedade tinham de cuidar do nascituro lá quando nasceu. Dar berço, educação... Por que eu, você, outros jornalistas não fazem isso e saem brigando? Porque nós tivemos a oportunidade de receber uma educação. Onde o Estado falhou não sou eu que vpu consertar um marmanjo que a sociedade criou violento assim.

Mas hoje a Justiça age assim. Pune o clube. Pode estar errado, mas é assim.
Isso é uma vergonha!

Sim, mas a partir do momento que as torcidas insistem em brigar sabendo que os clubes podem ser punidos, não deveria haver uma ruptura maior, não dar a liberdade de ir no CT e serem recebidos na sua sala  ou por jogadores no CT como já aconteceu outras vezes?
Eu proponho uma coisa à imprensa esportiva do Brasil. Eu não recebo mais os torcedores e vocês não vão cobrir mais os protestos deles, as invasões, não vão entrevista-lo. Isso é colaborar também.

O senhor acha que a imprensa tem culpa por noticiar isso?
Eu acho não! Eu tenho certeza que isso piora e muito! Você vai lá, entrevista, tira foto, divulga que teve protesto. Vocês dão vida para eles. O dia que pararem de dar a cobertura que dão para eles, eles não vão mais lá fazer essas coisas.

Mas quando eles chegam no CT e o jornalista está lá para cobrir o treino do time e isso atrapalha a atividade, o jornalista tem de reportar.
Tem de cobrir o treino, não eles. Por exemplo: a televisão está lá para mostrar o jogo. Quando invadem o campo, eles não filmam mais o invasor. E parou de ter invasão. É a mesma coisa.

Em fevereiro, torcedores invadiram treino do Corinthians. Gobbi pediu para abrir inquérito, mas ninguém foi preso
Rodrigo Gazzanel/Futura Press
Em fevereiro, torcedores invadiram treino do Corinthians. Gobbi pediu para abrir inquérito, mas ninguém foi preso

Mas se tem ação violenta, como a de fevereiro deste ano, a imprensa tem de cobrir, presidente... Do mesmo jeito se a torcida vai no CT fazer festa e apoiar.
Sabe qual é o problema? Vocês querem associar o fato de eu conversar com a torcida, com o ato de violência que ela comete. Se eu não conversar, ela não vai deixar de praticar. Isso não muda nada. Eu não dou nada para torcida. Não ajudo, não facilito nada. Eles invadiram o CT e eu abri um inquérito. E o que o juiz de direito falou? Ah, coitados, eles foram lá só para incentivar. É tão grave o Judiciário fazer isso. É com eles que os jornalistas têm de falar. O Paulo Nobre não conversa com a torcida do Palmeiras e não tem briga? Então não é isso que vai mudar. É demagogia barata. Para de falar que os cartolas é que são responsáveis pelos atos das torcidas. Minha relação com eles é rara e de extremo respeito. Como que eu ajudo eles se seles fazem a campanha “Fora Gobbi”?

A torcida é violenta. O senhor não tem medo de isso atingir sua integridade ou sua família?
Eu não temo isso. É um risco, mas não temo. Dialogar é um princípio básico de qualquer coisa. Eles vieram aqui para pedir para eu demitir o treinador. Mas eu disse para eles que não vou demitir o treinador. Até logo, obrigado e passar bem. Divulgam que os dirigentes de clubes são sócios das organizadas. E agem em conluio. É o fim da picada. Não tem nada a ver uma coisa com outra. Não adianta falar que não converso.

O senhor agora vai processar um torcedor que brigou e fez o Corinthians perder um mando. Por que não fez isso antes, em outras brigas, com torcedores identificados?
Está no departamento jurídico para ver a possibilidade. É possível identificar o torcedor que brigou, os que brigaram. Tem que prender. Eu estou fazendo minha parte, mas o aparato estatal não consegue conter a violência. Vou deixar a presidência e vão continuar brigando. Querem jogar para os dirigentes essa responsabilidade. Invadiram o CT, abri inquérito e o que eu ganhei de presente? Uma sentença tirando sarro da minha cara, da sociedade, um desrespeito.

Mas quando o senhor é desrespeitado, pedem por sua saída, invadem CT, o senhor poderia falar que não aceita esse tipo de comportamento e que não abre mais diálogo...
E o que que muda? Ok, posso fazer, mas o que muda? Vão deixar de ser violentos se eu fizer isso? Não vão. Vão deixar de me tacar ovos? O diálogo é uma medida de paz. Tenho que saber conviver com um universo diferente. O que eu gostaria que colocassem nessa entrevista é que é uma covardia dizer que há um conluio entre dirigentes e organizadas. Isso é um absurdo. O fato de conversar não significa que você tem conluio, participa, sustenta... Isso é uma ilação com um passado que teve isso. Tem um clube que a torcida tem sede dentro do estádio desse clube! Você percebe a nojeira que eu sinto quando eu falo desse assunto? Eu me exalto porque é uma falta de inteligência total. Quando culpam os clubes é um vazio enorme. Um reconhecimento da inércia e da falência múltipla de órgãos do estado.

As receitas do estádio estão comprometidas com o pagamento do financiamento do próprio estádio, o fundo que o administra. Como seu sucessor vai ter de lidar com isso?
Vai ter de fazer como eu estou fazendo. Com dificuldade, cortando gastos, repensando folha de pagamento, vivendo uma nova época.

Corinthians tem bilheterias milionárias em seu estádio, mas clube não fica com nada do arrecadado
Djalma Vassão/Gazeta Press
Corinthians tem bilheterias milionárias em seu estádio, mas clube não fica com nada do arrecadado

Acha que talvez isso altere a balança dos gastos do clube? Pode haver diminuição no investimento no futebol?
Eu acho que tem de diminuir. Cada jogo, o Corinthians faz R$ 1,5 milhão. E agora o clube não tem mais isso. Imagina o tanto de dinheiro que deixamos de ganhar aqui. A falta que está fazendo no clube.

Houve um estouro de R$ 44 milhões no orçamento de 2014. O Raul Correa (diretor de finanças) aponta que as receitas com patrocínio e arrecadação foram menores do que as esperadas. Que sugestão o senhor dá ao seu sucessor para evitar rombos como esse?
Ao todo 30 milhões desses 44 foram da receita do estádio que não recebemos. O sucessor do Corinthians, seja ele quem for, são pessoas preparadas que não precisam do meu conselho. Eles são do ramo de administração, de economia. (Roberto de Andrade é dono de uma concessionária e Paulo Garcia, da Kalunga) Quem sou eu para dar conselho? Eles são experientes.

Já está em campanha pelo Roberto?
Meu candidato é o Roberto. Trabalho para ele agora. Depois vou sumir um tempo.

Aliviado com o fim do mandato?
Muito aliviado. Foi a maior honra da minha vida ser presidente do Corinthians. Nada vai superar. Foi a maior das honras, mas também foi o maior peso, o maior fardo, a maior responsabilidade que já assumi. É muito difícil lidar coma emoção e com a paixão de mais de 30 milhões de pessoas. Administrar é relativamente tranquilo. Mas satisfazer a emoção e a paixão de um mundo é muito difícil.

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