Tamanho do texto

Zagueiro está de volta ao futebol paulista, onde defenderá o São Bernardo. Ao iG, ele falou sobre assuntos polêmicos, como a recente detenção depois de parar em blitz da Lei Seca

As lesões tentaram impedir que ele seguisse nos gramados. Mas ele não desistiu. Já teve também o nome envolvido em diversas polêmicas, que não se exime de comentar. De personalidade forte e coração tricolor, Alex Silva, ex-zagueiro do São Paulo , superou os percalços e agora comemora a nova fase na carreira com o retorno ao futebol paulista, onde defenderá o São Bernardo no Paulistão 2015. Em entrevista exclusiva ao iG Esporte , o jogador conta que sente saudades do ex-clube e garante: está motivado para recuperar o prestígio que o colocou na seleção brasileira.

Alex Silva jogará o Paulistão pelo São Bernardo
Divulgação
Alex Silva jogará o Paulistão pelo São Bernardo

Aos 29 anos, o defensor foi anunciado como reforço do time do ABC paulista uma semana depois de aparecer nos noticiários por ter sido barrado em uma blitz da polícia na rodovia Dom Pedro I, entre as cidades de Campinas e Valinhos. Pego no bafômetro, ele teve de pagar R$ 7 mil de fiança e não se importa em falar sobre o caso.

“Isso não me incomoda não, porque pode acontecer com qualquer cidadão. Infelizmente, quando você é uma pessoa pública, a coisa toma uma proporção maior. Mas eu não fui o único, não é? O Mano Menezes, quando era treinador da seleção, foi parado em blitz, o Aécio (Neves), candidato à presidência, também foi... Aconteceu comigo porque tinha que acontecer também. Fiz tudo o que a polícia pediu, honrei o meu compromisso, foram feitos os exames e eu paguei um preço por isso e fui liberado. Mas é uma coisa que acontece na vida de qualquer cidadão brasileiro”, disse ele.

Sem entrar em campo há um ano, desde que rompeu novamente o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, Alex Silva está treinando para readquirir a musculatura e animado na nova equipe. “Eu estou muito mais motivado do que nos outros lugares que passei. Minha motivação maior é provar para mim mesmo que eu tenho condições de dar a volta por cima. Para jogador, parar por um ano parece um século. Então, estou bastante motivado e feliz por disputar o melhor Estadual do Brasil, que é o Campeonato Paulista”, ressaltou.

Ele, no entanto, não esconde que pensou em pendurar as chuteiras. "Eu pensei sim (em desistir), fazer outra coisa. Mas eu tenho propósito na vida. Minha família me deu força, e também tenho os meus filhos que vão se espelhar em mim. Tenho força em Deus e tenho certeza que nada acontece por acaso".

Com o recomeço, Alex já nem cogita mais se aposentar. Segundo ele, isso é algo para se pensar daqui a uns sete anos. 

Alex Silva posa ao lado do presidente do São Bernardo, Luiz Fernando (esquerda)
Divulgação
Alex Silva posa ao lado do presidente do São Bernardo, Luiz Fernando (esquerda)

Confira abaixo na íntegra a entrevista com o jogador:

iG - Como surgiu a oportunidade de fechar com o São Bernardo?
Alex Silva - Na verdade, meu empresário, André Costa, tem um bom relacionamento com o diretor do São Bernardo, o Edgard Montemor, onde ele já tinha colocado outros jogadores. Ele me perguntou se eu tinha interesse em vestir a camisa do São Bernardo no Campeonato Paulista, porque seria um projeto interessante e seria bom para as duas partes. E a ideia do clube acabou me encantando, gostei do objetivo do clube e chegamos a um acordo.

Durante a sua apresentação, você falou que se sente um "garoto de 17 anos, com vontade de um leão que acabou de sair da jaula"...
Eu estou muito mais motivado do que nos outros lugares que eu passei. Minha motivação maior é provar para mim mesmo que tenho condições de dar a volta por cima e voltar a jogar futebol depois de um ano parado. Para jogador, parar por um ano parece um século. Então, estou bastante motivado e feliz por disputar o melhor Estadual do Brasil, que é o Campeonato Paulista.

Depois de três anos, você retorna ao futebol paulista. Ansioso para a estreia?
Bastante ansioso, como se fosse o primeiro Campeonato Paulista que eu disputei pelo São Paulo, onde eu tive a oportunidade de ser vice-campeão em 2006. No ano seguinte, em 2007, eu fui considerado o melhor zagueiro da competição, eleito pela Federação Paulista de Futebol, então eu tenho boas recordações. A vontade é grande para que chegue logo e para mostrar a todos que o Alex Silva voltou.

Você conhece a torcida do São Bernardo, famosa por lotar o estádio 1º de Maio?
Eu sempre acompanhei. Independente de não estar mais no futebol paulista, eu sempre via o estádio lotado e assistia às matérias feitas pela TV. Fico feliz por fazer parte de uma torcida que apoia o clube, apoia time... Até o presidente (Luiz Fernando) comentou durante a coletiva que a torcida empurra durante os 90 minutos e, se tiver que criticar, faz isso somente após o apito final do árbitro. Estou acostumado a jogar em estádio lotado e aqui não será diferente. É um apoio a mais que a gente tem.

Alex Silva npos tempos de São Paulo
Vipcomm
Alex Silva npos tempos de São Paulo

Você teve uma saída conturbada do Flamengo. O que aconteceu?
Se o clube te paga, você não causa polêmica. Mas não foi uma saída conturbada, na verdade foi muito simples: o empregado trabalha e tem de receber. A partir do momento que você não recebe, você toma providências. E foi isso que aconteceu. Eu sai de um clube que eu recebia em dia, que era o São Paulo, e as minhas contas eram baseadas naquela época, tinham datas para pagar. Nem todo jogador de futebol é empresário como o Ronaldo e Ronaldinho, que foram pessoas que mereceram a vida que levam e têm uma estabilidade maior. Mas eu não. Eu sou zagueiro, não ganho como um jogador de ataque, então eu tenho os meus compromissos. Resolvi sair e procurar os meus direitos. É bom lembrar que, independente dessa polêmica, quando eu cheguei ao clube, o objetivo do Flamengo era se classificar para a Copa Libertadores em 2011, e esse objetivo foi alcançado.

Em 2012, logo na estreia do Cruzeiro no Brasileirão, você rompeu o ligamento do joelho esquerdo. Foi um divisor de águas na sua carreira?
Todo mundo hoje fala que o Alex Silva caiu na carreira, está jogando em clubes de menos expressão, como se eu tivesse tido problemas fora de campo. Consideram-me um jogador-problema, e não foi isso que aconteceu. No Cruzeiro, fui com o prazo estipulado de compra, talvez se eu não tivesse rompido o ligamento estivesse no Cruzeiro até hoje, porque o Flamengo tinha interesse de vender. Retornei ao Flamengo, joguei quatro partidas em 2013, cumpri com os meus compromissos e simplesmente chegou o recado que eu teria de treinar separado com o Ibson. Acabei afastado, e neste período, quando eu estava voltando de lesão e saindo um pouco da mídia, nenhum clube estava interessado. Aí, acabei indo para o Boa Esporte, e depois ia assinar um pré-contrato com um clube chinês em outubro. Mas em setembro acabei rompendo o ligamento novamente. Os problemas em minha carreira na verdade foram as lesões.

Você sente que está livre das lesões?
Eu me sinto feliz em voltar a trabalhar, estar empregado novamente, vivendo a vida que todo atleta sonha. Primeiramente, estou feliz, e agora aqui no São Bernardo estou com tempo para trabalhar. Estou recuperando novamente a musculatura por ter ficado muito tempo parado. Estamos fazendo um trabalho passo a passo, para em dezembro estar liberado para treinar com o elenco e fazer uma ótima pré-temporada.

Você sente falta do São Paulo?
Sinto. Todo jogador que tem uma história no clube, como eu tive no São Paulo, é natural sentir saudades. Eu sinto falta não só do São Paulo, mas dos funcionários que lá trabalham e que ainda permanecem. Na verdade, o São Paulo para mim não é só um clube, foi uma família, pois ganhei muitas amizades e aprendi muita coisa lá dentro. É bom ressaltar que, se eu tenho um nome forte, é graças ao São Paulo.

Você considera que foi um erro deixar o São Paulo para acertar com o Hamburgo?
Não foi um erro porque foi uma oportunidade de sair. Eu estava em um momento muito bom de seleção brasileira, e a proposta era muito boa para mim e era uma maneira de continuar na seleção, até porque naquela época apenas dois jogadores que atuavam no Brasil eram convocados. Na primeira temporada na Alemanha, chegamos à final na Copa da Uefa e eu também jogava como volante. Eu só tive a infelicidade na Alemanha de na pré-temporada romper o ligamento do joelho.

Na época, você demonstrou que ficou chateado com Juvenal Juvêncio, então presidente do São Paulo. Houve algum pedido de desculpas?
Todo mundo fala que tive problema com o Juvenal, mas não tive problema nenhum. Só teve um episódio que ele disse que inventei proposta pela imprensa, e eu respondi pela imprensa. Mas eu não tive nenhum problema a ponto de ter de pedir desculpas um para o outro. Depois disso, eu conversei com ele normal. Ele aparecia nos treinos no CT, brincava comigo e eu brincava com ele.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.