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Na Câmara e no Senado, parlamentares não descartam ação conjunta para fiscalizar a entidade que comanda o futebol

Um desafeto em comum une dois dos mais controversos recém-eleitos ao Congresso Nacional. O futuro senador Romário (PSB-RJ) e o deputado federal Andrés Sanchez, eleito pelo PT de São Paulo, são ligados por uma agenda, o futebol, e têm José Maria Marin e a CBF como alvos de determinados projetos. Ambos não descartam uma ação conjunta em temas que envolvam uma maior fiscalização sobre a entidade.

Sanchez diz que será da
FERNANDO DANTAS / Gazeta Press
Sanchez diz que será da "bancada da bola", mas contrário a determinações da CBF

No seu mandato como deputado, entre 2010 e 2014, Romário foi autor de projetos de lei que limitam a reeleição de dirigentes esportivos em federações estaduais (são elas que sustentam o status quo da CBF) e foi um dos parlamentares que mais se posicionaram contra os abusos nos gastos com a Copa do Mundo. 

"O Romário tem o seu espaço e cumpriu seu papel no que se propôs a fazer. Darei todo suporte que ele precisar nessa nova empreitada", disse Andrés Sanchez ao iG . Ele tenta desvencilhar seu primeiro mandato do futebol, mas diz que pretende participar das discussões iniciadas por Romário na Casa. O ex-atacante chegou a apoiar o nome de Andrés para o cargo de presidente da CBF

Romário é autor do projeto de lei 7817/2014 que tenta estabelecer instrumentos de fiscalização e controle sobre as entidades responsáveis pelo futebol brasileiro. Esta é uma divergência entre os dois parlamentares, ja que esta é uma das bandeiras do Bom Senso FC. Andrés tem certa resistência ao grupo. O projeto de lei de Romário ainda está em análise no Congresso.

Convidados por Andrés, Romário e Maradona participaram de ato contra a Conmebol e a CBF no Parque São Jorge em setembro de 2013

"O aumento na fiscalização das contas da CBF deve ser feito pelas federações estaduais e pelos clubes. Eu, agora como deputado, participarei das discussões sobre esta pauta quando ocorrerem no Congresso, mas não terei isso como carro chefe", disse Andrés. "Minhas propostas para o futebol vocês saberão na hora certa", completou.

Sanchez é favorável à entrada dos clubes no REFIS, programa de parcelamento de débitos atrasados com a Receita Federal. Mas antes, deve-se estabelecer uma regra para novas dívidas que terminem com perda de pontos da equipe nas competições que disputam.

"Em relação ao REFIS, eu concordo desde que tenha uma punição técnica para os clubes. A lei não dá desconto e nem prescreve a dívida, isso é somente um refinanciamento que qualquer empresa de todos os segmentos pode pedir, e o futebol, por ser um segmento da sociedade tem esse direito também", disse.

Há um ano, Romário foi um dos convidados por Andrés em evento que contou com outros grandes jogadores do passado, como Maradona e Francescoli. Era um ato contra a Conmebol no Parque São Jorge, mas que virou também um protesto contra a CBF. 

"Essa iniciativa se deu por alguns clubes do Uruguai, eu somente cedi o espaço do Parque São Jorge para eles se reunirem, porque concordo e acho que a Conmebol paga muito pouco aos clubes participantes das competições", comentou Andrés. Romário foi procurado pela reportagem para também falar sobre o assunto, mas sua assessoria informou que devido à sua agenda atribulada não poderia responder às perguntas.

Marco Polo com o deputado Assis Carvalho (PT-PI) e o presidente da federação do Piauí, Cesarino de Oliveira.
Divulgação/CBF
Marco Polo com o deputado Assis Carvalho (PT-PI) e o presidente da federação do Piauí, Cesarino de Oliveira.

CBF tem seus deputados
Andrés Sanchez será minoria no congresso quando o assunto for futebol brasileiro. Como foi Romário, ele será uma das poucas vozes contrárias à CBF e, ainda assim, terá de ir contra outro deputado eleito do seu partido, Vicente Cândido, notório membro da "bancada da bola", apelido dado àqueles defendem os interesses da CBF no Congresso Nacional.

"Com certeza vou participar das pautas da bancada da bola, mas não concordo com muitas coisas que a bancada propõe. É preciso estudar caso a caso para haver uma discussão sobre o assunto", disse Andrés.

A CBF já publicou em seu site que é favorável à eleição de Aécio Neves (PSDB) e de acordo com reportagem da ESPN, tem interesse de ter deputados de todos os estados a representando na nova "bancada da bola". 

Há uma semana, Marco Polo Del Nero, futuro presidente da CBF, recebeu Assis Carvalho, deputado reeleito pelo PT do Piauí, na sede da entidade. "Assumo o compromisso para defender o futebol brasileiro, seguindo a orientação da CBF no Congresso Nacional", disse ele.