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Plataforma online disponibiliza atletas para que torcedores possam adquirir direitos econômicos e investir no mercado. Segundo idealizador, Diego Fernandes, um jogador famoso deve ser colocado no portal até a próxima semana

Todo torcedor já jogou Football Manager, Elifoot ou Brasfoot e sonhou em contratar seus próprios jogadores de futebol. Mas o que era atividade restrita aos grandes empresários agora virou modelo de negócio para pequenos investidores. O responsável por tornar tudo isso realidade foi o Diego Fernandes, idealizador do Panela FC, que permite ao torcedor entrar de vez para o mercado da bola ao comprar direitos econômicos de atletas.

Há apenas três semanas com a plataforma na internet, o Panela FC é fruto de um empreendedorismo de Fernandes ainda na adolescência. Aos 16 anos, ele já trabalhava em uma corretora private na Bolsa de Valores e montou a própria empresa para administrar a carreira de jogadores de futebol. Com a primeira premiação, resolveu investir o valor na compra de direitos econômicos de um atleta, por cifras bastante significantes, e pensou: “Por que não abrir o mercado e dar essa oportunidade também aos torcedores?”. E foi exatamente isso que aconteceu.

Diego Fernandes foi quem criou o Panela FC
Divulgação
Diego Fernandes foi quem criou o Panela FC

Com ideia em mente, Diego Fernandes consultou a renomada advogada Gislaine Nunes, conhecida por defender causas trabalhistas de jogadores de futebol, para saber se era possível coloca-la em prática. Nunes prontamente afirmou que aquilo era um grande negócio e apresentou a ele Roberto de Assis Moreira, irmão e empresário de Ronaldinho Gaúcho, que também gostou da plataforma e se tornou sócio.

“Ele foi uma pessoa muito importante, porque abriu portas para o Panela FC na Europa. Fez uma grande diferença tê-lo como sócio. Hoje, o nosso garoto propaganda é Ronaldinho Gaúcho”, disse o CEO em entrevista ao iG .

Em discussão desde 2012, o Panela FC nasceu somente neste mês como uma plataforma de negócio online, onde são colocados jogadores como vitrine e o torcedor poderá comprar paneletas (moda oficial do site) para iniciar o investimento, que chega ao montante máximo de 5 mil paneletas (cada paneleta equivale a R$ 1) por atleta.

A grande novidade, no entanto, deve ser anunciada apenas na próxima semana, quando um jogador conhecido no Sul e Sudeste do país será disponibilizado no portal. Ele, inclusive, já gravou vídeos institucionais para o Panela FC, e o nome é mantido em sigilo para não atrapalhar o marketing da empresa.

No entanto, como toda negociação, há riscos neste tipo de transação. “O torcedor terá os mesmos riscos que um empresário tem. O atleta pode se lesionar e nunca mais atuar, o vínculo de contrato acabar e o direito econômico consequentemente também, rescisão do contrato de trabalho e troca de forma não onerosa”, salientou o empresário.

Até ainda desta temporada, Diego Fernandes acredita que ao menos uma negociação seja concretizada. O volante Jonas, do Sampaio Corrêa, que possui 35 paneletas de valor de cota, é alvo de cobiça grandes clubes do futebol brasileiro como Cruzeiro, Corinthians, Flamengo e Fluminense.

Site do Panela FC, onde é possível comprar direitos econômicos de jogadores de futebol
Reprodução
Site do Panela FC, onde é possível comprar direitos econômicos de jogadores de futebol

Nova determinação da Fifa não é motivo de desespero

Com a decisão da Fifa de proibir a participação de investidores nos direitos econômicos de atletas, o Panela FC pode parecer que possui prazo de validade. A regra, entretanto, não assusta Diego Fernandes. Ele acredita que plataforma executa justamente ao contrário que a entidade máxima do futebol condena.

“A diferença é que somos a novidade da novidade. O que a Fifa condena é a participação de grandes empresários e o que nós fizemos é justamente ao contrário, que foi abrir o mercado. Como está, os clubes estão reféns dos empresários, que podem forçar a venda de um determinado jogador. Caso essa determinação seja aplicada também para terceiros, isso vai refletir em quatro anos e teremos que nos adequar. Mas clubes já se mostraram contra porque a regra da Fifa não pode ir contra à lei europeia. Já tínhamos consciência de tudo isso”, minimizou.

Norte e Nordeste ganham atenção especial no Panela FC

De 23 clubes parceiros do Panela FC, 17 deles são das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Coincidência? Não para o planejamento montado pela plataforma. “Foram duas oportunidades: essas duas regiões são carentes de oportunidade financeira e são grandes reveladores. Há clubes com a melhor média de público no país, como é o caso do Santa Cruz. Lá, os torcedores são apaixonados e queríamos buscar isso, de poder ajudar o clube do coração com esse novo modelo de gestão. Foi uma grande oportunidade para nós e para os clubes também”, afirmou Fernandes.

O Panela FC, que já contabiliza mais de 30 jogadores cadastrados, também conta com a parceira da Federação Cearense de Futebol, Federação de Futebol Piauí, Federação Norte-rio-grandense de Futebol, Federação Sergipana de Futebol, Federação Maranhense de Futebol e Federação Paraibana de Futebol.

Os próximos passos da empresa é estender o projeto também para a Argentina e colocar atletas na grade. Diego Fernandes está feliz com o início: “Estamos muito satisfeitos, porque entendemos que é algo inovador, mas ainda temos muitas barreiras para ultrapassar, concluiu.

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